ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

FRED






















Esse é o Fred.
Danadinho, bonitinho, temperamental, mas de uma atenção fora do comum! A presença dele é marcante. Ele está passando uns tempos lá em casa, mas acho que vou sentir muito, quando ele for embora... melhor nem pensar nisso. E viva o Fred, que traz alegria para todos nós que o conhecemos.


lita duarte

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

EFEITOS

Estranho, muito estranho...

Um dia desses, passei por uma rua e percebi que não havia árvores por lá. Achei muito estranho, porque em outras vezes em que eu havia passado por lá, notei a presença de muitas árvores. Pensei: Será que entrei na rua errada! O que aconteceu por aqui? Faz alguns anos que não venho para esse lugar, mas tenho certeza que essa  rua é a mesma de antigamente.

Continuei andando e acabei encontrando uma velha conhecida. Depois da alegria do encontro e de muita conversa, perguntei a ela porque não havia mais árvores ali na rua. Ela me respondeu assim: Aqui na rua passava uma linha de ônibus, mas resolveram tirar essa linha sem maiores explicações. Alguns moradores cansados de reclamar, decidiram protestar cortando as árvores da frente de suas casas. Mesmo quem não queria participar desse protesto teve que ceder por medo das represálias. Cortar as árvores não adiantou nada, pois a linha de ônibus não voltou para cá e ainda tivemos que pagar uma multa pelo corte das árvores. Depois disso ninguém se interessou em plantar árvores por aqui. A rua ficou assim... sem árvores.

Conclusão: Nem sempre a união produz bons efeitos, basta um ignorante sugerir um absurdo que logo encontra seguidores.

lita duarte

NATUREZA VIVA

terça-feira, 19 de novembro de 2013

DONA ONÇA

-Dona onça, como vai?
-Vou indo! Não tão bem como gostaria.
-O que acontece?
-Veja você que uma onça como eu precisa caçar para comer. E cada dia fica mais difícil essa tarefa. Ao contrário dos humanos que tem facilidades em ir a um supermercado e comprar de tudo! Nós que somos bichos silvestres, lutamos muito para sobreviver.
-É dona onça, eu posso imaginar o seu sofrimento, mas só quem sabe mesmo é você. Sua vida não deve ser fácil.
-Ando cansada de ver meus parentes sendo mortos! E com a derrubada das florestas ficamos perdidos! Os alimentos ficam cada dia mais escassos e volta e meia a gente tem que invadir uma fazenda na busca de comida, aí corremos o maior risco de sermos mortos na luta pela sobrevivência.
-Dona onça, se dependesse de mim, você e seus parentes seriam protegidos e bem cuidados, mas infelizmente eu não consigo fazer muita coisa.
-Eu sei que tem muita gente tentando nos preservar, mas o progresso com sua fome por dinheiro mata e destrói florestas e tudo o que encontra pela frente. Vamos ver onde é que tudo isso vai dar.
-Vai dar em muita tristeza, dona onça. Onde já se viu acabar com tudo por causa do poder do dinheiro. Mas eu e você sempre ficaremos juntas.

lita duarte


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

VALE A PENA LER BONS LIVROS

Gosto de ler, mas de preferência bons livros. Ler por ler não me atrai.
Já li esse livro, mas estou lendo de novo. É mesmo um bom livro.

lita duarte

terça-feira, 8 de outubro de 2013

INFÂNCIA

Tudo era puro encantamento e nada faltava. Naquela época em que o tempo não importava, porque tínhamos todo o tempo do mundo.
Éramos crianças e felizes.


lita duarte

segunda-feira, 29 de julho de 2013

PEQUENA AMOREIRA

Plantei uma árvore na beira do rio. Mais uma árvore para minha coleção. Essa é uma amoreira. Isso me faz lembrar da velha amoreira que tínhamos no quintal de casa. Aquela árvore era mágica. Eu e meus irmãos colhíamos amoras para fazer suco e sorvete. A velha amoreira não existe mais... mas não faz mal, porque ela está bem viva na minha memória. Ela e todas as outras árvores que plantei e com as quais convivi.

Minha pequena amoreira vai crescer e vai dar muitos frutos. Eu já posso vê-los nos meus pensamentos. Frutos suculentos, saborosos e naquela cor escura e forte que a gente chamava de cor de amora. A boca da gente ficava roxa de tanto comer os frutos, demorava um tempão para voltar à cor normal. No dia seguinte a mãe dizia: Nem pense em comer amoras! A teimosia era maior que o medo de levar broncas, e a gente repetia a dose. Não demorava para tomar uns cascudos. Mas tudo era tão bom... e ainda é. Ainda temos mudinhas de amoreira para plantar e replantar, dar e talvez vender.


lita duarte

quinta-feira, 18 de julho de 2013

FLORES

Hoje as flores estão bonitas e viçosas.
Amanhã estarão murchas, secas e mortas.
Assim também é a nossa vida, muito breve.

lita duarte

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CHIQUITA

Chiquita era uma mulher muito forte e determinada.
Eu gostava muito de ver o jeito dela. Ela tinha muito carinho e cuidado com seus sobrinhos.

Chiquita era viúva e morava coma a mãe e duas irmãs. Ela trabalhava fazendo bolos e salgados para festas.
Quando alguém de sua família fazia aniversário, ela costumava fazer uma festa em sua casa. Era uma tremenda alegria! Além dos bolos e doces deliciosos que ela e suas irmãs preparavam, havia música com violeiros e batuqueiros da região.

