ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O CASAL

Durante anos, aquela mulher pensava que havia algum problema com ela. Ela havia se casado muito nova e viveu um casamento sufocante. Durante anos foi uma esposa devotada ao marido e a família. Embora fizesse de tudo para agradar o marido, esse, nunca estava satisfeito e fazia cobranças constantes, além de ser um quase ditador, era ciumento, arrogante e prepotente.
Talvez por terem se casado muito cedo, ambos erraram, pois entraram em um relacionamento que a princípio parecia muito bom, mas com o passar dos meses e depois dos anos, se tornara muito angustiante.

O homem exigia que sua mulher fosse boa de cama, mesa e tudo mais. Ele não entendia que ela era apenas uma menina. Ela queria viver a vida de maneira tranquila, sem exageros e exigências. Ela pensava que o amor suportava tudo. Ela não sabia que para os homens, sexo é primordial. Então havia sempre problemas com aquele casal, porque, um queria uma coisa e o outro queria outra coisa. E viveram assim por muito tempo em um relacionamento quase infeliz. Não conseguiam se entender, mas tiveram filhos. Os filhos foram importantes para esse casal, como pais eles se saíram bem. E assim os anos foram passando, às vezes o casamento dava sinal de melhorias, outras vezes entrava numa fase difícil. E assim o tempo passou e passou... Sabem de uma coisa: esse casal aprendeu a viver. Entre muitos desentendimentos, se tornaram amigos. Hoje estão ligados por um elo muito forte de amizade e sem ressentimentos, transformaram o caos em ordem.

lita duarte

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SE

Se dependesse do meu querer, teria seis anos de idade e viveria naquela casa grande com meus pais e irmãos e ainda estaria brincando lá no quintal em cima das árvores. E aos domingos iria pra casa do tio Eurípedes. Iríamos de trem e chegando por lá eu logo o veria vindo ao nosso encontro naquele enorme avental branco e abrindo os braços pra mim diria: seja bem-vinda minha pequena arteira. – Hoje teremos para o almoço: nhoque com frango e de sobremesa quindim. E assim o dia passaria. Depois do almoço iríamos ver o rio grande, sim aquele belo e grande rio que me dava uma imensa alegria. Ficaríamos ali até o anoitecer e depois voltaríamos para casa sem pensar no amanhã, apenas descansaríamos e no outro dia tudo seria uma nova alegria – sem pressa, sem desespero, sem tédio e sem fim.

lita duarte

domingo, 23 de janeiro de 2011

REENCONTRO

Nunca imaginei que ao começar naquela "viagem" seguiria para lugares jamais pensados por mim.
Os encontros e os começos são muitas vezes fantásticos. Basta iniciar algo impensado para que um mundo comece se abrir numa velocidade algumas vezes estonteante. E assim a gente caminha, ora com muita alegria, mas também algumas vezes com certa tristeza, porque o bom de não planejar muito, são as surpresas, mas muitas vezes elas não são boas. E quando ouço os silêncios de minha alma, então me sinto bem, posso me alegrar com o que possuo, sim, tenho a mim! E como isso é bom. Também amo ouvir na quietude de uma manhã de domingo os pássaros cantando para que o dia desenrole na mais perfeita harmonia. E olha que harmonia é uma palavra com um som agradável. O bom de ouvir música e gostar de música é que a gente sempre está com alguma na cabeça. Não, não me prendo em estilos, se gosto, gosto e ponto final. E do que não gosto?  - Ora, não gosto de berros estridentes de gente doente, - digo doente de falta de bom senso, porque na doença que maltrata o corpo geralmente as pessoas ficam quietas, e quando gritam - gritam de dor real. Engraçado são os gritos de alguém que viu uma barata daquelas bem grande voando pela sala e depois pousou no cabelo de uma mulher idosa que falou assim: Que é isso moça, não precisa gritar! - E num gesto suave passou a mão pelo cabelo grisalho e apanhou a barata, pôs no chão e lhe deu um belo pisão. O inseto ficou ali, esmagado. E o curioso foi que minutos depois estavam ali para saborear tão magnífica refeição - elas, sim, elas: as formiguinhas. Essas que a gente vê por todos os lados, dizem que elas vão dominar o mundo, dizem que elas são formigas-argentinas. Será!
Bem, o fato é que a barata sumiu,- melhor: sumiram com ela.

