ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

SABORES


Quando cheguei na casa da Lú, fiquei feliz. É sempre bom rever pessoas queridas. Lú é daquelas pessoas que possuem mãos mágicas para preparar refeições. Ela preparou o almoço com muita rapidez. Ficou tudo muito saboroso, parecia que havia algo de especial, mas que nada, Lú é assim mesmo, tem toque de deusa para a culinária. Depois me chamou para almoçar e disse: Lembra do velho João que dizia que hora de se alimentar é sagrada! Pois bem, venha logo antes que esfrie. Bom apetite.

lita duarte

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

HOJE


Hoje começo uma nova etapa de minha vida. Hoje enxergo melhor que antes. Percebo que o tempo já não espera tanto. Vejo que ficar distante de quem se ama não diminui o amor e nem apaga a chama. Quem ama, ama!

Com o passar dos dias fui percebendo que o meu proceder não me fez melhor diante de minhas fraquezas. Sinto-me forte diante da vida, embora já não seja tão jovem e nem tenha a saúde que eu desejava ter. Não, não estou doente, mas queria ter mais energia. Tenho coisas para fazer e queria estar sempre disposta.

lita duarte

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"DONA DOIDA"

E agora chegamos lá… Chegamos lá? – Quem? Ora, eu e você!

A idade do pode e não pode. Hoje você pode andar livremente, mas cuidado com o sol! Cuidado com o sal! Cuidado para não esquecer… já esqueci! – Agora posso até esquecer! O que não posso é deixar de lembrar.- O que foi bom; foi bom! O que foi ruim; deixa pra lá…

Olha o sol que está fazendo… quente demais! Se eu sair lá fora vou virar um pimentão vermelho. E o vento! Quero o vento forte e frio, mas ele sumiu. Mas estou ouvindo uma música na memória, sim lembrei da Miriam Makeba cantando Malaika… que música linda! Justamente hoje, não seria coincidência. Pois pensei que poderia ter ido para a África viver um sonho, mas e depois… Lembrei também da amiga que dizia: Você mal se aquenta em pé quando tem ataque de asma, e pensa em ir para a África! Você é mesmo doida!

Doida, não, se fosse doida teria ido, teria, mas e agora… O agora é sempre mais urgente que o sonho.

lita duarte

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

VÍCIO

Cá estamos novamente, deitados no colchão de ar falando sem parar. O som do ventilador é por vezes inquietante e me faz voar para longe. - Mas me diga, Leone tem certeza de que vai para o Senegal! -Eu sei que você gosta de aventuras, mas sinceramente eu não iria. Sei que você é maluco por fotografia e por seu trabalho, mas é um tempo longo, três meses! Vale a pena? Porque ter prazer no que se faz é ótimo, mas a grana tem que ser boa, senão é só desgaste, depois que o momento passa a gente pergunta: e agora, quem vai pagar minhas contas?

-Cara Lucila, não é você que diz que gostaria de viajar! Olha, surgiu essa oportunidade, vamos juntos. Você me acompanha, faremos uma aventura pela África. O que me diz? Já sei, vai dizer que sou maluco e irresponsável só porque sempre estou em terras longíncuas. É o meu trabalho, é o meu prazer. Dinheiro! Ganho o suficiente para manter minha vida em ordem, sem depender de ninguém. Dívidas! Ora, quem consegue pagar tudo em dia?

-Ah mocinho, pois saiba que eu consigo! Trabalho e mantenho tudo em ordem. Tudo mesmo! Nada de surpresas, detesto surpresas. Meu salário de engenheira é razoável, mantenho o que posso, nada de dar saltos maiores que as pernas. Isso é com você.

-Então ficamos assim, vou viajar e você fica aqui, enquanto eu me divirto trabalhando, você que poderia pegar umas férias e sair comigo, fica aqui e aproveita o trabalho,- não deixe de pagar nenhuma conta, sem falar que essa já é a terceira vez que te convido para ir comigo em viagem. Esse nosso namoro é bem esquisito, nunca viajamos juntos, você nunca quer, apesar de poder. Estamos aqui, ouvindo o ventilador e os carros que passam lá fora. Daqui a pouco vamos descer e tomar uma cerveja no bar da esquina. Vamos conversar e você vai tentar me convencer a não viajar, e já sabendo qual vai ser minha resposta. Viajo sim, sem você, que pena! Por que você é assim, tão metódica e por que eu ainda estou preso em ti? Será que é vício?

-Leone, você fica comigo porque quer, nada o impede de sair e conhecer outra pessoa. Eu sou como sou! Agora me bateu uma dúvida! Acho que estamos chegando ao fim... todo esse questionamento...

-Lucila, o que foi que nos uniu? Paixão, amor, prazer... É, acho que ficamos viciados um pelo outro, agora começa o fim.

- Então se arruma, vamos descer, minha garganta está seca, quero tomar alguma coisa, Leone.

lita duarte

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DEPRESSÃO


Não! De novo não! Estou só! - Ah! Porque voltei para este lugar horroroso? Eu havia jurado, sim, jurado que não viria aqui novamente... Mente, não me torture mais! O que você quer de mim? Estou cansado de dialogar com meus fantasmas. Chega! – Não quero mais. – Caminho por este deserto sem fim, ando e ando, - penso ter encontrado uma saída, ah! Diabos! Foi mais uma porta na minha cara. – É, e você, ah, não ria de mim, será que você está rindo agora?- Não vê que meus pés estão cansados, minha garganta seca de tanta sede! Molha minha língua com uns pingos d’ água.  Não me negue esse refresco por um breve instante. - Aqui nesta areia quente, eu ainda acabo morrendo. – Quem virá me socorrer? Eu quero ouvir meus gritos e só ouço um gemido. – Levanta! Anda! Coragem! Há uma saída esperando por mim... eu acho! Eu quero encontrá-la. – Acorde!!
Chega, agora chega, já sei que eu tenho que enfrentar esse monstro que criaram pra mim.