Além de festeira, Chiquita também era muito exigente com seus sobrinhos, ela fazia muito esforço para que eles estudassem.
Ela costumava dizer: Eu não quero saber de sobrinho meu, sendo explorado por ninguém. Todos terão que levar os estudos a sério.

E ela pegava mesmo no pé dos meninos, não dava moleza. Ela ia à escola saber como estava sendo o proceder de seus sobrinhos. Se eles estavam tendo dificuldades com alguma matéria e como era o relacionamento deles com os professores e colegas de classe, enfim tudo que envolvia a vida escolar dos meninos.

Algumas pessoas achavam que Chiquita exagerava com tanto zelo com os sobrinhos. Ela não estava nem aí, era bem exigente, e foi isso que fez toda diferença na vida dos sobrinhos de Chiquita.
Na época ela tinha sete sobrinhos, quatro meninas e três meninos.
Todos eles tiveram uma boa formação escolar, e por isso, tiveram oportunidade para se tornarem bons profissionais, cada um na área que escolheu. Hoje em dia, todos são muito agradecidos aquela mulher que era firme com eles, e lembram que ela sempre lhes dizia assim: Sem disciplina e esforço ninguém chega a lugar nenhum.

lita duarte

terça-feira, 2 de julho de 2013

A CASA

O som do silêncio à noite, invadia os cômodos da casa. Sentada na minha cama, rodeada de livros, comecei a  pensar que não faz muito tempo essa casa vivia cheia de gente. Hoje em dia, só os ruídos das madeiras que estão cheias de cupins, além do barulho dos passarinhos que fazem ninhos no teto. Ainda bem que os pequenos voadores habitam este lugar, já os cupins...  preciso tomar coragem para dar um fim neles. Talvez eu chame uma dessas firmas com seus exterminadores de insetos.  Mas tenho medo que ao ser aplicado um veneno para matar os cupins, também acabe por matar os passarinhos. Ah, eu não desejo que meus companheiros desapareçam, eles cantam para mim . Mas como eu ia dizendo, essa casa era cheia de gente. Crianças corriam por todos os lados. Eu posso ouvir aquelas vozes infantis ressoando na minha memória. Onde elas estão?  Seguiram o curso da vida. Foram seguir seus destinos. E o tempo voou, e eu me recuso a sair daqui. Também ela está cheia de sons do passado, que só eu posso ouvir. De vez em quando, aparece alguém me fazendo proposta para que eu venda  minha casa. Eu sei que ela vale uns bons trocados, claro, querem comprar essa casa para derrubá-la e  construir um prédio bem alto com vários apartamentos. Então eu digo um valor exorbitante e os interessados olham para mim e dizem: Dona, essa casa não vale tanto assim! Então eu digo: Não vale para vocês que não viveram aqui! E não sabem do valor que ela tem para mim! E tem mais: nunca vão conseguir derrubá-la. Ela será doada para uma pessoa que vai ter que conservá-la para sempre. Os compradores interessados respondem: A senhora está maluca, ninguém vai querer conservar este imóvel. Daqui a alguns anos, essa casa não existirá mais. Então fico muito brava e digo para essas pessoas irem embora. No fundo, acho que ninguém vai querer conservar coisa alguma. A não ser que este imóvel seja tombado, mas tem tantos imóveis tombados por aí, que estão caindo aos pedaços. Bem, enquanto eu viver, ninguém derruba minha casa. A não ser os cupins.

Dedicado à Dona Catarina

lita duarte


sexta-feira, 28 de junho de 2013

DIÁLOGO



-Não se transforme em um poço de amargura. Pelo amor de Deus! E nem pense em desistir da vida. Porque a gente passa pela vida apenas uma vez. Tá bom, – já sei que você acredita em retornos, tudo bem. Eu não vejo problema na crença de ninguém; desde que essa crença não cause danos aos outros. Porque infelizmente, hoje em dia, está ficando estranho demais. - É tanta imposição, e essa coisa de religião misturada com política, definitivamente não é um bom caminho – na verdade nunca foi.

-Você tem razão, mas em muitas ocasiões eu fico um pouco abalado. Eu acho que fazem muita confusão e misturam os assuntos – além da falta de esclarecimentos. - Como diria minha avózinha: - Está tudo errado! Por outro lado, tenho que me apegar em algo que me dê um pouco de ânimo. Eu creio que a morte não é o fim, mas também não fico pensando muito, porque preciso ter os pés no chão. Concordo com você quando diz que política e religião não é um bom caminho. Acho até que estamos em uma encruzilhada. Infelizmente alguns grupos estão com muito poder e o povo corre perigo de cair em um precipício  e com risco de perder muito mais do que imagina.

-Esclarecimentos – isso é de máxima urgência. Quem está no poder, quem já chegou lá, não vai querer perder essa posição – digo, poder em sentido amplo. Bastaria uma propaganda bem forte, mas sem pisar em ninguém e esclarecedora dizendo o propósito de quem já está no poder ou poderes.

-Isso seria muito bom, - seria! Porque não é simples assim. Existem barreiras; e as piores são aquelas que já criaram raízes dentro da mente e se espalham como se fossem o melhor para todos. Enfim, “A LIBERDADE TIRÂNICA NÃO TE DEIXA NENHUMA OPÇÃO DE ESCOLHA.” É só olhar para a história geral.

