ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

quinta-feira, 31 de março de 2011

DEPOIS DA FESTA

Clara acordou com a boca seca e uma sensação de bem- estar, fora do comum. Seu sono fora tranquilo e profundo. Mas a boca seca era por causa do brinde com vinho na noite anterior.

Clara havia saído com um grupo de amigos, para festejar o noivado de sua grande amiga Luciana. Ela excedeu um pouco no consumo de vinho, mas não se arrependeu. Ela pensava assim, enquanto abria a janela de seu quarto: Uma festa de noivado nos dias de hoje, é muito rara. Parece que ninguém quer se casar, e muito menos ficar noivo, ah, mas eu quero me casar, quero uma festa de noivado, ah, sim claro, preciso de um noivo. – Onde vou arranjar um noivo! Dizem que os homens estão em extinção! – O que será que me deu! Fiquei com vontade de casar, e agora! – Eu devo ter bebido muito vinho… mas era um vinho de ótima qualidade, aliás, na festa só havia tudo de bom! Acho que me empolguei demais, melhor tomar muita água que ainda é quase de graça e não faz mal.

lita duarte

quarta-feira, 23 de março de 2011

VERÃO - 1970

Naquele dia quente de verão, chegamos ao vilarejo de Pitangueiras.
Fomos direto para o sítio de dona Inácia.
Eu, minha mãe e minha irmã. - Na época eu estava com dez anos de idade.
Fomos passar dois dias na casa de dona Inácia, uma amiga de minha mãe e avó de minha amiga Riroco.
Era o mês de janeiro e nós que éramos crianças estávamos de férias escolares.
A Riroco estava passando férias na casa de sua avó, e já havia chegado lá há uns quinze dias.

Assim que chegamos na casa de dona Inácia, a Riroco já me puxou pelo braço para que fôssemos brincar. Eu não podia perder tempo, pois ficaria ali somente dois dias. Mal troquei de roupa e saí correndo com a Riroco por aqueles campos floridos e cheios de árvores frutíferas. Aquele aroma das plantas me envolvia, e eu sentia um tremendo bem - estar.

A Riroco propôs que fôssemos subir no pé de tamarindo, para pegarmos os frutos e também ver os camaleões que ficavam lá no alto da árvore. Topei na hora!
Fomos e subimos no tamarineiro, nos empanturramos de tamarindo e brincamos muito com os camaleões.
De repente, começou a chover aquela chuva de verão. Pensamos que a chuva fosse passar logo, mas não passou. Ficamos lá em cima da árvore, queríamos esperar o sol voltar para que secasse a nossa roupa, para continuarmos ali. Pois estava sendo maravilhoso tomar banho de chuva em cima daquela árvore.
Mas de repente começamos a ouvir os trovões e, com trovões surgem os raios. Então ficamos com medo e descemos rapidinho da árvore e fomos correndo para a casa de dona Inácia.
Chegando lá, tomamos uma tremenda bronca de minha mãe e de dona Inácia.

Tomamos banho e trocamos de roupa, nesse tempo a chuva passou e o sol voltou a brilhar.
Eu e Riroco estávamos sentadas tomando um lanche, então ela olhou para mim e disse: Vamos! Você não está ouvindo um barulho? É o carro de boi que está passando lá na estrada.
Saímos correndo e fomos ao encontro do carro de boi para pegarmos uma carona nele...
Só posso dizer que foi uma aventura maravilhosa.
Voltamos para casa de noitinha caminhando pelo campo e ouvindo os barulhinhos dos grilos e vendo o piscar dos vaga-lumes.
Foi tudo muito bom naquele dia de verão.

lita duarte

terça-feira, 22 de março de 2011

O MAL EXISTE...