Bem mas continuando na "viagem" que não tem fim, pensei muito em cores, mas tenho tentado pensar em preto e branco. Já imaginaram um mundo em preto e branco. Bem, no fundo seria preto, branco e cinza, porque o cinza é a mistura do preto com o branco. Gosto dessas cores. Também já imaginei um arco-íris sem suas cores, mas isso não seria possível! Ou seria? Então deixaria de ser arco-íris. No fundo as cores só nos fazem bem, assim como muitas pessoas que conhecemos e gostamos. E gostamos porque gostamos e ponto, sem uma razão especial ou porque num dado momento ficou estabelecido algum elo. Não sei, mas tudo sempre precisa ter uma razão de ser.
Sempre se exige uma explicação para tudo! Por que escrevo? Porque gosto e sinto necessidade de escrever. Já faz parte de mim. É isso aí.

lita duarte

sábado, 22 de janeiro de 2011

LIBERDADE EM PODER SER


Sabe do que me lembrei? Daquele garoto que tinha um sotaque espanhol. Um dia, depois de muito tempo de amizade, descobri que ele era do Pará. Ele havia estudado um pouco de espanhol e se sentia bem em falar naquele idioma. Mas como fomos fortalecendo nossa amizade, com o tempo ele foi se abrindo comigo, e um dia ele me disse que era Indígena, que seus pais saíram do Pará quando ele ainda era um bebê. Ele dizia que não era fácil sua vida em São Paulo. Porque havia muito preconceito e ele raramente falava de sua origem. Ele dizia que sempre lhe perguntavam se ele era chileno, ele apenas respondia que não. Sempre que procurava emprego, ficava com receio de ser identificado como índio. Na escola e no trabalho sempre havia aquelas brincadeiras de mau gosto em que os ignorantes falavam um monte de asneiras e assim provocavam cada vez mais o distanciamento dele de suas origens.
Também dizia que não foi nada fácil estudar e concluir um curso de faculdade. Precisou ter muita garra para não desistir. Com o tempo aprendeu a dar valor para o seu povo. Foi estudar sobre os povos Indígenas e descobriu um mundo novo que por ignorância tentava sufocar dentro dele

lita duarte

(Eu adoro essa foto do Alex de Almeida)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

QUEM É ELA?

Por que você fechou a porta? Ah, você queria que eu quebrasse minhas mãos de tanto bater nela. Será que descobri o seu segredo? Você gosta de sofrer, por isso quer ver o sofrimento dos outros. Masoquista! Ou será que você nem sabe o que quer? Tem gente que gosta de sofrer. Eu já vi várias pessoas assim.- Sandra era assim, também a moça viveu grandes perdas. Mas de vez em quando ela pirava, achava que a gente não entendia o que se passava com ela.

-Perdi meu pai, minha mãe, primo querido e o namorado. -É, eles morreram cada um no seu tempo. Eu estou aqui, vivinha. Quando será que Deus vai se lembrar de mim. Acho que Ele nem quer saber de mim. Também não é pra menos. Tenho dado os meus vacilos.

-Sandra, que vacilos são esses? Se você se sente em dúvidas com Deus é porque está questionando suas escolhas. -Já sei, não está aguentando conviver com suas mentiras.

-Minha amiga, eu me sinto péssima sim. Eu não queria me envolver com alguém que tivesse uma esposa e filhos. Eu não escolhi gostar de alguém e sofrer. Aconteceu! Viver é uma caixa de surpresas. Agora estou aqui, colecionando mais uma desilusão. Quando é que eu vou aprender! Será que é preciso acontecer alguma coisa a mais! Também não escolhi mentir, mas menti. Só sei de uma coisa, vou colocar um fim nessa situação. Nem é tão bom o envolvimento com essa pessoa. No fundo, eu sei que o fulano não me ama, ele só quer me usar. E eu muito burra e por causa das minhas carências, me deixo iludir.

-Sandra, quando eu olho para você fica nítido o quanto você se sente infeliz. Mudar é uma questão de decisão. Pega suas mágoas e apague-as. Aliás, essa coisa de mágoa é muito ruim, isso detona com a gente, acho que desilusão é algo que ninguém gostaria de ter, mas quem já não passou por uma? Às vezes, algumas pessoas nos causam decepções, mas ficar sofrendo e se torturando é demasiado angustiante. O bom e passar pelas experiências e ficar com o lado bom das coisas. E você tem algo bom a seu favor: sua juventude. Aproveita e desaprenda tudo que é ruim. Recomece um novo tempo, agradeça a Deus por ter tido contato com pessoas queridas e que hoje não estão mais aqui. Lembre-se: só você pode mudar sua vida.