-Mas eu ainda tenho esperança de que o povo vai saber fazer melhores escolhas.


lita duarte


segunda-feira, 17 de junho de 2013

LEMBRANÇAS

A velha casa, as árvores, o mar ali em frente.
A velha mangueira está novamente em flor.
Onde estão dona Clara e as crianças?
Nas lembranças.


lita duarte

terça-feira, 11 de junho de 2013

TIA RUTINHA

Tia  Rutinha já viveu muitos anos. Ela mora sozinha e na companhia de dois gatos. Toda semana eu a visito, então conversamos muito. Ela me conta coisas interessantes. Um dia desses, ela estava indignada com os rumos da humanidade e dizia assim: Filha, eu já vi tantas coisas neste mundão, mas ainda fico espantada com algumas. Vê se pode tanta ignorância a essa altura do século. Tem coisa que em vez de melhorar, só faz piorar! Se eu fosse boa de comércio, me arriscaria a vender meus conselhos. Veja você. Hoje em dia, eu não acredito mais na boa intenção das religiões. Tudo é comércio. O ser humano tem uma necessidade básica de ser enganado. Adora viver de ilusões. Eu passei anos de minha vida dentro de uma igreja, infelizmente as piores pessoas que eu conheci estavam ali. Sabe Lucinda, eu desacredito em quase tudo que aprendi sobre religiões. Creio em Deus. E para mim, o céu e o inferno acontecem aqui no nosso tempo na Terra. Fico besta de ver tanta exploração e enganação pra cima dos outros. Eu sei que a maioria das pessoas são carentes emocionalmente, por isso caem em qualquer conversa que faça com que elas se distraiam com as agruras deste mundo. É aí que os oportunistas fazem suas vítimas.

-Tia Rutinha, a senhora não acha que existam pessoas que buscam Deus de verdade? E que mesmo dentro de algumas religiões existam pessoas que só querem ter uma vida espiritual melhor, porque isso as tornam mais tranquilas.

-Lucinda acho que existem pessoas com muita fé. Essas conseguem se aproximar de Deus, porque creem de verdade e porque realmente buscam isso. Mas também acho que são raras essas pessoas. Ninguém precisa de intercessores. O que as pessoas precisam é de boa informação e instrução sobre tudo! Se as religiões ensinassem as pessoas de como elas são capazes de buscar uma vida melhor através do controle de suas emoções, aí sim, tudo seria diferente. Mas é claro que jamais elas farão isso, pois o controle das pessoas por parte dos mais diversos líderes religiosos está justamente aí. As religiões escravizam as pessoas. Quase tudo que os grandes homens tocados por Deus disseram e fizeram, foi distorcido para dar lugar a mentiras. Veja você o caso de Jesus Cristo. Ele era uma pessoa que realmente queria mudanças para o povo. Ele era totalmente contra o poder estabelecido em sua época. O que aconteceu com ele você já sabe. O terrível é que depois de anos aquele cristianismo que surgiu com o próprio Cristo foi institucionalizado, mas com outro propósito. O propósito de oprimir.

-Tia Rutinha, eu penso que as religiões tem ajudado muita gente. Eu penso que, cada pessoa deve seguir aquilo em que acredita e não importa qual seja essa religião, desde que lhe faça bem. Também acredito que Buda, Maomé e Jesus Cristo foram pessoas extremamente especiais e que tinham um preparo fora do comum. E que infelizmente ao longo dos anos os ensinos deles foram alterados ao proveito de cada época. Também não concordo com excessos cometidos por nenhuma religião. E penso que elas deveriam ajudar as pessoas numa melhoria geral, para viver o aqui e o agora. Porque se existe outra vida em outro lugar, tudo bem, mas o ensino tem que ser para que cada um viva bem aqui e agora, porque o depois só a Deus pertence. Não é?

-Lucinda, eu respeito o que você diz e até concordo em parte. Mas para mim, religião boa é religião que liberta as pessoas e não o contrário. Eu entendo que existe sim uma necessidade de uma busca pelo espiritual, isso é totalmente aceitável, mas não pode haver opressão por causa de interesses econômicos. Enfim, tudo o que falamos aqui não vai mudar nada, o bom mesmo foi ter conversado com você.  Isso é que conta.

-Tia Rutinha, semana que vem nós vamos conversar sobre um assunto quentíssimo, fique me aguardando. Até lá!

lita duarte




segunda-feira, 20 de maio de 2013

LÁ EM MONTE SIÃO



Maria Bilia e João Grandão


 Maria Bilia e João Grandão têm tantas estórias juntos, que se eu contar, não paro mais!
E é isso mesmo que eu vou fazer!  Então, lá vai! Preciso dizer que essa estória aconteceu lá nos idos de 1939. É, faz um tempão!

E foi na cidade de Monte Sião, lá em Minas Gerais.

Maria Bilia, uma mulher muito bonitinha e João Grandão, seu marido muito fortão, tiveram um bebezinho muito bonito.
Certa noite, o bebezinho começou a chorar muito, pois  estava com febre. A Maria Bilia muito preocupada acordou o João Grandão e disse:

- João Grandão, o bebê está com febre e não para de chorar. Vamos até o farmacêutico para ver se ele pode nos ajudar.
Naquela época só havia um farmacêutico que tratava dos doentes da cidade. Ele tinha formação acadêmica, então podia receitar remédios para a população, e ele também era o prefeito da pequena e bonita Monte Sião.
 João Grandão, mais que depressa pulou da cama e disse:
-Sim minha querida Bilia, vamos levar o bebê para o farmacêutico ver.

