ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A JANELA DE TITO

-Tito saia daí! Já te falei várias vezes que não quero você perto da janela.- Você tem que ficar sentado aqui perto de mim. Já coloquei essa carteira aqui na fileira do meio para que você preste atenção na aula.

-Dona Alice, não me tire daqui! Eu gosto de ficar perto da janela. Eu prometo que fico quieto, vou prestar atenção na aula.

-Tito, não me venha com essa conversa. Você se distrai facilmente.- Sentado aqui na fileira do meio, e na primeira carteira, eu te controlo. Pois só quero o teu bem, você é um bom menino, já tem oito anos e precisa aprender ler e escrever, você está muito atrasado.

-Dona Alice, eu vou aprender melhor se eu ficar sentado aqui pertinho dessa janela.

-Tito, sente-se aqui e agora! Estou perdendo a paciência com você. - Já sei! Vou mandar você para a diretoria. Vá lá conversar com a senhora diretora.- Toda semana é a mesma coisa, Tito. Você promete que vai mudar, mas não muda. Você insiste em se sentar perto da janela, - onde você não deve ficar. Você está atrasado, quantas vezes eu vou ter que repetir isso, menino! Responda, Tito, por que você gosta tanto de sentar perto dessa janela? Por quê? Fale! Estou esperando! Perdeu sua língua! Olha seus colegas! Eles também estão esperando. Eu tenho que continuar com essa aula.

Nesse momento o menino Tito fica calado, os seus colegas de classe começam a fazer muito barulho, e riem do Tito. Dona Alice já estava perdendo o controle da sala quando ouviu uma aluna dizer assim: - Professora, o Tito mora em uma casa de latas, na casa dele não existem janelas.

A professora fica sem ação, mas o menino Tito se enche de entusiasmo e diz: - Dona Alice,eu sonho em ter uma janela! Por isso que eu gosto de me sentar perto da janela da sala de aula.

(texto baseado em fatos reais)

lita duarte

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"O MOÇO"


Quando o moço de cara comprida disse que estava apaixonado por mim, fiquei feito uma boba, era isso o que eu queria. Que ele ficasse apaixonado por mim. Hum, não prestou! Enquanto eu dava uma de difícil, o moço me rodeava como um bezerro desmamado. Bastou eu lhe dar confiança e começarmos um namoro, para que ele começasse por mostrar suas garras afiadas e seus dentes dispostos a cravar em minha jugular. Bem que minha tia me avisou, mas eu não quis saber.

Tia Julinha era daquelas pessoas vividas, só de olhar a cara do sujeito ela dizia se ele prestava ou não. Ela me dizia: Celina, cuidado com esse tipinho aí! Ele não me engana. Não gosto de gente que olha de lado, nem de gente que fica escondida atrás das árvores sondando os outros. Dentro da cabeça desse moço só passa maldade. Eu dizia para ela: Tia Julinha, pare com isso, você cisma com todo mundo! Deixa o Vladimir em paz. Eu gosto dele. Vai fazer o seu tricô e assistir suas novelas, mas me deixa em paz.

E os dias iam passando. E meu romance com o Vladimir esquentando. Só que o danado começou a sumir, se no início do namoro ele aparecia todos os dias para me ver, depois que se sentiu dono do pedaço, ficava uns quinze dias sem aparecer. Eu achava estranho, então, a tia vinha com suas falações para me chatear. Ela dizia que o Vladimir tinha outra, e que eu estava bancando a tonta. Ai, aquilo me irritava. Eu não entendia porque ele agia daquele jeito, oras, se ele não gostava mais de mim, por que não dizia? O que é que se passava com ele. E ele continuava do mesmo jeito, sumia, e quando voltava não me dava explicações.

Um dia, fiquei cheia daquela situação, depois de vários dias sem nos encontrarmos, ele apareceu, então eu o coloquei na parede, eu disse: Vladimir, o que acontece com você? Fala pra mim! Você tem outra namorada? Me diz, me responda, por favor! Ele ficou uma fera e disse: Escuta aqui Celina! Eu não admito que você fale assim comigo, quem você pensa que é! Olha, eu vou sair agora e não sei se volto, ouviu!

