ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

LÁ EM MONTE SIÃO



Maria Bilia e João Grandão


 Maria Bilia e João Grandão têm tantas estórias juntos, que se eu contar, não paro mais!
E é isso mesmo que eu vou fazer!  Então, lá vai! Preciso dizer que essa estória aconteceu lá nos idos de 1939. É, faz um tempão!

E foi na cidade de Monte Sião, lá em Minas Gerais.

Maria Bilia, uma mulher muito bonitinha e João Grandão, seu marido muito fortão, tiveram um bebezinho muito bonito.
Certa noite, o bebezinho começou a chorar muito, pois  estava com febre. A Maria Bilia muito preocupada acordou o João Grandão e disse:

- João Grandão, o bebê está com febre e não para de chorar. Vamos até o farmacêutico para ver se ele pode nos ajudar.
Naquela época só havia um farmacêutico que tratava dos doentes da cidade. Ele tinha formação acadêmica, então podia receitar remédios para a população, e ele também era o prefeito da pequena e bonita Monte Sião.
 João Grandão, mais que depressa pulou da cama e disse:
-Sim minha querida Bilia, vamos levar o bebê para o farmacêutico ver.

Eles  se arrumaram e partiram para o centro da cidade, pois o casal  morava um pouco longe do centro da cidade de Monte Sião, onde o farmacêutico, que também era prefeito, tinha sua residência e farmácia.

Pelo caminho afora, eles iam andando, mas estava tudo muito escuro. Dona Lua nem queria saber de dar as caras.

No caminho eles tinham que passar perto de um matadouro - aquele lugar onde matavam, e ainda matam os bois.
Mas estava muito escuro e só dava para ouvir as corujas e os outros bichos noturnos. De repente, eles ouviram um barulho muito forte, mas muito forte, e assustador.
Sabem de uma coisa? Eles ficaram com muito medo. Parecia um trovão! Uma coisa louca!
Eles começaram a correr. Correram tanto que finalmente chegaram ao centro da cidade, e foram direto para a casa do farmacêutico, que também era o prefeito.

Chegando lá, bateram na porta.
Passou um tempinho e uma senhorinha atendeu. Eles disseram que o bebê estava doente e precisavam ver o farmacêutico.
A senhorinha olhou para eles e disse:
-Só o bebê está doente? Porque vocês estão com umas caras!
Então eles disseram o que havia acontecido no caminho.
Nisso, o farmacêutico acordou e foi ver o que estava acontecendo.
Eles disseram que o bebê precisava de cuidados. - O farmacêutico examinou o bebê, e receitou para o pequeno, remédios à base de óleos.
Ele disse que o bebê estava com muitos gases.
 João Grandão falou para o farmacêutico:
-Senhor, será que podemos ficar aqui, até o dia amanhecer?
Ele respondeu que sim, mas quis saber o motivo. João Grandão explicou o que havia acontecido no caminho, antes de chegarem ali.
O farmacêutico, que também era o prefeito, disse dando muitas risadas:
-Ah! Isso só pode ser coisa  daquele touro enfezado, o Adamastor!
Ele deve ter escapado do lugar onde fica preso, e foi bater nas portas de aço com aquelas patas potentes, que só ele tem.
Todos deram muitas risadas.
Maria Bilia disse:
-Ufa! Ainda bem que ele não conseguiu sair de lá. Fico imaginando o que ele poderia fazer!
Nesse momento o farmacêutico que era prefeito - Ah! Lembrei agora que ele também era o dono do matadouro... Bem, ele ficou pensativo e coçou a cabeça.
Então João Grandão falou:
-É preciso tomar conta daquele touro, senão alguém vai fazer churrasco com ele.
Nessa hora ninguém riu!
De repente, o bebê soltou um pum sonoro, que inundou o ambiente com um cheiro muito forte. Aí, todo mundo caiu na gargalhada.

O farmacêutico, que era prefeito e dono do matadouro, falou:
-Amanhã, vou tomar providências para que o Adamastor fique sempre preso.  E que fiquem de olho nele, para que o danado não fuja mais.

O dia foi clareando e de repente amanheceu! Era hora de partir. Maria Bilia e Jão Grandão despediram-se do farmacêutico, que era prefeito e dono do matadouro... e foram embora.
Maria Bilia, com o bebê no colo, e João Grandão, com a sacola e os remédios do bebê.  Partiram para casa. No caminho eles iam conversando e davam muitas risadas ao lembrar os acontecimentos da noite passada.




lita duarte

domingo, 19 de maio de 2013

TALVEZ...

Não sei porque fiquei tanto tempo esperando as coisas acontecerem do meu jeito. Eu pensava que com o tempo, ficaria mais fácil contornar as dificuldades da vida. Fiquei iludido com minhas ilusões. Não ousei. O tempo passou, agora o que me resta é só esperar que os dias passem. Mas para quê?

Desisti de meus sonhos. Viajei pelo mundo afora, conheci muita gente, mas agora estou aqui. Exigi demais das pessoas. Talvez se eu tivesse sido mais maleável, não estaria aqui e tão só.

Onde estão os meus amigos... que amigos? Depois de uma idade os amigos somem ou morrem. Talvez se tivesse dado mais tempo para algumas pessoas... se eu fosse mais paciente.

Agora estou aqui. Viúvo, filhos distantes e a maioria dos amigos mortos. E o que me resta! Olhar os dias que passam, ter uma dor no peito pela infelicidade de não poder transformar nada.

Talvez alguma coisa aconteça e me faça vibrar de emoção... talvez.

lita duarte