Eles  se arrumaram e partiram para o centro da cidade, pois o casal  morava um pouco longe do centro da cidade de Monte Sião, onde o farmacêutico, que também era prefeito, tinha sua residência e farmácia.

Pelo caminho afora, eles iam andando, mas estava tudo muito escuro. Dona Lua nem queria saber de dar as caras.

No caminho eles tinham que passar perto de um matadouro - aquele lugar onde matavam, e ainda matam os bois.
Mas estava muito escuro e só dava para ouvir as corujas e os outros bichos noturnos. De repente, eles ouviram um barulho muito forte, mas muito forte, e assustador.
Sabem de uma coisa? Eles ficaram com muito medo. Parecia um trovão! Uma coisa louca!
Eles começaram a correr. Correram tanto que finalmente chegaram ao centro da cidade, e foram direto para a casa do farmacêutico, que também era o prefeito.

Chegando lá, bateram na porta.
Passou um tempinho e uma senhorinha atendeu. Eles disseram que o bebê estava doente e precisavam ver o farmacêutico.
A senhorinha olhou para eles e disse:
-Só o bebê está doente? Porque vocês estão com umas caras!
Então eles disseram o que havia acontecido no caminho.
Nisso, o farmacêutico acordou e foi ver o que estava acontecendo.
Eles disseram que o bebê precisava de cuidados. - O farmacêutico examinou o bebê, e receitou para o pequeno, remédios à base de óleos.
Ele disse que o bebê estava com muitos gases.
 João Grandão falou para o farmacêutico:
-Senhor, será que podemos ficar aqui, até o dia amanhecer?
Ele respondeu que sim, mas quis saber o motivo. João Grandão explicou o que havia acontecido no caminho, antes de chegarem ali.
O farmacêutico, que também era o prefeito, disse dando muitas risadas:
-Ah! Isso só pode ser coisa  daquele touro enfezado, o Adamastor!
Ele deve ter escapado do lugar onde fica preso, e foi bater nas portas de aço com aquelas patas potentes, que só ele tem.
Todos deram muitas risadas.
Maria Bilia disse:
-Ufa! Ainda bem que ele não conseguiu sair de lá. Fico imaginando o que ele poderia fazer!
Nesse momento o farmacêutico que era prefeito - Ah! Lembrei agora que ele também era o dono do matadouro... Bem, ele ficou pensativo e coçou a cabeça.
Então João Grandão falou:
-É preciso tomar conta daquele touro, senão alguém vai fazer churrasco com ele.
Nessa hora ninguém riu!
De repente, o bebê soltou um pum sonoro, que inundou o ambiente com um cheiro muito forte. Aí, todo mundo caiu na gargalhada.

O farmacêutico, que era prefeito e dono do matadouro, falou:
-Amanhã, vou tomar providências para que o Adamastor fique sempre preso.  E que fiquem de olho nele, para que o danado não fuja mais.

O dia foi clareando e de repente amanheceu! Era hora de partir. Maria Bilia e Jão Grandão despediram-se do farmacêutico, que era prefeito e dono do matadouro... e foram embora.
Maria Bilia, com o bebê no colo, e João Grandão, com a sacola e os remédios do bebê.  Partiram para casa. No caminho eles iam conversando e davam muitas risadas ao lembrar os acontecimentos da noite passada.




lita duarte

domingo, 19 de maio de 2013

TALVEZ...

Não sei porque fiquei tanto tempo esperando as coisas acontecerem do meu jeito. Eu pensava que com o tempo, ficaria mais fácil contornar as dificuldades da vida. Fiquei iludido com minhas ilusões. Não ousei. O tempo passou, agora o que me resta é só esperar que os dias passem. Mas para quê?

Desisti de meus sonhos. Viajei pelo mundo afora, conheci muita gente, mas agora estou aqui. Exigi demais das pessoas. Talvez se eu tivesse sido mais maleável, não estaria aqui e tão só.

Onde estão os meus amigos... que amigos? Depois de uma idade os amigos somem ou morrem. Talvez se tivesse dado mais tempo para algumas pessoas... se eu fosse mais paciente.

Agora estou aqui. Viúvo, filhos distantes e a maioria dos amigos mortos. E o que me resta! Olhar os dias que passam, ter uma dor no peito pela infelicidade de não poder transformar nada.

Talvez alguma coisa aconteça e me faça vibrar de emoção... talvez.

lita duarte


segunda-feira, 29 de abril de 2013

A MENINA E O SAPO


Todos os dias, ele ficava sentado embaixo do pé de laranja e parecia pensar na vida. Certo dia, eu  decidi falar com ele. Cheguei bem pertinho dele e perguntei: Senhor sapo, o que acontece com o senhor? Por que fica aí parado e triste? Cadê os seus amigos? 

O sapo respondeu: Menina, eu te vejo todos os dias. Você está sempre brincando entre as árvores e cuidando dos bichos aqui do sítio. Você parece muito feliz. Eu já não posso dizer o mesmo, você adivinhou, pois estou muito triste. Sabia que meus amigos morreram!  É, e eu nem sei porque. Também desde que começaram a cortar as árvores, e a água do rio ficou com uma cor estranha, muitos bichos sumiram daqui, e alguns de meus amigos morreram. Você sabia que eu não entro mais naquele rio. É, eu fico por aqui onde tem bastante umidade. Todos os dias eu recebo água fresquinha na minha pele, quando regam as plantas. Eu aproveito e fico bem quietinho, aqui eu tenho tudo o que preciso. Só fico triste, porque não tenho mais os meus amigos.