Então eu chorei muito. De fato, ele sumiu por uns meses. E eu o procurei feito uma besta. Escrevia, telefonava, mas nada do moço responder. Certo dia, eu não aguentei e fui procurá-lo, ele me recebeu bem, ele parecia bem, mas estava distante demais. Ele não me disse nada do que eu gostaria de ouvir. E eu fiquei sem vontade de falar o que eu queria falar. Senti naquela hora uma espécie de abismo entre nós. Fui embora e me fechei para ele.

O tempo passou. Um dia, recebi uma notícia triste, me disseram que ele havia morrido, foi estranho, mas eu não senti nada. Só fiquei chateada porque ele partiu muito cedo, resolveu ir antes da hora.

lita duarte

terça-feira, 17 de maio de 2011

UMA VIDA... UMA HISTÓRIA

Quando minha mãe adoeceu, ela se sentiu na obrigação de me revelar fatos de nossas vidas, os quais ela nunca havia pensado em me contar. Penso que sua doença lhe causou tanta transformação, por isso a revelação de fatos relacionados a minha vida vieram à tona.

Nasci de um relacionamento extra-conjugal de meu pai com minha mãe, quando eles se encontraram em Portugal no ano de 1973. Meu pai era angolano e havia ido a Portugal para resolver assuntos de trabalho, na época ele estava com trinta anos, já era casado e tinha dois filhos. Minha mãe, brasileira, havia ido a Portugal para visitar seus avós paternos. Nessa época minha mãe estava com vinte e três anos. A primeira vez em que os dois se encontraram foi na casa de meus avós. Meu pai era muito amigo de um de meus tios, ele havia ido na casa de meus avós para levar algumas encomendas de meu tio Jorge.

O tio Jorge era muito amigo de meu pai. Assim que meu pai entrou na casa de meus avós, minha mãe disse que sentiu algo de diferente. Ao ser apresentada para aquele homem moreno de cabelos encaracolados e olhos melancólicos, minha mãe disse que se apaixonou. O tio fez as apresentações dizendo: Meu caro amigo Diogo, está moça linda que aqui está, é minha sobrinha querida, é a única filha de meu irmão Alfredo. Minha mãe, disse que meu pai ao cumprimentá-la, sorriu e disse : Você tem razão, amigo Jorge, sua sobrinha é muito linda.

Os dias passaram e minha mãe não conseguia esquecer aquele homem. Ela sabia que ele era casado e tinha filhos, portanto não podia esperar nada daquele homem. Mas no fundo de seu coração esperava que algo acontecesse. E aconteceu. Certo dia, minha mãe andava pelas ruas de Lisboa a procura de um tecido especial para fazer um vestido novo. Ao entrar na loja de tecidos ela vê aquele homem que lhe causou tanto encantamento. Ao vê-la, ele lhe cumprimenta e sorri dizendo: Que boa surpresa ver a moça por aqui. Minha mãe disse que estremeceu todinha, e por um momento pensou em não ser tão atenciosa e ir embora bem rápido, mas não teve tempo, meu pai lhe disse: Fico mais vinte dias por aqui, depois vou embora para Angola, vim comprar as encomendas de minha esposa. Parto, mas já sinto falta dessa terra. Então minha mãe respondeu: Mas logo você retornará, não tens negócios aqui!
Ele disse: Não sei, em Angola as coisas não estão muito bem, não sei quando volto. Mas podemos sair daqui e conversar um pouco em algum lugar. Então, minha mãe respondeu que sim. Saíram dali e foram para uma praça, conversaram muito. Ela ficou sabendo que ele era um homem com muitas responsabilidades em seu país. Era um homem que vivia para o trabalho e a família. Ao se despedirem combinaram de se encontrar novamente, antes que ele fosse embora para Angola.