-Amiga, quando você diz tudo isso, dá vontade de rir, parece que é tão simples, mas nada é simples. Aliás, eu nem acredito nessa coisa de simplicidade. Nós somos complicados pra caramba! Agora estou me sentindo leve, mas eu sei que daqui uns dias eu vou me deprimir, sei lá, eu já estou prevendo, porque é assim que acontece. Eu me conheço. Nada muda! Eu tento me esforçar, mas uma coisa qualquer sempre me pega pelo pé, ou seria ela? É, ela se arrastando na minha direção e me fazendo tremer na base. Ela que é dona da situação, que me faz mal e bem...

Continua...


lita duarte

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O BEBÊ DE JOANA

Aquela menina estava ali, em cima de uma cama após ter dado à luz. Ela sofria. Embora para algumas pessoas o olhar daquela menina parecesse calmo e tranqüilo, em seu peito queimava uma dor. Só quem passa pelo inferno pode saber como dói sobreviver a ele.

Era o ano de 1974, Joana estava com dezesseis anos e já estava “perdida na vida”- assim diziam alguns de seus parentes mais próximos. Tudo porque, Joana havia se engraçado com um menino que se achava muito homem, mas não se sentia responsável pelo bebê que ela carregava no ventre. Resultado de um envolvimento fora de hora e sem preparo, mas alguns diziam: Que se casem e vão cuidar da vida! Tiveram capacidade para fazer um filho, então, que tenham capacidade para enfrentar a vida. Ora, tanta gente casa cedo.

Dias e dias se passaram e o bebê cresceu no ventre da menina, faltavam poucos dias para ele nascer. Nessa altura da vida, Joana estava só. Seu namorado sumiu! Ele dizia que gostava tanto dela e que nunca lhe deixaria. Pois sim, ele a deixou. A família de Joana não quis saber da menina. Seus pais eram pessoas estranhas, tratavam os filhos com distanciamento, sem afeto e sem emoção. Restou para a menina a caridade de uma tia velha, que fez o favor de lhe internar em um abrigo maternal. Nesse local onde eram recebidas mulheres grávidas sem condições de cuidarem de seus filhos, havia um programa de adoções. Muitas vezes, “as mãezinhas”, assim eram chamadas as meninas adolescentes, - nem sabiam direito o que estavam fazendo ali. Na maioria das vezes elas entregavam os filhos para adoção, sem a menor informação do procedimento. Para algumas era dito que o bebê havia morrido. Então, a mãezinha ficava muito triste e ia embora, sabe-se lá para onde.
Com Joana aconteceu assim.

No dia do nascimento de seu bebê, ela foi levada para uma sala, um médico lhe fez um procedimento cirúrgico, o bebê nasceu saudável. Joana dormiu e só acordou no dia seguinte. Ao abrir os olhos, Joana deu de cara com uma enfermeira lhe fazendo curativo. Joana dizia que estava sentindo dores e que estava com sede. A enfermeira era muito rude e deu uma resposta mal educada. Então Joana perguntou sobre o bebê. A enfermeira respondeu: Seu bebê morreu! Mas não liga não, você é nova e tão bonitinha, logo vai arrumar um marido e um novo bebê. Isso, se você não cair na lábia de um cara qualquer que vai te fazer de boba, um filho e depois sumir

Pobre Joana saiu do abrigo maternal após uma semana de ter dado à luz. Sem o bebê, sem namorado, sem família e sem rumo na vida.

lita duarte

Texto baseado em fatos reais.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

LÁ EM PARATY


Quando cheguei naquela cidade em uma tarde de quinta-feira, no mês de junho, ouvia no rádio uma música que eu gosto muito. Parei o carro, o som me embriagava juntamente com uma brisa refrescante que vinha do mar.
O som da guitarra do Carlos Santana me fazia viajar no Samba PA Ti. Toda vez que ouço essa música me dá uma saudade não sei de quê?

lita duarte

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DIAS FELIZES


Nada como ter uma boa rotina para que a gente seja feliz.

Este começo de ano está sendo completamente diferente dos anos passados. - Tudo sempre é diferente, hehehehehe! Mas é engraçado perceber o passar dos dias e já não se importar com coisas que em determinado momento foram tão importantes. - E por outro lado, saber que realmente há tempo para todas as coisas aqui, nesse momento na Terra.
E como diz uma velha e boa amiga: O bom da vida é prosseguir.

lita duarte

sábado, 8 de janeiro de 2011

A FESTA


Quando o Biél fez dezoito anos em 1974, ele fez uma festa na casa dele e convidou todos os seus amigos. Naquela época o Biél era totalmente roqueiro e seus amigos eram de várias turmas.
Havia a turma dos roqueiros, e outras tantas que curtiam rock, mas também curtiam outros sons.
Eu não era de nenhuma turma, porque curtia sons os mais variados. E também era muito nova e só fui à festa do Biél, porque uma amiga dele me chamou para ir junto com ela. Ela sabia que o Biél estava afim dela, então queria ir com alguém tipo: se não rolasse nada, ela não ficaria mal.

