ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

GLORINHA

Quando o Paulo partiu, chorei muito. Ele não entendeu o meu amor. Mas agora chega! Ainda fico triste! - Por que ele me deixou? Será que ele voltará? Será que eu fiz alguma coisa que o desagradou? Ele era estranho, eu nunca exigia nada dele, apenas queria sua companhia. Tá certo que muitas vezes, eu achava esquisito o comportamento dele. Do nada ele se chateava com as coisas. Estava sempre com dor aqui e ali. Bastava um amigo dele ligar para ele sair correndo para se encontrar com o tal… É, pensando bem, acho que meu pai tem razão quando diz que me apaixonei por uma coisa estranha, e que para ser homem o meu ex- namorado precisaria tomar uma surra vara de marmelo.- Mas logo vara de marmelo, eu nem sei o que é isso!

Acho que eu queria viver de fantasia, então inventei alguém que nunca existiu. Ah, mas foi tão bom no começo.- É, ele me dizia coisas tão bonitinhas, me chamava de docinho. Ele queria sempre estar comigo, mas nunca queria que eu estivesse com meus amigos, ele era ciumento, mas escrevia poemas lindos. Eu pensava que iríamos nos casar, ah, eu sou daquelas moças que ainda quer casar, sonho com coisas bonitas tipo… ah, vocês vão dar risadas.- Vou falar! Sonho com um príncipe que vem me buscar em um belo cavalo, então vamos para um lugar bem lindo e cheio de plantas, flores… Sonhei demais! O meu príncipe desencantado só pensava em jogos na internet, e fim- de- semana trancado no quarto lendo bobagens, nem digo o quê!

Glorinha! Acorda sua boba! Tenho que gritar comigo mesma. Princípe e princesa são coisas da realeza. Olha em volta, vai aparecer alguém que combina com você, então vocês serão felizes para… Ei, que horas são! Hoje é dia de festa na escola, já tô atrasada, tenho que ensaiar a criançada para uma apresentação de dança de salão. Hum, o Ian estará lá, ele é um gatinho! Hoje o dia promete. Depois eu conto o resto.:)

lita duarte

segunda-feira, 25 de abril de 2011

MOMENTOS


Rever pessoas que marcaram nossas vidas é sempre bom. Aprendemos muito com o passar do tempo.

O dia corria bem, viajei trezentos quilômetros para chegar na casa de dona Aurora. Não imaginava que voltar ali, após longos anos de ausência, me traria momentos agradáveis. Pensava que seria apenas uma visita de cortesia, afinal de contas o tempo passou e ficamos distantes por causa das atitudes dela. Dona Aurora era uma pessoa difícil e teimosa, muitas vezes causava irritação nas pessoas que conviviam com ela. Mas agora estava velha e sem amigos e parentes por perto, então enviou uma carta para mim. Na carta a velha senhora dizia que queria me ver. Confesso que fiquei feliz com sua carta. Eu sempre gostei de andar pelo quintal de sua casa. Sempre quis voltar lá.

Um dia desses, fui visitar dona Aurora, fiquei feliz. Ficamos juntas por algumas horas. Lembramos de muitas passagens de nossas vidas, demos boas risadas e choramos também. Dona Aurora envelheceu, mas ficou bem melhor, já não tem um tom arrogante de antigamente, fala manso, sorri mais, e diz que se pudesse voltaria no tempo só para desfazer coisas que só afastaram as pessoas dela.

Antes de sair para ir embora, eu disse para dona Aurora, que o que importava era aquele momento de mudança. E que ela havia mudado porque quis. E que sua atitude era sábia. Ela sorriu, então nos despedimos. Eu prometi de voltar outras vezes para passar o dia com ela. Espero que assim seja.

lita duarte