Minha mãe disse que era muito forte o que ela sentia por meu pai. Ela sabia que podia se controlar, porque não era só desejo por ele, mas era algo que dominava todo o seu ser.
No dia do encontro, ela pensou em não ir, mas acabou indo, ela disse que inventou mil coisas, mas que na hora H, saiu para o encontro e não pensou em mais nada.
Chegando no local combinado, eles se cumprimentaram e ficaram por muitas horas conversando, mas num determinado momento meu pai disse que queria beijá-la, ela concordou. Daí para o restante foi só um pulo. Ficaram juntos até o anoitecer. Ao se despedirem juraram se encontrar novamente. E aconteceram outros encontros, até o dia em que ele partiu para sua terra. Fizeram promessas de escrever um para o outro, mas depois que ele partiu, minha mãe percebeu que estava grávida, então fez um juramento de encerrar aquela história para sempre. Ele procurou por minha mãe, mas ninguém nunca revelou o paradeiro dela para meu pai. Ele esteve muitas outras vezes em Portugal, mas os parentes de minha mãe nunca tocaram nesse assunto com ele. Meu pai morreu em 2002, sem saber que teve uma filha com uma brasileira. Minha mãe me disse que depois que soube que estava grávida, sentiu remorso por ter se deitado com o meu pai, porque ele tinha uma família e parecia amar sua esposa, ela disse que se sentiu suja, por isso não queria revelar nada para ninguém, ela não queria estragar a vida daquela família.

Quando minha mãe voltou ao Brasil, teve que revelar que estava grávida para meus avós. Os pais dela quase tiveram um ataque, e trataram de inventar uma estória para que minha mãe não ficasse mal falada. Então inventaram que ela havia namorado uma pessoa e iria se casar, mas o namorado morreu em consequência de uma doença grave. Ela ficou grávida e teve que arcar com muitos falatórios, mas depois de um certo tempo tudo se acalmou. Mudaram para uma outra cidade em que ninguém os conhecia, lá eu nasci e fui criada. Minha mãe sempre se manteve um pouco distante de mim, eu não me sentia sua filha. Meus avós me tratavam como filha.

Minha mãe se casou e teve outros filhos, eu fiquei morando com meus avós. Os anos se passaram e certo dia minha mãe adoeceu gravemente, eu fui cuidar dela. Por ser formada em enfermagem me senti na obrigação de lhe fazer companhia naquele momento de dor, e foi então que ela sentiu-se na obrigação de revelar o meu passado. Fiquei um pouco chateada, mas depois até que gostei, afinal de contas fui uma pessoa bem criada e o que havia acontecido com minha mãe era de responsabilidade dela. Antes de falecer em 2008, minha mãe me entregou duas cartas que meu pai enviou para ela, mas ela nunca respondeu. Ela disse que eu deveria me comunicar com o tio Jorge, ele poderia me revelar algumas coisas sobre meu pai, caso eu me interessasse em saber mais.

Há cerca de uma ano, fiz uma viagem ao meu passado, estive em Portugal, conversei muito com o tio Jorge, ele me revelou coisas maravilhosas. Ele disse que meu pai sabia que tinha uma filha no Brasil. Ao contrário do que minha mãe queria, o tio revelou ao meu pai os fatos de minha vida, recebi das mãos do tio Jorge, uma caixa repleta de fotos e cartas de meu pai, todas direcionadas a mim. Em uma das cartas meu pai diz que não me procurou por respeito a minha mãe, mas que de longe ele me acompanhava através dos relatos do tio Jorge. Recebi até uma pequena herança em dinheiro, mas para mim o que valeu mesmo foi saber que meu pai me conhecia.

Estive em Angola no mês de janeiro deste ano, fiquei lá por vinte dias, pude ver os lugares onde meu pai viveu e até conheci pessoas de sua família e amigos também, mas preferi deixar tudo como está. Porque o bom mesmo é ter uma história para contar.
lita duarte

Att. foram trocados todos os nomes para que ninguém seja incomodado.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

VALEU A PENA


Quando comecei a falar com aquela pessoa encantadora, não imaginava que me ligaria tanto a ela. Naquele momento eu estava passando por muitas mudanças, então, o surgimento daquela pessoa só me fez bem. O tempo foi passando e nós fomos nos aproximando cada vez mais. Era uma boa amizade, aprendi muitas coisas boas com ela. Mas o tempo passa e transforma tudo. Cada qual tem seus interesses e compromissos, é a mudança natural. O bom é a lembrança que fica. E o que fica é sempre bom.

lita duarte

quinta-feira, 12 de maio de 2011

ENTRE O MAR E A MONTANHA


Quando eu abri a janela do quarto, daquela velha pousada, naquele lugar encantador, foi como se o passado desaparecesse como um milagre. Foi como tirar um peso dos ombros. Ali, olhando o mar, senti que uma brisa suave me envolvia. Naquele momento eu renascia.

lita duarte

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PERCEBER OU NÃO PERCEBER, EIS A QUESTÃO

-O que aconteceu, Milena! Você disse que voltaria, mas não voltou! Por quê?