Eu disse para o sapo: Mas que coisa terrível! Então é isso que está acontecendo. Que pena! Eu sei que o dono de uma fazenda pertinho daqui, andou derrubando muitas árvores. Ele quer fazer um pasto para bois. E o rio está contaminado por causa do veneno que jogam nas plantas para matar os insetos. O meu pai já brigou muito com essa gente, mas não tem jeito, porque continuam fazendo a mesma coisa. Se eu tivesse superpoderes, eu não deixaria ninguém poluir os rios e nem derrubar as árvores. Ah, eu sei que um dia tudo isso vai mudar. Muitas pessoas não gostam do que está acontecendo. Eu prometo que vou falar com todos meus amigos, para que eles nunca deixem ninguém destruir a natureza. Senhor sapo, nós vamos plantar muitas árvores e não vamos deixar ninguém poluir os rios. 

O sapo respondeu: Então você é minha amiga. Vamos ficar unidos. Você cuida de mim e eu cuido de você. Fala para todo mundo que derrubar árvores prejudica a vida dos sapos e de todos os outros bichos. Poluir os rios acaba com a vida que existe dentro deles. Vamos fazer muito barulho, amiguinha.
Eu respondi: Combinado, senhor sapo, nós vamos cuidar das plantas e das águas. De hoje em diante, seremos parceiros.

E daquele dia em diante o sapo e a menina se tornaram grandes amigos e defensores da natureza.

lita duarte

terça-feira, 9 de abril de 2013

INFÂNCIA


Havia outras alegrias naquele tempo que não corria. A gente só se preocupava em acordar e dormir. Tudo seguia um ritmo harmonioso. Parecia que a vida era um imenso balão colorido. Problemas! O que era isso?  Os adultos pareciam ser tão bons e tão sábios. Eles pareciam saber de tudo e jamais sentiam medo. Tudo tinha um colorido perfeito. Até a escola que para alguns era um momento de chateação, tinha sua graça e beleza.

Infância é um tempo bom... ou era. A gente não tinha pressa de crescer. A gente se contentava com tão pouco. Não havia tanto desespero em ter, em possuir coisas desnecessárias. A gente era criança e era feliz.

lita duarte

quarta-feira, 6 de março de 2013

COMO ERA LIMPO AQUELE RIO

O rio que passava pela minha cidade era limpo, cheio de peixes, cheio de vida. Os pescadores estavam sempre na sua margem, havia peixe para dar e vender. Nadar naquele rio era uma tremenda alegria, mas um dia tudo mudou. O tal progresso com sua fúria tratou de poluir o rio. Aquele rio bonito, agora é um rio feio e podre. Aquelas águas que serviam para beber, regar plantas e muito mais; agora não servem para nada. O belo rio virou depósito de esgoto e lixo de todo tipo.

Devia ser proibido poluir um rio. Matar um rio é um pecado muito grande. Um rio é um mundo repleto de vida. Não entendo: se água é vida, porque há tantos rios mortos pelo mundo afora.

lita duarte

sexta-feira, 1 de março de 2013

A MULHER QUE LIA


A mulher queria ler. Ela se alimentava de livros. Lia tudo o que lhe caía nas mãos, mas nunca deixava de cumprir com suas obrigações. O homem com quem ela vivia não entendia isso muito bem. Ele reclamava, não podia ver sua mulher sentada lendo um livro que logo inventava algo para ela fazer. E era sempre motivo de brigas entre aquele casal os livros que insistiam em se meter entre os dois.

O homem sempre dizia: Mulher, você já está com isso nas mãos? Então para evitar brigas e confusão a mulher guardava o livro. Com o tempo ela foi aprendendo a ler em horários que não incomodava o seu marido, mas aquele homem era estranho, ele não entendia a necessidade daquela mulher. No fundo o que ele sentia era ciúmes. A mulher fazia de tudo para agradar aquele homem, mas não adiantava.

Um dia, o homem chegou em casa mais cedo. A mulher estava sentada em uma poltrona rodeada de livros, e lendo um conto que lhe fazia dar boas risadas. O homem ficou observando de longe e pensou: Essa mulher é doida, ela está na maior alegria e na  companhia dos livros. Eu não entendo isso! Com tanta coisa para fazer dentro de casa... Essa mulher vai ver, ela precisa de uma lição. Sem que ela percebesse o seu marido chegou bem perto dela e disse: O que você está lendo? Você está tão alegre, eu também quero ficar assim.

 Depois do susto que levou com a chegada de seu marido, ela falou: Então senta aqui do meu lado, que eu vou ler para você. Ele sentou, escutou tudo em silêncio, depois falou: Onde está a graça! Não achei nada de mais no que você leu. Então ela perguntou: Mas você entendeu? Assim que ela terminou de perguntar, o homem na maior ignorância disse assim: Você acha que eu sou ignorante? Você pensa que é melhor do que eu? Olha só o que eu faço com seus livros.  Naquele momento o homem cheio de raiva pegou os livros de sua mulher e rasgou quase todos. A pobre mulher chorava e dizia: Mas por que você fez uma coisa dessas! Não precisava fazer nada disso. Eu gosto de você. Os livros são companhias para mim. Fico tão sozinha neste fim de mundo em que você me trouxe para viver. Você tem suas atividades, sai para ir trabalhar, mas eu tenho que ficar aqui cuidando da casa. Eu não pensava que você fosse assim. Onde está aquele moço educado e bondoso que me conquistou? Eu não quero viver de maneira infeliz ao teu lado. Será que é pedir muito para você que me deixe ler.  O homem virou para a mulher e disse: Agora eu vou sair, depois nós conversamos. Ah, prepare o meu jantar.