Chegamos à festa. Foi muito bom, eu me senti a tal. Havia muita gente bonita, uns caras lindos e umas meninas muito bonitas. Todo mundo ali, era muito jovem, mas pareciam mais velhos, já se sentiam os “bem encaminhados na vida”.

O Biél nos recebeu muito bem, atencioso e gentil e nos apresentou várias pessoas.
Ele queria ficar de papo com minha amiga, então me apresentou um cara muito interessante, era o espanhol. O cara era muito doido, ficava brincando com todo mundo, fazia a maior zoeira. De vez em quando, ele pedia para o cara que estava cuidando do som para botar uma música especial, então começava a cantar e dava o maior show.

Estava tudo indo muito bem, até o espanhol começar a querer fazer zoeira com o Biél.
Ele queria dar um banho no Biél. Zoeira de aniversário que estragou a festa.
O Biél, percebendo o que iria acontecer, correu para o seu quarto e se trancou lá dentro e sozinho.
Todo mundo ficou esperando que o Biél voltasse para a festa, mas que nada, passaram-se muitas horas, o som rolando e a moçada na maior agitação, dançando, conversando e festejando!

O Biél, não saiu do seu quarto, então como já era muito tarde a festa acabou. Cada um foi para seu canto, mas todos ficaram chateados com o Biél, eu só ouvia as pessoas dizendo: Que cara chato, não sabe brincar! Que será que deu nele! Pirou!
Minha amiga, coitada, ficou decepcionada com o comportamento do Biél, e disse: Isso não é comportamento de um cara que está afim de uma menina, que infantil!
Eu não disse nada, só balancei a cabeça concordando com ela.

Mas sabem de uma coisa: Eu gostei da festa, lá eu ouvi pela primeira vez o som do Yes. Nossa! Foi sensacional! Nos dias que se seguiram eu só queria saber do Yes. Ganhei o album Yessongs, e não cansava de ouvir o disco e cantar suas músicas.

Naquele mesmo ano uma pessoa muito querida da minha família casou ao som do Yes.
Nossa! Foi sensacional, mas essa já é outra estória.

lita duarte

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"O APRENDIZADO" Conclusão - parte 3

-Senti medo, claro que sim. O meu sonho foi bom, mas assustador. O mar é um encanto, mas ao mesmo tempo assustador. Voz grave ou doce, não importa. Importa que haja voz. Eu queria continuar sonhando, mas acordei.

-É sempre assim; no melhor do sonho a gente acorda. Toma um susto e acorda. Eu não tenho medo do mar, aliás, eu não tenho medo de nada, tenho respeito. Medo só atrapalha. Eu queria sonhar com alguém que viesse na minha direção, me pegasse pela mão e que não ficasse com medo de mim. É, o pior é saber que as pessoas têm medo da gente. Isso sim é terrível.

-Eu só quero continuar vivendo e sendo feliz com o que tenho. Já não espero nada de ninguém. Sigo em frente e só.

-Talvez você esteja certo, melhor não criar expectativas. O melhor é seguir. Viver é reagir, é lutar para sobreviver.

lita duarte

Texto dedicado a Dra Rosana O. Freitas.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"O APRENDIZADO" Amigos - parte 2

-Não estrague as lembranças boas, não esmague o que eu guardo em meu coração. Tive que aprender a caminhar sozinho. Um dia me chutaram do ninho... Voei! Quando cai aqui, pude ver que você também estava no frio e tentando sair do limbo. Hoje, me sinto só, mas caminho feliz. Um louco, não é louco porque quer, e não é por ser louco que ele é tão criativo. Faço da arte um pouco da minha vida. Se pudesse ficaria sóbrio, mas não mando no Dono do Mundo.

-Somos dois. - Quando eu era pequeno, me perguntavam o que eu ia ser quando crescer. Eu dizia que queria ser um besouro, então, todo mundo ria. Sei o que minha mãe passou, mas hoje, tudo acabou.

-Não lamente, sinta que ainda há tempo para você.

-E você? Vai jogar a toalha! É fácil desistir, difícil é lutar até o fim.

-Já disse que me sinto feliz e assim ficarei. Nada e ninguém me farão mudar o meu estado. Isso porque eu nem te contei o sonho que tive na noite passada. Foi de arrepiar. Depois eu conto.

-Nada disso, conte já. Você sabe que eu detesto deixar as coisas para depois. Depois, pode não chegar.

-Não quero estragar o momento.