-Ora, não voltei, porque agora não há mais nada que me encante por aí! Ficou tudo muito sem graça. Às vezes é melhor não saber demais. É isso mesmo, Ana. Cansei de tanta chatice. Não gosto que me enrolem com mentiras e bobagens. Minha amizade é sempre sincera e verdadeira, mas quando sou incomodada com fofocas, então fico com um pé atrás.

-Você é muito radical, Milena. Eu sei que sou muito distraída, mas não queria que você se aborrecesse com falatórios que eu nem sei como começaram. Pessoas são invejosas, e gostam de lançar maldades quando percebem que duas pessoas se dão bem.

-Ana, eu não gosto de pessoas lerdas, que ficam esperando o mundo desabar para poder agir. E mesmo assim, muitas vezes não fazem nada. Estão vendo que alguma coisa está errada, mas não tomam providência nenhuma. E ainda dizem que gostam de você. Acho muito estranho alguém dizer que gosta de você, mas nunca se manifesta quando você pede ajuda. Sinceramente, acredito que uma pessoa que gosta da gente de verdade, faz o mínimo, pelo menos para mostrar que te valoriza como pessoa.

-Ah não vejo assim! Aliás, nem percebo essas coisas, Milena. Acho que sou muito diferente de você. Se querem falar que falem, que se danem! Detesto a mania das pessoas em querer me transformar, detesto dar explicações. Sou desse jeito e gosto de ser assim.

-Ou seja, tanto faz. No tanto faz está uma resposta que diz isso mesmo: você não se importa com os outros, ou pelo menos com alguém que já não te interessa mais, Ana. Então é isso aí, garota. Seja feliz... se puder.

lita duarte

sábado, 7 de maio de 2011

COINCIDÊNCIAS! OU SERIA OS FUNGOS?

Alguns lugares ficam conhecidos por sua estranheza. Coincidências estranhas marcaram um certo imóvel em um lugar da cidade de São Paulo.

Corria o ano de 1988, quando começaram as histórias que ficariam ligadas por causa da morte que ocorreria na vida de algumas pessoas que habitaram o mesmo imóvel.

No andar térreo do edificio F. morava uma senhora idosa e seu filho de uns quarenta anos. Eles eram tranquilos e mantinham uma amizade normal entre a vizinhança. Naquela época os relacionamentos entre vizinhos eram mais próximos. Em um certo dia, a senhora idosa começou a passar mal, foi levada ao médico que receitou alguns rémedios, depois de examiná-la. Os dias foram passando e a senhora piorando. No prazo de dez dias e após ter sido hospitalizada, ela faleceu. A causa de sua morte foi pneumonia. Seu filho triste com o ocorrido mudou-se dali, e colocou o imóvel para ser alugado.

Aquele imóvel foi alugado bem rápido, era um local muito procurado. Um mês após o ocorrido, já havia novos moradores por lá. Era um casal recém casados. Ela era professora universitária e ele era arquiteto. Iriam morar ali, até que o apartamento que eles haviam comprado ficasse pronto. Pareciam felizes. Costumavam sair cedo para o trabalho. Faziam muitos planos para o futuro. Eram muito educados e atenciosos com os vizinhos. Certo dia, porém, o rapaz começou a passar mal com fortes dores de cabeça. Foi levado ao hospital por sua esposa e um casal de amigos-vizinhos. Passou pelo pronto-socrorro e ficou internado, seu caso era muito grave, ele estava com aneurisma cerebral. Infelizmente não teve jeito. Ele faleceu após sete dias de internação. Sua esposa muito triste e desgostosa com o fato, mudou-se dali.