lita duarte

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

AS PRIMAS


Todos os domingos, a senhora Angelina se arrumava e ficava ansiosa esperando pelas visitas, que raramente apareciam ali naquela casa de repouso onde ela estava internada. O enfermeiro Luis sempre lhe dizia: Angelina, a senhora está muito linda, - hoje o dia promete.
E o dia passava. Muitas pessoas recebiam visitas e Angelina ficava só no desejo de ser lembrada. No final da tarde, ela se recolhia, chorava muito e depois dormia.

Certo dia, apareceu na clínica de repouso uma mulher que se dizia prima de Angelina. Ela chegou num domingo chuvoso e disse assim: Minha prima Angelina está aqui e eu quero  vê-la. Fizeram umas perguntas para a tal mulher, pediram seus documentos e depois uma pessoa a acompanhou até a presença de Angelina. Quando elas se encontraram, Angelina disse assim: Carmela, por onde você andou? Você sumiu! E as promessas que você me fez! Você disse que nunca me esqueceria! Por sua causa eu fiz coisas que jamais havia imaginado fazer. Você foi uma ingrata.

Carmela olhou para Angelina e disse: Minha prima, nós éramos muito novas e muito doidas. Viajamos para muitos lugares, conhecemos muitas pessoas, eu me casei e você também. Cada uma foi cuidar da sua vida, mas tenho uma surpresa para você, minha prima De livre e espontânea vontade resolvi agora, que vou ficar aqui com você. Eu não tenho mais nada para fazer e também estou velha, claro que ainda sou mais nova que você, mas quero ficar aqui. Assim faremos companhia uma para a outra. Que tal!

lita duarte

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

LIGADAS PELA PALAVRA


Chiquita e Alice são grandes amigas, apesar da diferença de idade entre elas. Chiquita tem sessenta e sete anos de idade e Alice tem vinte e oito. Elas conversam sobre tudo. Elas têm uma sintonia fina. Elas se conheceram há cinco anos atrás. De lá para cá é sempre assim. Conversam muito. Elas se conheceram na Internet. É, existem amizades que perduram através da internet. Elas sempre conversam na parte da tarde. Adoram falar em assuntos do tipo: ecologia e comportamento. Outro dia, Alice estava brava e disse assim para chiquita: Minha amiga, estou indignada, para mim, a pior espécie que Deus criou foi o ser humano, não tenho mais dúvidas. Estou cansada de ver e ouvir tantas barbaridades. Parece que está tudo fora do lugar!

 Chiquita respondeu: Alice, na minha idade já vi tanta barbaridade que pouca coisa me assusta, mas ainda fico indignada com certas atitudes. O mundo é um lugar bom para se viver, mas, nós seres humanos, somos bem complicados. Ando chateada em ver como a questão do lixo fica cada vez mais difícil de resolver. Hoje, passei por um lugar onde havia uma lanchonete - daquelas franquias que vendem lanches que engordam muito, sabe! Do lado da lanchonete havia um rio que também infelizmente está poluído. Na margem do rio havia um monte de lixo dessa lanchonete. Eu acho isso um absurdo. Porque jogar lixo ali. O caminhão que recolhe o lixo passa todos os dias naquele local. Sabe alice, penso que você tem razão, o ser humano é muito complexo e faz coisas que prejudica a própria espécie, além de destruir o planeta. É uma burrice sujar a própria casa, não é?

Alice responde: Se é! Claro, eu não entendo alguém agir assim. Você percebe, amiga. As pessoas não estão nem aí para o meio ambiente. Há pessoas que vivem de um jeito tão irresponsável que nem se tocam se  os seus atos vão prejudicar a si mesmas. Essa questão do lixo é um caso sério.  Amiga, depois a gente continua esse e outros assuntos. Até mais.




lita duarte

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PAISAGENS DOS MEUS DIAS

O deserto é cheio de vida.

lita duarte

domingo, 3 de fevereiro de 2013

ESTRANHAMENTO


Na casa velha ficavam muitas coisas que já não faziam parte do uso diário de Clementina.  Aquela casa em que ela passou sua infância, agora parecia um museu repleto de coisas antigas. Ali, com suas lembranças e na companhia de um gato, Clementina passava seus dias de velhice. Quando sua sobrinha ia lhe visitar, ela gostava de contar suas histórias. Na última visita de sua sobrinha, Clementina quis ver fotografias antigas. Cada fotografia tinha uma história e Clementina dizia: Essas fotografias parecem  de um tempo tão distante, algumas pessoas eu nem reconheço mais. Quem foram meus amigos, meus amores? Agora tudo se apagou. Eu só lembro das pessoas mais próximas. Talvez porque  elas realmente tenham sido  as mais importantes para mim. Eram elas: minha mãe, tio Joaquim, meu irmão Pedro e minha prima Joana. As outras pessoas eu mal consigo lembrar os nomes. Em pensar que eu amei tanto uma pessoa, mas não sei dizer quem é no meio de tantas fotografias velhas. A vida é mesmo estranha, vai apagando tudo, vai levando tudo embora. A vida é um campo de flores que vai murchando aos poucos.

lita duarte

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O ETERNO ENCANTO DO MAR

O mar de muitos lugares... Cada paisagem é nova. Cada momento é um presente único.

lita duarte

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

NATURAL...