Eu esperei por ajuda. Nas noites de frio você não estava lá, eu te esperava, mas você chegava tarde e não me via. Olhava mas não via. - Olha o que você criou? – Deus, cadê você?  Você não pode me ver daí, ou pode? – Agora estou assim, aqui no meu deserto. Vira e mexe eu volto pra cá. – Já percebi que tem muito bicho querendo me puxar pelo pé.  Mas eu vou aguentar, você vai ver. – Você está me vendo?

Vou conseguir sair desse caos, só preciso ter calma e algo que me dê alívio de verdade. Algo que me ampare e me faça suportar o desafio de voltar para minha realidade. Preciso aprender com meu sofrimento. Preciso evitar o desespero.

Texto baseado em relatos de uma pessoa que sofre de depressão.




lita duarte

Imagem Google

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

VERÃO DE 1968


O dia nascia feliz, pois era assim que a gente se sentia naquele verão de 1968. O mar era o encanto das crianças que passavam horas brincando e sorrindo. Nada interrompia aquela alegria que parecia eterna.

Foi um verão de puro prazer. Junto com familiares e amigos. O amanhecer era suave, o dia era longo e com sabor de festa. E era assim mesmo… alegria total. O fim do dia era um momento mágico, olhávamos o céu e despedíamos do sol. No dia seguinte tudo se repetia.

lita duarte

sábado, 5 de fevereiro de 2011

É PRECISO AGIR


Caro amigo, não sei porque pensa que para mim, as coisas sejam fáceis. Não, não são. É que desde cedo eu fiz algumas opções. Decidi fazer, ao invés de só ficar reclamando. – Não pense que é fácil ir pra rua e tentar ajudar pessoas que fazem dela a sua moradia. Faço isso com muita disposição e empenho, claro que é um trabalho árduo, mas sei muito bem que não é para qualquer um. – Muitas vezes fica difícil tentar convencer as pessoas a procurar seus direitos, também, existe o caso de muitas pessoas com problemas mentais. Essas, eu procuro encaminhar para uma instituição que trata de maneira humana e condizente com a realidade de cada um, mas o problema é que são pouquíssimas instituíções que atuam assim. Na real, tudo é muito escasso! – Isso, porque eu estou em um grande centro urbano. – Infelizmente não dá para dizer muito, mas penso que é preciso uma atenção maior por parte da sociedade. – Recursos para que sejam feitos trabalhos de integração social, pois cada dia que passa existem mais moradores de rua. – Ao conversar com eles em uma primeira abordagem, fico sabendo dos motivos que os levaram para aquela condição. Uma boa parte até trabalha, mas por falta de recursos continuam morando na rua. Há todo tipo de história, mas uma coisa é certa: é preciso investir em educação e criar condições de trabalho para essa gente. Muitos querem trabalhar, claro que existem aqueles que acham mais fácil ficar vivendo de migalhas, mas cada caso é um caso. Mas é preciso que haja mudanças, do jeito que está não pode ficar.

lita duarte

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O NASCIMENTO


No dia em que o Marcelinho nasceu, foi um momento especial. Nunca imaginei que ajudaria uma pessoa no meio da rua a ter um bebê. Foi muito tranquilo, tirando os curiosos que ficaram olhando e querendo dar palpites. Celina, uma menina de vinte anos, moradora de um bairro distante do centro da cidade, havia passado mal ao se encaminhar para o posto de saúde, ela pensava que o bebê nasceria só no mês seguinte. Estávamos no mês de fevereiro e o ano era 2009. O bebê nasceu ali, naquela praça bonita e embaixo de uma bela árvore. Amanhã ele completa dois aninhos. Ele está um encanto de criança. Toda vez que eu os encontro, Celina lembra emocionada daquele momento e diz: É mesmo incrível ter um bebê. No momento à gente sente uma dor insuportável, mas depois que passa, a gente não se lembra de mais nada e se sente feliz.

lita duarte

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

JACÓ E JOSÉ



Hoje está fazendo dois anos que vi meu amigo Jacó pela última vez. Lembro que cheguei na casa dele em um sábado de janeiro. Jacó morava em uma casa com um belo jardim. Toquei a campainha, minutos depois, Jacó estava ali diante de mim. Fiquei feliz em revê-lo, então eu disse: Jacó meu amigo, como você está? Voltei! Estou aqui, quero conversar com você e dizer tudo o que aconteceu comigo. Esse tempo que estive fora, foi longo, mas estou de volta. Jacó, você não vai me convidar para entrar em sua casa? - Jacó olhou bem em meus olhos e disse: Quem é você? Porque meu amigo José está morto. Eu passei meses procurando por ele, mas ele não me dava sinal de vida. Um dia, depois de chorar muito, peguei todas as coisas que José havia me dado de presente, e também cartas e postais, peguei tudo e enterrei no jardim. Tudo que restou do José está enterrado no meu jardim. Fiz isso, para poder suportar a dor, pois era terrível não ter notícias dele. Mas agora ele está morto. E você quem é?
Fiquei ali, parado, e não tive coragem de dizer mais nada. Sai dali e fui embora pensativo. O que teria acontecido com Jacó? Será que ele ficou doente, será que ele realmente gostava muito de mim, e por causa do meu sumisso ele ficou assim transtornado. Não sei qual é a resposta, nem sei se existe alguma resposta. Só sei que tudo ficou muito estranho... e pra ele eu morri.

lita duarte