ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

ROSA SILVESTRE

Rosa era muito bela e tinha todas as atenções voltadas para si, era o sonho de muitos rapazes, era doce e suave, mas muito apimentada, assim era definida por seu tio Luiz, que dizia para sua mãe: Essa tua filha vai te dar muito trabalho, já percebeu como os homens olham pra ela? Ela requer sua atenção,- senão poderá virar uma dessas mulheres que eu nem quero dizer o nome.


Não sei o que a vida reservou para a Rosa, mas vendo aquela mulher aparentemente sem beleza, - parecia um ser definhando e sem esperanças com a vida.


Foram muitos anos sem que eu visse aquela amiga da adolescência, - a vida com seus afazeres e compromissos tratou de nos afastar, cada qual foi cuidar de seus interesses, e assim o tempo passou. Como costumava dizer minha querida tia Dita: Quem está vivo um dia aparece. - Foi o que aconteceu. Depois de longos anos sem que eu me encontrasse com Rosa, certo dia por um acaso da vida eu a encontrei quando fazia uma visita em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais. Fiquei feliz em rever minha amiga, foi fácil reconhecê-la, embora ela tenha mudado muito na aparência, mas nos gestos e voz, nada mudou. Olhei pra ela ali na feira de artesanato e notei que ali estava a menina que gostava de fazer dos retalhos de tecidos belas obras de arte. Eu disse: Rosa, você por aqui, - quanto tempo que a gente não se vê! Ela olhou pra mim e disse: Desculpe, mas não me lembro de você. Então eu disse: Que bom! - Todo mundo diz isso, eu acho ótimo, sou irreconhecível, mas sabe de uma coisa, vou fazer você lembrar. Em 1974, grupo de teatro da escola Sêneca, lembra! Nos duas ficávamos conversando durante as tardes, sentadas na mureta de sua casa, em frente essa escola.- Lembra que os atores sempre nos convidavam para festas, mas nós nunca íamos. - Sou eu! Lembrou!

Então, a Rosa olhou pra mim e disse: Nossa, mas você por aqui! Que bom te ver. O que você tem feito por aí! - Olha, vou chamar o meu filho Zéca, pra ele tomar conta da banca de artesanato, pra gente conversar melhor. Então, a Rosa deu uma olhada ao redor e chamou seu filho. Ele apareceu e a Rosa o apresentou a mim, e disse: Esse é meu filho Zéca, ele está com vinte anos, produção independente, graças a Deus.

Cumprimentei o filho dela, então saímos dali e fomos sentar num barzinho muito aconchegante, onde ficamos muitas horas conversando e lembrando os tempos em que éramos duas jovens cheias de sonhos e planos para o futuro.


Durante a conversa, Rosa me disse que estava muito doente e que já não esperava muito mais da vida, só queria continuar trabalhando e ficar bem com seu filho. Ela e seu filho viviam sozinhos, disse que por ter tomado certos rumos na vida, ficou só, e sem parentes por perto, que agora infelizmente sentia o peso de algumas escolhas, mas que já era tarde para arrependimentos.

Eu disse para a Rosa que ela podia contar comigo, afinal de contas eu só tinha boas lembranças dela, e isso era o que importava.


Quando nos despedimos, Rosa olhou pra mim e me disse: Por que será que a gente esquece daquelas pessoas que foram tão importantes pra gente? Eu lembro de como você me fazia bem, mas … enfim a vida é assim.

Dei um forte abraço na Rosa e parti.

lita duarte


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

DONA JÚLIA


Naqueles dias em que o tempo era longo e a felicidade nem tinha nome, eu e dona Júlia vivíamos cuidando dos patos que ela tanto gostava de manter ali no seu quintal. Era um tempo de serenidade e não havia pressa.


