ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

quinta-feira, 15 de março de 2012

O ENCONTRO

Ela estava sentada em uma cadeira de balanço, assim que me viu começou a cantar aquela música antiga e chorosa. Imediatamente fui ao passado em meu pensamento.

Ela era Mariana, mulher que trabalhou na casa de minha avó quando eu era criança.

Lembro de muitas vezes ouvir de seus lábios palavras doces e reconfortantes.

Agora ela estava muito velha, mas mantinha um olhar sereno, apesar da doença a lhe deixar entrevada e com uma fragilidade comovente.

Aproximei de Mariana e lhe disse de minha alegria em revê-la, então ela abriu um sorriso largo e estendeu os seus braços para que eu a abraçasse. Ficamos conversando por um longo tempo, ela disse que gostaria de encontrar o seu filho que havia desaparecido há muitos anos. Perguntou se eu saberia como fazer isso, eu disse que tentaria ajudar, mas não prometi nada. A única coisa que ela sabia é que ele havia partido para Mato Grosso, isso há mais de vinte anos.

Ela começou a me contar sobre a vida de seu filho, talvez na tentativa de que eu me interessasse pela história.

Ela disse: Celina, você era muito pequena e não deve se lembrar do meu filho. Ele foi criado por minha irmã, algumas vezes ele me visitou na casa de sua avó, chegava a ficar uns quinze dias, mas nunca pôde morar comigo, eu achava melhor ele ficar com minha irmã, porque ela tinha uma família, um marido, eu queria que ele fosse criado com uma família. Infelizmente, penso que errei, porque ele se afastou de mim. Eu podia ter ficado com ele, sua avó me dizia que não havia problema, mas eu só queria cuidar de mim, trabalhar ganhar o meu dinheiro e enviar parte para que ele fosse bem cuidado. Depois quando fui trabalhar em outro lugar, logo me envolvi com uma pessoa, então achei que não era hora de meu filho ficar comigo. Na verdade eu sempre pensei muito nele, mas por ter sido mãe solteira, acho que de alguma maneira eu o rejeitava. Agora estou velha e sem ninguém, tenho um filho, mas onde ele estará? Aqui onde estou é muito bom, sou bem tratada, mas sem família é tão ruim, me sinto só, penso demais em meu filho.

Ouvi o relato de Mariana, confesso que fiquei triste, não imaginava que ela fosse tão infeliz. Antes de ir embora prometi que faria o possível e o impossível para encontrar seu filho, mas nem sabia por onde começar.

Chegando em casa comecei uma investigação com os dados que Mariana havia me passado a respeito de seu filho. Durante dois meses fiz de tudo para encontrá-lo. Comecei a procurar pessoas que pudessem me informar sobre o paradeiro dele.

Certo dia, fui até a cidade onde Mariana morou quando era moça, conversei com uma sobrinha dela que me informou que o filho de Mariana era filho de um fazendeiro que passou uns meses ali naquela cidade. Ele engravidou Mariana e depois sumiu. Ela também disse que algumas vezes o filho de Mariana dizia que iria encontrar seu pai, pois ele sabia que seu pai morava na região Centro Oeste, dizia que sua tia havia dito que seu pai era fazendeiro. Disse que certo dia, ele pegou uma mala encheu de roupas e disse que ia embora, procurar um futuro melhor. E já fazia quase vinte anos que ele partiu e nunca mais apareceu. No primeiro ano de sua partida ele enviou três cartas ao longo do ano, depois disso não souberam mais nada sobre ele.

Peguei o endereço que havia nas cartas e iria tentar algo nesse sentido.

Ao retornar para minha cidade procurei entrar em contato com pessoas de Mato Grosso. Eu dizia o endereço que a sobrinha de Mariana me passou para algumas pessoas para que elas me dissessem alguma coisa do tipo: o que havia no local do endereço. Recebi algumas respostas, mas nada que me levasse na direção do filho de Mariana. Confesso que estava desanimada, afinal é muito difícil encontrar alguém que partiu para outra cidade há muito tempo.

Nesse espaço de tempo sobre essa procura aconteceu de Mariana ficar muito mal, me avisaram que ela queria me ver, ela vivia perguntando por mim, queria saber quando eu iria visitá-la. Disseram que Mariana tinha pouco tempo de vida. Pensei: e agora! Ela vai querer saber de seu filho. Então fiz algo que talvez não fosse o correto, mas faria Mariana feliz.

Sabendo que um dos últimos ou talvez o último desejo de Mariana fosse encontrar seu filho; tratei de arrumar uma pessoa com as características de seu filho, treinei com ele o que ele iria falar e como se portar diante dela e no dia em que fui visitá-la ele foi comigo.

Chegando ao local, entramos no quarto e vimos uma mulher muito fraca sobre a cama, ela quase não abria os olhos e falava com muita canseira. Cheguei bem perto dela e peguei em suas mãos e disse: Mariana, sou eu a neta de Elisa, lembra? Ela respondeu balançando a cabeça que sim. Então continuei dizendo algumas coisas e falei assim: Mariana, eu trouxe uma pessoa comigo, uma pessoa que você queria rever. Você sabe quem é? E Mariana falou bem baixinho com uma voz tremula que era seu filho. Então, o rapaz aproximou da cama e pegou as mãos de Mariana e assim ficaram por alguns minutos até que de repente ela diz assim: Meu filho me perdoa por eu ter abandonado você. O rapaz se aproxima do rosto dela e lhe dá um beijo na testa e responde: Minha mãe está tudo bem, não se preocupe com mais nada. Fique em paz.

lita duarte

terça-feira, 6 de março de 2012

"AROMA SUAVE"

Caminhando pelo jardim naquela manhã de domingo, sentia o perfume das flores que invadia meu pensamento. Num instante pude ouvir as vozes das crianças lá do passado. Era como se elas estivessem ali ao meu lado, era como se as brincadeiras pudessem ter continuidade naquele momento presente. Eu podia ouvir os risos e a cantoria das meninas, elas adoravam cantar a música do alecrim. Enquanto isso, os meninos corriam de um lado para o outro atrás de uma bola.

lita duarte

ALECRIM

Alecrim, Alecrim dourado

Que nasceu no campo

Sem ser semeado

Alecrim, Alecrim dourado

Que nasceu no campo

Sem ser semeado

Foi meu amor

Que me disse assim

Que a flor do campo é o alecrim

Foi meu amor que me disse assim

Que a flor do campo é o alecrim

Alecrim, Alecrim dourado

Que nasceu no campo

Sem ser semeado

Alecrim, Alecrim dourado

Que nasceu no campo

Sem ser semeado

Alecrim: autor desconhecido.