NANDO, O CHARMOSO

Quando nos conhecemos, parecia que seria um mundo de descobertas e felicidades. Durante uma certa época, realmente foi, mas depois, tudo foi ficando estranho. Com o passar do tempo, fui descobrindo que aquela pessoa maravilhosa que eu havia conhecido, não era quase nada do que eu pensava. Será que fantasiei demais, eu costumava pensar. Eu queria acreditar que havia encontrado alguém com bons sentimentos e que realmente gostava de mim. O tempo revelou que eu havia encontrado uma pessoa cruel. Era uma pessoa que costumava enganar os outros para poder obter lucros e vantagens. Aquela pessoa usava os outros, e quando não queria mais, simplesmente descartava, virava as costas e sumia.

Certo dia, eu estava em um almoço de confraternização quando conheci o Nando. Ele era uma pessoa alegre e simpática. Era um tipo que se comunicava muito bem, atencioso, charmoso e muito empenhado em agradar a todos. Como era gentil! Eu deveria ter ligado o “desconfiômetro”, mas fiquei ali, numa boa, assim como todo mundo

Ele deve ter percebido algo em mim, porque colou em mim feito um carrapato. Claro, quem era eu! Eu era uma pessoa com a qual ele poderia se relacionar para obter certas vantagens.

Fizemos amizade, ficamos muito unidos, eu contava tudo pra ele, mas ele me contava algumas coisas, eu sentia que ele era resistente em certos assuntos. – Família, ele nunca falava na família, quando eu perguntava, ele dizia que seus pais moravam em outro estado e que raramente os via. Irmãos, ele dizia que só tinha uma irmã, mas que não se dava bem com ela.

Eu possuía uma boa condição financeira, ele vivia me pedindo dinheiro emprestado e nunca devolvia. Ele quase não parava no emprego, mas dizia que era formado em arquitetura. Jamais me levava na casa dele. Dizia que era muito longe, enfim, me envolvi com um cara estranho, mas gostava da companhia dele. Sentia-me bem, quando estava com ele. Mas quando ele sumia, sim, ele sumia, ficava meses sem se comunicar comigo…

Ele gostava de me chamar pelo meu nome, ele dizia: Estela meu bem! Bastava para eu me derreter e esquecer os vacilos dele. Acho que ele sabia me prender.

Um dia, recebi um telefonema estranho, era um policial, ele falou meu nome e perguntou se eu conhecia o Fernando (Nando), eu disse que sim, então ele disse: Fica calma, o Fernando foi preso, ele está sendo acusado de ter cometido um crime. Ele matou os próprios pais. – Ao ouvir aquela notícia, entrei em choque.

Dias depois, fui descobrindo através dos noticiários da TV, que aquela pessoa com a qual eu me relacionava, era um sociopata. Ele tinha uma vida toda bagunçada e já havia enganado muitas pessoas com seu charme irresistível.

Lita Duarte

terça-feira, 15 de março de 2011

PEDRO E RAQUEL


Dizem que eles se amavam muito, mas o amor não foi suficiente para segurar o casal.
Um dia, Pedro partiu, foi embora para sua terra. Raquel ficou sozinha morando em sua casinha. Ela passava os dias lembrando momentos com seu amado.

Ambos morreram há muito tempo, mas a casinha em que viveram juntinhos continua de pé.

lita duarte

segunda-feira, 14 de março de 2011

APRENDENDO COM ELES


A cachorrinha morreu, deixou saudades e muitas lições. Como pode um bichinho mexer tanto com a gente? Ela tinha o que muitas pessoas gostariam de ter, mas não têm. Ela era muito querida e amada, sim, isso mesmo! Quem tem um bichinho de estimação sabe como é. Eles são fiéis e atenciosos, e não cobram nada por isso, são verdadeiros amigos e companheiros.

lita duarte

sábado, 12 de março de 2011

TEKA


Um dia, ela surgiu, foi alegria demais. Todos gostavam dela. Ela era muito agitada e encantadora. Fazia companhia para uma pessoa muito querida. Mas um dia, sabe se lá porque, alguém muito mal, resolveu tirar-lhe a vida.