Quando ela nasceu o dia entristeceu. O sol era intenso, mas a dor de sua mãe era muito grande. A pobre senhora não se sentia capaz de ter uma criança para cuidar. Ela se achava muito velha, muito pobre e muito doente. Ela já tinha muitos filhos, não precisava de mais uma boca pra comer.

A criança nasceu e deu um pouco de trabalho para sua mãe, pois, era uma criança diferente, embora fosse bonita e inteligente, carregava consigo uma estranheza e um dom. Era uma criança que vivia sempre sozinha, não gostava de fazer muitos amigos. Era uma criança que pressentia coisas, era muito sensível. Por ser assim, era tida como esquisita.

A criança cresceu, frequentou escolas, trabalhou, mas esteve sempre distante das pessoas. Quem convivia com ela, sabia que ela era uma pessoa normal, mas quando ela dizia que havia sonhado com alguém e esse alguém tinha morrido, infelizmente isso se confirmava. Muitas vezes ela previa acontecimentos que eram bons ou ruins. Quando lhe perguntavam  como ela fazia aquilo, ela simplesmente dizia: Não sei! Tudo se passa com muita naturalidade para mim, apenas penso, apenas sinto. Não há nada de estranho. O que acho estranho é a confirmação dos fatos, gostaria muito que não fossem verdade, gostaria de errar algumas vezes, mas isso nunca acontece. Por isso, vivo afastada dos outros, basta olhar para alguém  e já "leio" a pessoa. Se isso é um dom... eu preferia não tê-lo.

Vou contar o que aconteceu a pouco tempo. - Eu estava pensando em uma pessoa muito querida e que não via há muitos anos. De repente o telefone tocou e era essa pessoa. Ela disse assim: Quanta saudade de você! Eu havia perdido o número do seu telefone, mas esteve aqui em minha casa na semana passada o seu primo. Ele me passou o seu número, então pensei em te ligar e acabei ligando.
São coisas assim. Fatos simples ou complicados como em certa vez em que eu estava passando por uma avenida movimentada e de repente senti que algo me dizia para eu pegar um outro caminho. Fiz isso. Minutos depois houve um tiroteio bem no local em que eu iria passar... fui livrada de um grande mal.

Não existe nada de místico ou mágico nisso tudo. É apenas algo natural que faz parte da vida.

lita duarte

domingo, 13 de janeiro de 2013

O VIAJANTE


Ao partir pela vigésima vez em busca de aventuras, Artur arrumou as malas e não esqueceu o pedaço de cobertor que ele usava quando era criança. Todas às vezes que viajava, levava consigo aquele pedaço de pano velho. Ele dizia que aquele troço velho era uma relíquia. Dessa vez ele iria para o Chile e suas malas estavam repletas de roupas de inverno. Foi nesse momento da arrumação das malas em que ele lembrou o seu passado e o que o levou a gostar tanto de viajar. Ele pensou: Ah, meu avó Joaquim, o Jota como era chamado pelos amigos e familiares, foi meu grande amigo e inspirador. Lembro de nossas conversas quando eu o ajudava na horta de sua casa. Meu avô era um cara incrível que adorava cultivar hortaliças, aquele era um de seus grandes prazeres. Parece que foi ontem... Quando eu era criança e ficava na casa dele, ele me levava para o quintal e dizia: Vamos plantar para colher!  Ali no quintal enorme, preparávamos os canteiros para semear todo tipo de verduras. Era muito bom ouvir meu avô contar suas histórias enquanto cuidávamos da horta. Ele me dizia que viajou muito, antes de se casar com minha avó. Ele conheceu lugares incríveis. Ele me passou esse gosto por viajar e conhecer lugares.

Dessa vez estou indo para um lugar que há muito tempo queria conhecer. O Chile com sua paisagem fora do comum. O deserto mais seco do mundo fica lá, o Atacama. Mal posso esperar para ver aquele espetáculo da natureza. Sei que vai ser uma das viagens mais incríveis da minha vida. Já me preparei e vou ficar por lá pelo menos uns vinte dias. Quando eu voltar eu conto como foi a viagem.

lita duarte

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O RETORNO


O dia foi intenso, divertido e alegre. A reunião com os amigos na casa da praia foi um momento marcante. Não esperava encontrar tanta gente por lá, pensei que fosse ser um almoço mais familiar. O almoço foi delicioso e regado com muito vinho e música ao vivo. Uma banda tocava blues, bem ao gosto do anfitrião. Foi um dia divertido, pude rever Melissa, conversei com ela por um tempo longo, pude desfazer algum mal-entendido que havia conosco. Foi bom aquele encontro depois de muitos anos. Tive vontade de reatar nosso romance, mas achei melhor ir com calma, afinal de contas fui eu quem deu várias mancadas com ela, fui um tremendo tolo, mas já passou, hoje foi um dia de restauração. Engraçado, eu nem bebi demais, quis curtir muito aqueles momentos com os amigos e alguns familiares. Triste foi voltar para casa sozinho novamente,- aliás ando assim faz um tempão. Na hora  de ir embora, me despedi de todos e parti rumo ao meu abrigo.

