ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

AS PRIMAS


Todos os domingos, a senhora Angelina se arrumava e ficava ansiosa esperando pelas visitas, que raramente apareciam ali naquela casa de repouso onde ela estava internada. O enfermeiro Luis sempre lhe dizia: Angelina, a senhora está muito linda, - hoje o dia promete.
E o dia passava. Muitas pessoas recebiam visitas e Angelina ficava só no desejo de ser lembrada. No final da tarde, ela se recolhia, chorava muito e depois dormia.

Certo dia, apareceu na clínica de repouso uma mulher que se dizia prima de Angelina. Ela chegou num domingo chuvoso e disse assim: Minha prima Angelina está aqui e eu quero  vê-la. Fizeram umas perguntas para a tal mulher, pediram seus documentos e depois uma pessoa a acompanhou até a presença de Angelina. Quando elas se encontraram, Angelina disse assim: Carmela, por onde você andou? Você sumiu! E as promessas que você me fez! Você disse que nunca me esqueceria! Por sua causa eu fiz coisas que jamais havia imaginado fazer. Você foi uma ingrata.

Carmela olhou para Angelina e disse: Minha prima, nós éramos muito novas e muito doidas. Viajamos para muitos lugares, conhecemos muitas pessoas, eu me casei e você também. Cada uma foi cuidar da sua vida, mas tenho uma surpresa para você, minha prima De livre e espontânea vontade resolvi agora, que vou ficar aqui com você. Eu não tenho mais nada para fazer e também estou velha, claro que ainda sou mais nova que você, mas quero ficar aqui. Assim faremos companhia uma para a outra. Que tal!

lita duarte

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

LIGADAS PELA PALAVRA


Chiquita e Alice são grandes amigas, apesar da diferença de idade entre elas. Chiquita tem sessenta e sete anos de idade e Alice tem vinte e oito. Elas conversam sobre tudo. Elas têm uma sintonia fina. Elas se conheceram há cinco anos atrás. De lá para cá é sempre assim. Conversam muito. Elas se conheceram na Internet. É, existem amizades que perduram através da internet. Elas sempre conversam na parte da tarde. Adoram falar em assuntos do tipo: ecologia e comportamento. Outro dia, Alice estava brava e disse assim para chiquita: Minha amiga, estou indignada, para mim, a pior espécie que Deus criou foi o ser humano, não tenho mais dúvidas. Estou cansada de ver e ouvir tantas barbaridades. Parece que está tudo fora do lugar!

 Chiquita respondeu: Alice, na minha idade já vi tanta barbaridade que pouca coisa me assusta, mas ainda fico indignada com certas atitudes. O mundo é um lugar bom para se viver, mas, nós seres humanos, somos bem complicados. Ando chateada em ver como a questão do lixo fica cada vez mais difícil de resolver. Hoje, passei por um lugar onde havia uma lanchonete - daquelas franquias que vendem lanches que engordam muito, sabe! Do lado da lanchonete havia um rio que também infelizmente está poluído. Na margem do rio havia um monte de lixo dessa lanchonete. Eu acho isso um absurdo. Porque jogar lixo ali. O caminhão que recolhe o lixo passa todos os dias naquele local. Sabe alice, penso que você tem razão, o ser humano é muito complexo e faz coisas que prejudica a própria espécie, além de destruir o planeta. É uma burrice sujar a própria casa, não é?

Alice responde: Se é! Claro, eu não entendo alguém agir assim. Você percebe, amiga. As pessoas não estão nem aí para o meio ambiente. Há pessoas que vivem de um jeito tão irresponsável que nem se tocam se  os seus atos vão prejudicar a si mesmas. Essa questão do lixo é um caso sério.  Amiga, depois a gente continua esse e outros assuntos. Até mais.




lita duarte

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PAISAGENS DOS MEUS DIAS

O deserto é cheio de vida.

lita duarte

domingo, 3 de fevereiro de 2013

ESTRANHAMENTO


Na casa velha ficavam muitas coisas que já não faziam parte do uso diário de Clementina.  Aquela casa em que ela passou sua infância, agora parecia um museu repleto de coisas antigas. Ali, com suas lembranças e na companhia de um gato, Clementina passava seus dias de velhice. Quando sua sobrinha ia lhe visitar, ela gostava de contar suas histórias. Na última visita de sua sobrinha, Clementina quis ver fotografias antigas. Cada fotografia tinha uma história e Clementina dizia: Essas fotografias parecem  de um tempo tão distante, algumas pessoas eu nem reconheço mais. Quem foram meus amigos, meus amores? Agora tudo se apagou. Eu só lembro das pessoas mais próximas. Talvez porque  elas realmente tenham sido  as mais importantes para mim. Eram elas: minha mãe, tio Joaquim, meu irmão Pedro e minha prima Joana. As outras pessoas eu mal consigo lembrar os nomes. Em pensar que eu amei tanto uma pessoa, mas não sei dizer quem é no meio de tantas fotografias velhas. A vida é mesmo estranha, vai apagando tudo, vai levando tudo embora. A vida é um campo de flores que vai murchando aos poucos.

lita duarte