Vivemos em um mundo caótico, pessoas desequilibradas agem de forma perigosa, às vezes têm muita inveja dos outros, por isso, tentam atingí-las com seu mal. Tentam prejudicar os outros, quando não conseguem, partem para cima daqueles a quem amamos.

lita duarte

segunda-feira, 7 de março de 2011

O LOBO

Quando nós chegamos ali no sítio do senhor Zuza, não queríamos outra coisa a não ser esperar à noite chegar, e assim nos prepararmos para ver o Lobo, que aparecia ali de vez em quando. Queríamos ter sorte naquela noite. Nos preparamos e ficamos esperando pelo Lobo. – O tempo foi passando e nada do Lobo chegar. Ouvíamos os grilos, os sapos, as rãs, mas nada de Lobo. Na madrugada fazia muito frio ali na Serra da Bocaína. Pouco a pouco o grupo de seis pessoas ficou reduzido em duas, mais tarde somente eu estava ali na madrugada fria esperando o Lobo chegar. – Ele não chegou naquela noite e nem na seguinte. O grupo já havia desistido de ver um Lobo naquelas bandas. Eu pensei: mas que gente impaciente, pensam que é assim. - Oras, um bicho selvagem tem seus hábitos, não é porque o tal costuma aprecer ali, que vai coincidir com o querer das pessoas que aparecem no local só para matar a curiosidade de ver um Lobo ao vivo. – Mas confesso que eu só pensava no bicho.

Era a terceira noite ali naquele sítio encantador, fazia uma noite de temperatura agradável, o senhor Zuza preparou uma refeição especial para Lobos, colocou no lugar de costume e depois foi dormir. Eu e mais três pessoas ficamos lá fora na varanda sentados em cadeiras e cobertos com mantas. Não queríamos que o Lobo se assustasse conosco. O tempo foi passando e nada do Lobo aparecer. O sono também foi chegando, e as três pessoas que me faziam companhia foram dormir na cama, desistiram de ver o Lobo. – Confesso, eu também estava com muito sono, mas fiquei ali fora. Cochilei. – Quando acordei, pensei que estava sonhando. Senti um cheiro muito forte, vi um bicho mexendo na comida que o senhor Zuza havia preparado. Tentei ficar o mais quieta possível, eu sabia que Lobos são animais extremamente tímidos, o menor ruído iria fazer o Lobo sair correndo. Fiquei ali enrolada na manta, havia uma luz bem fraquinha de uma lâmpada que ficava em uma extremidade da varanda. Mas eu podia ver nitidamente aquele belo animal se alimentar, também percebi pelo jeito dele se posicionar para urinar, que se tratava de um macho. A minha vontade era de chamar as outras pessoas para compartilhar com elas aquele momento único. Também queria ter tirado fotos, mas se eu fizesse isso; não teria tido o prazer de ver o que vi. Nem sei quanto tempo durou aquela contemplação, só sei que foi algo fora do comum, me senti totalmente integrada com a Natureza. O Lobo ao terminar de se alimentar, olhou para os lados, ergueu o focinho para sentir o cheiro no ar, deu uma caminhada pela varanda e saiu andando calmamente, entrou no mato e sumiu. Eu fiquei ali até o dia amanhecer, queria sentir aquele momento até o fim.

lita duarte

terça-feira, 1 de março de 2011

NÃO EXISTE ATALHO PARA A FELICIDADE


No começo era tudo muito bom, depois foi ficando melhor, mas por causa de coisas das quais ambos não se davam conta, houve um estranhamento naquele relacionamento que tinha tudo para dar certo. – Dar certo, o que é isso? -Ah, não é possível imaginar um mundo imperfeito, nós adultos somos bem confusos. A vida é o que é! Engraçado, o convívio com crianças é muito bom, principalmente com as mais novas – antes dos cinco anos de idade, é nesta fase em que as crianças são tão simples, descomplicadas, se gostam gostam, se não gostam não gostam. Brigam entre si, mas logo voltam ao normal, -sem mágoas e sem ressentimentos, mas os adultos, hum! Como se magoam, como ficam ressentidos. É uma pena o tempo que é perdido com rancores e mais rancores. A vida é uma oportunidade única de ser feliz.

lita duarte