-Vai estragar se não contar o sonho.

-Está bem. Escuta! Eu estava diante do mar, mas era um lugar estranho, eu nunca havia estado ali, aquele lugar era de uma beleza fora do comum. Do fundo do mar saia uma voz que dizia o meu nome. Era doce e angelical essa voz, me chamou várias vezes e dizia para eu entrar no mar e nadar, quando tomei coragem entrei. Nesse momento senti um frio e um arrepio, então acordei.

-Que sonho! Na hora que o bicho ia pegar você acordou, ah, que sem graça. E me diz por que anjo tem que ter voz doce! Eu quero o meu anjo de voz grave, bem grave. Espera aí... Será que era um anjo? Você ficou com medo? Por que você sentiu medo?

continua...

lita duarte

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"O APRENDIZADO" Inquetação - parte 1

LOUCURA NÃO TEM CURA

-Você é um homem ou um rato?

-Sou um rato, e dai!

-Nada, nada... eu já sabia. Só queria uma confirmação.

Esse diálogo me mata de cansaço. Esse louco não pode me ver que já vem com essa mania de me chamar de rato. Eu nem sei como foi que isso começou. Acho que foi por causa da primeira briga que tivemos. É, foi sim. Também tem o ciúme que ele sempre teve por mim. Essa criatura pensa que é meu dono, só porque somos amigos. Um dia ainda me canso dele e mando que vá para o diabo que o carregue, ah, já estou falando asneiras. Gosto dele, mas paciência tem limites, ora se tem. Já faz tempo que conheço esse sujeito e sempre foi assim, brigamos o tempo todo. Será que isso é normal? Gosto dele, mas por que sempre brigamos? Explicações! Precisamos delas, sempre.

-Estou indo embora.

-Como!

-Cansei! Só isso. A gente se conhece faz tempo. Estou me sentindo velho e desanimado e só tenho trinta e sete anos. E você não é um rato. Eu sou confuso e sem rumo. Já nem sei o que pensar. Acho que foi a queda que tive quando ainda era criança, acho que fiquei mal da cabeça. Ou talvez não seja nada disso. Talvez sejam as escolhas que fiz.

-Ainda bem que não sou mais um rato, amigo. Mas você vai pra onde já que se sente confuso e sem rumo. Não tome decisões precipitadas. Aqui é melhor que sair por aí.

-Agora que tomo coragem para fazer alguma coisa você me diz isso!

-É que estamos no mesmo barco, loucura não tem cura, só controle. Se você sair daqui, lá no mundão você vai ser tragado, aqui somos bem tratados, não nos falta nada.

-Olha quem fala! Não era você o cara rebelde que fazia e acontecia!

-Pois é, só que agora eu já não sou tão jovem. Tenho que me controlar. O tempo passou rápido demais. Envelhecer é muito bom, mas causa limitações. Sei o que posso e o que não posso. E isso, só se aprende com o tempo. E não pense que por ler demais você vai encontrar respostas. Pare de achar que o mundo só acontece na sua cabeça e que só você sabe o que é o sofrer. Abra essa janela que você mantém fechada e deixe o ar entrar. Sinta o cheiro da vida, porque da morte nem quero saber, ela sempre vem. E hoje faça algo diferente só para variar.

-Para você é fácil falar. Você não passou o que eu passei. Tive que aprender o que não sabia, eu não sou forte e não consigo me fazer de forte, então fico calado, parado, mas já aprendi que sofrer é a minha vida.

-Mas não acumule ódio e rancor, senão perderá o sabor da melhor parte da vida. Não fuja, não finja, reaja. Esse tempo na terra é um só e não tem volta.

continua...

lita duarte

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

AREIAS DE COPACABANA




Enquanto D. e D. faziam uma longa caminhada pelas areias de Copacabana, eu fiquei sentada de frente para o mar na longa faixa de areia observando os turistas.
Foi o máximo! O sol estava fraco – bom pra mim, hehehehehe. Pude ficar ali à vontade e sem me queimar.

Copacabana ainda exerce um fascínio em muitas pessoas. E eu que, em vários anos morando aqui no RJ, nunca havia parado ali, para ficar observando turistas daquela maneira especial. Foi um momento fora de série. Eu podia ouvir os idiomas, os sotaques. Era uma sensação muito boa poder ver os variados comportamentos das pessoas. Os jovens - esses sempre são encantadores com suas manifestações exageradas, e não importa a nacionalidade.

Foi bom ficar ali nas areias de Copacabana e ver o mar em um domingo. Aliás, o primeiro domingo do ano.
É o que eu sempre digo: Adoro o dia de domingo.:)

lita duarte