O imóvel ficou fechado por uns seis meses. Passado esse tempo, foi alugado novamente para uma mulher e sua filha. Alice e Mariana, mãe e filha. A mãe era psicóloga e tinha trinta e cinco anos, a filha era uma criança de sete anos. Ambas eram muito comunicativas, fizeram amizade com os vizinhos, as crianças adorovam brincar com Mariana. Por ser filha única e de pais separados, ela era um pouco carente. Sua mãe costumava fazer uma festa no final de cada mê para animar a criançada do condomínio. Ela sempre inventava um motivo para festejar. Uma vez por mês o pai de Mariana passava o dia todo com ela, levava para passear. E foi num desses dias que aconteceu algo terrível. Ao trafegar por uma movimentada avenida de São Paulo, o carro em que pai e filha estavam, foi fechado por uma moto. O motoqueiro e o pai de Mariana, nada sofreram, Mariana, no entanto teve graves ferimentos. Foi levada para o hospital, infelizmente não resistiu aos ferimentos, pois teve graves infecções que não foram curadas.

Esses fatos ocorreram no espaço de quatro anos, e deixaram muitos moradores do condomínio preocupados e temerosos com tudo aquilo.

O dono do imóvel vendeu o mesmo, que ficou fechado por um ano e meio. Passado esse período, o imóvel foi reformado. Quando o imóvel estava sendo reformado, foi retirado de dentro dele uma forração de madeira que cobria uma parede que ficava próxima ao banheiro. O pedreiro que estava fazendo a reforma passou mal, e foi socorrido imediatamente. Ao chegar no hospital ele relatou o que havia acontecido, então o médico falou que aquela forração de madeira estava tomada de fungos, e foram os fungos os causadores do problema dele.

Uma coisa é certa, depois daquela reforma não houve mais aquele tipo de ocorrência.

lita duarte

terça-feira, 3 de maio de 2011

"COISAS DE FILHOS"

-Por que as mães, vivem dizendo que o amor delas pelos filhos é igual para todos, Betina? Eu não acredito nisso. Minha mãe teve cinco filhos, e para mim, ela gosta mais de meus dois irmãos. Ela diz que isso é coisa da minha cabeça, mas não é não. Eu vejo o jeito dela. Eu acho que seria muito bom se ela confessasse que ama de maneira diferente, já sou grandinha o bastante, não vou deixar de amá-la por isso.

-Lana, não acho que seja coisa fácil de uma mãe dizer para um filho que, tem mais amor por um do que pelo outro. Aliás, acho que ser mãe é uma coisa bem difícil, e por isso mesmo, já decidi não ter filhos. Eu vejo minha mãe, e sei o quanto ela batalhou para criar duas filhas. Sei que ela tem mais afinidades com minha irmã, já foi o tempo em que eu morria de raiva por isso, mas hoje, entendo que o amor é diferente. Você pode amar muito uma pessoa de sua família, mas isso não significa que o seu amor será o mesmo por todas as pessoas de sua família. Acho que se coloca muito peso em cima das mães.

-Betina, também acho que é uma tarefa das mais difíceis ser mãe. A maioria das pessoas nascem por acaso e não porque foram desejadas. Ou seja, naquele ato sexual, na maioria das vezes não se esperava a vinda de uma criança. Logo: como amar alguém que você nem esperava?

-Por isso, Lana, fico sempre atenta para não me deixar levar por certos modismos. Penso que uma mulher precisa se preparar para a vida. Se decidir ser mãe, que se prepare para isso. Porque infelizmente o que a gente vê por aí, é lamentável. São mães que não agem como mães, tratam os filhos de maneira muito estranha.

-E sem falar Betina, que se uma mulher não tem condições de cuidar de uma criança, nem deveria engravidar. Mas isso passa pela questão da educação. Sabemos que a maioria das pessoas não pensam nas consequências de seus atos. Por isso mesmo, a gente vê tantanta criança abandonada.

-Lana, e o abandono existe em várias formas. Existem crianças que possuem tudo, mas nunca seus pais estão presente. Esses pais costumam dizer que não tem tempo para os filhos, pois precisam trabalhar muito. Precisam ganhar dinheiro, e dar tudo o que seus filhos precisam.

-É, Betina, muitas crianças não tem quase nada, nem uma boa refeição no dia-a-dia. E é por isso mesmo que eu penso que essa questão de amor não é nada fácil.

-Lana, mas sempre tem o lado bom. E é aquele que a gente vê em pessoas que sempre procuram demonstrar, digo: nos atos e não só nas palavras, que elas agem de maneira correta. Pessoas assim como minha mãe e como a sua, que nos deram uma boa educação, e embora tenhamos dificuldades em algumas coisas, sabemos quão valorosas elas são, porque as mesmas, nos passaram bons valores.

lita duarte