Depois de acordar, tomar café e ajudar minha mãe nas arrumações da casa, eu costumava ir ajudar dona Júlia a cuidar dos patos. Certa manhã, depois de ter alimentado os patos, dona Júlia me disse para olhar para a mangueira que estava cheia de manguinhas. Ela disse: Veja como está linda a nossa majestosa mangueira, logo teremos mangas maduras, então você poderá chamar seus irmãos e colher mangas maduras pra nós saborearmos. Eu disse: Ah dona Júlia, vai demorar muito para que as manguinhas fiquem boas pra gente comer. Ela disse: Não vai demorar não! Já estamos em agosto, em dezembro no mês do Natal, isso aqui vai estar forrado de mangas maduras, passa rapidinho o tempo. Eu disse: Nossa! Mas o Natal está muito longe, eu queria comer manga madura agora! Então ela riu e disse: Sabe de uma coisa, quando se é criança parece que o tempo demora para passar, mas depois que ficamos adultos, o tempo passa rápido demais. Quando você crescer vai entender o que eu digo. Sabe que eu tenho tantas lembranças do tempo em que eu era criança lá no Japão. Parece que posso sentir o cheiro daquelas belas árvores floridas que ficavam perto de minha casa, parece que posso ouvir as vozes de meus irmãos e de outras crianças com as quais eu brincava, parece que foi há tão pouco tempo. Então eu disse: Por que a gente não pode parar o tempo? Ah, eu não quero crescer não! A senhora ficou triste quando lembrou do Japão. Eu não quero ficar triste! Eu quero tudo assim, desse jeito, não quero que o tempo passe. Então dona Júlia riu muito e me disse: Para de dizer essas coisas, você vai crescer e vai ser muito feliz, me dá sua mão, vamos entrar que eu vou preparar um lanche bem gostoso para você, e você vai me falando o que vai querer de presente de Natal.


lita duarte


domingo, 11 de setembro de 2011

ELOS ROMPIDOS


Todos os dias, ele acordava bem cedo, pegava sua bicicleta e saía pedalando pela cidade. Ele havia adquirido essa mania depois que sua mãe faleceu. Ele era do tipo calado, sua única amiga de verdade era sua mãe, só ela o compreendia.


Como devia ser difícil a vida daquela senhora que tinha um filho com sérios problemas de saúde. Ela e seu filho viviam sozinhos em uma casa, em uma cidade praiana. O mar fazia bem para seu filho esquizofrênico. Tudo era tranquilo, mas se complicava porque o rapaz não aceitava tomar remédios. Sua mãe arranjou um jeito para que ele fosse medicado sem perceber, - ela colocava os remédios amassados em sucos ou chás. Se o pobre rapaz ficasse sem tomar seus remédios, ele ficava com um aspecto muito ruim, e dava muito trabalho para sua mãe. Fora isso, tudo era muito bom na vida dos dois, mas um dia o rapaz se viu sozinho na vida, então começou o seu penar.


lita duarte

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

"O RANZINZA"


Onde e quando foi que eu te disse que nós seríamos felizes para sempre. Acho que você fantasiou demais. Não sei porque as pessoas adoram viver de ilusões. A vida é dura, é uma sequência de fatos, alguns momentos muito bons e outros nem tanto. A vida é assim – um fardo pesado. Eu não me iludo com nada mais. Tenho os pés no chão e a cabeça no meu tempo. Sou feliz dentro do possível, cansei de procurar chifre na cabeça de cavalo - essa frase meu velho tio Chico costumava dizer, eu achava engraçada demais e também não entendia direito, mas hoje eu entendo muito bem. A gente precisa viver conforme dá, não adianta querer o que não se pode ter. Sou assim e serei sempre assim. Dizem que sou um chato, um ranzinza – pode ser, também não estou nem aí para o que falam de mim, ninguém paga as minhas contas, ninguém sabe das minhas dores e dos meus temores. Eu sei o que sinto, não preciso provar nada para ninguém.


Continua...


lita duarte

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SÓ PARA DESCARREGAR.:)


Já pensou se você fosse tudo aquilo que eu sonhei?! Hehehehehehehehehehe, eu não teria aprendido boas lições.

Valeu, valeu e valeu!!

lita duarte