Chegando em minha casa, estacionei o carro na garagem do meu prédio, entrei no elevador e desci no meu andar, abri a porta e entrei no meu apartamento. Dentro do apartamento um silêncio absoluto, liguei a TV, ela não funcionou, abri a janela da sala estava escuro lá fora, mas ainda era cedo, não era para estar tão escuro. Abri a porta do meu apartamento, sai no corredor e chamei o elevador, mas ele não chegava nunca. Nesse momento alguém passou por mim no corredor, eu disse boa noite, a pessoa não respondeu, me senti estranho e entrei no meu apartamento, olhei para fora da janela e não vi ninguém e nem ouvi aquele barulho de crianças brincando,- parecia que todo mundo havia sumido. Não havia barulho algum, peguei meu celular e liguei para várias pessoas, mas ninguém atendia, dei vários gritos e bati na parede para ver se havia alguma manifestação de algum vizinho bravo comigo, mas não houve resposta. De repente, tudo ficou escuro, as luzes se apagaram, procurei uma vela, achei, e quando tentei acendê-la ela simplesmente caiu da minha mão. Nesse momento senti um frio, parecia que tudo havia congelado, então abri a porta e sai correndo no escuro para fora do meu apartamento. Por mais que eu corresse, eu não conseguia chegar a nenhum lugar, de repente senti um baque muito forte no peito, então caí no chão.

Acordei em um hospital em uma quarta-feira de maio de 2006, havia uma enfermeira do lado de minha cama  e me olhando. Olhei para ela e perguntei: Moça, o que eu estou fazendo aqui? Ela respondeu: Como o senhor está se sentindo? Eu disse que estava um pouco tonto, então ela disse: Fique calmo, eu vou chamar um médico. Eu insisti e disse: Moça, o que eu estou fazendo aqui? Ela respondeu: Faz dois anos que o senhor está aqui... o senhor estava em coma: Hoje, o senhor retornou.

lita duarte

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

JARDINEIRAS


-Tia Drica, como a senhora consegue manter um jardim tão lindo assim?
-Carol, eu faço aqui no jardim uma extensão da minha vida. O jardim para ficar bonito e harmonioso tem que ser bem cuidado. Mas não foi sempre assim. Eu só comecei a cuidar do meu jardim depois que tive um problema muito sério de saúde.
-Tia Drica, para mim a senhora sempre foi tão saudável. Quando eu era criança, eu sempre via a senhora tão bonita e bem arrumada, tão falante e bem disposta. Parecia que a senhora não tinha problemas.
-É minha querida sobrinha, a boa aparência nem sempre significa ausência de problemas.
-Então me conta como a senhora chegou a esse ponto de ter um envolvimento tão bom com as plantas e ainda ajudar outras pessoas através desse trabalho tão especial.
-Carol, quando eu era bem jovem eu tive envolvimento com drogas, isso consumiu muitos anos de minha vida. Por causa disso, não pude cuidar bem dos meus dois filhos e o meu primeiro casamento acabou. Minha mãe cuidava de meus filhos com a ajuda do meu ex-marido. Eu vivia na casa de meus pais e trabalhava como modelo. Com o tempo passando o meu vício também foi crescendo e eu fui piorando. Ninguém sabia que eu era viciada em drogas a não ser uma amiga, às vezes eu sumia, ia para a casa dessa amiga me drogar e ficava por lá, por uns dias. Foi nessa época que eu tive uma overdose e fui parar no hospital, então minha amiga teve que falar com meus pais. A partir desse episódio o meu tormento começou. Fui internada numa clínica para tratamento, mas o local era horrível parecia um manicômio, quase fiquei louca. Daí por diante foram várias internações e nada de acabar com o vício, até o dia em que conheci uma senhora que fazia visitas na clínica para drogados. Essa senhora era muito calma e firme em suas palavras, ela me perguntou se eu queria ficar bem, respondi que sim. Ela respondeu que o caminho para a cura estava dentro de mim, e só eu poderia encontrá-lo. Fiquei muito contente com aquelas palavras e quis saber se ela fazia algum trabalho no sentido de ajudar as pessoas, ela respondeu que ela era jardineira e que a vida dela era cuidar de plantas, porque sem plantas não há vida. A partir desse dia eu comecei a mudar. Quando sai da clínica fui pra casa, conversei com meus familiares e me propus a tomar um novo rumo na vida. Procurei aquela senhora e fiquei encantada com o local em que ela mantinha um imenso jardim. Ali havia algumas pessoas cuidando do jardim. Fiquei tão entusiasmada que quis começar a trabalhar com ela ali naquele local. A partir desse momento minha vida mudou completamente. O envolvimento que eu tinha com o jardim me ocupava e me fazia ficar melhor, o meu vício desapareceu, o meu prazer estava em cuidar do jardim e de mim. Com o tempo fomos ampliando o jardim e começamos a cultivar uma horta. Depois de um bom tempo de convívio com aquela senhora aprendi que não podemos forçar ninguém a aceitar ajuda, pois cada pessoa tem o seu tempo para despertar. Um dia aquela senhora foi morar no jardim eterno e eu me vi com a responsabilidade de continuar o trabalho que ela havia iniciado.
-Tia Drica, que história fascinante! Gostei muito! E o mais importante de tudo isso, é que a senhora além de cuidar do jardim, também cuida das pessoas. E elas aprendem e passam adiante o teu ensinamento.
-Carol, um dia a gente aprende que sem conexão não há transformação.


Essa história é uma ficção baseada em fatos reais. Para a minha amiga Bete.

lita duarte