ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

terça-feira, 28 de junho de 2011

VIDAS


POR QUÊ?

Pessoas partem e chegam em todo o tempo em nossas vidas. Mas por quê?

É muito estranho quando pessoas saem de nossas vidas por que querem. Elas chegam, nos fazem ficar gostando delas, mas depois, somem! Algumas, aindam deixam pistas, mas outras, simplesmente desaparecem, então a gente se pergunta: - O que será que eu fiz? Pergunta errada.- É, nós sempre fazemos essa pergunta, mas deveria ser outra. Deveria ser: - O que aconteceu?

Tive três pessoas muito queridas que sumiram, uma deixou rastro, mas outras duas sumiram, não sei se morreram, se estão doentes, ou se simplesmente sumiram por vontade própria.

Eu confesso que não consigo entender certas atitudes, mas cada qual sabe de si, mas também penso que alguém com quem compartilhamos momentos de tristezas e de alegrias, poderia ser um pouco mais humano e de vez em quando dizer um OLÁ.

Estive em um lugar maravilhoso, pude visitar um cemitério antigo, ele fica atrás de uma igreja e tem vista para o mar. É lindo demais! Senti uma vibração muito boa por estar ali. É uma mistura de épocas e paisagens. Só estando lá para poder sentir o que eu senti.

Tudo isso para dizer que: -Enquanto estamos vivos... vivamos! Alegria é ter tempo para poder dizer que: HOJE O DIA É MAIS BONITO.

lita duarte

terça-feira, 21 de junho de 2011

COMPANHEIRA


Os toques dos meus dedos sobre ela, foram constantes durante muitos anos. Ela sempre foi fiel e companheira, nunca me abandonou! Na tristeza e na alegria, ela estava ali.

Hoje, ela ainda está ao meu lado, mas apenas para o meu prazer em ver que ela está presente, quietinha e preservada.

lita duarte

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A MACARRONADA E O SONHO


Naquele dia, o sol ardia. O marzão estava ali na minha frente me chamando. Entrei nele cheia de vontade de nadar. – E nadei, nadei, nadei e pensei: Ah, desse jeito eu chego do outro lado do mundo a nado, - sonhava dentro d’agua. Porque quem sonha; sonha até debaixo d’agua. Quando percebi, estava muito distante da praia, de longe eu via tudo pequenino. -Começava anoitecer. Pensei: E agora! Tenho que voltar bem rápido, tenho medo de ficar na água de noite, não dá para ver nada, - se um bicho me atacar! Ai, ai, ai... Tenho que voltar correndo, - melhor, - nadando o mais rápido possível. Nadei, nadei e nadei, mas não conseguia sair do lugar, gritei, mas ninguém me ouvia chamar. Afundei naquelas águas que já estavam escuras, quando consegui subir, não vi mais nada, pensei: será que morri! Estava tão escuro então, gritei, mas ninguém ouviu. Então lembrei que não sabia nadar. Gritei novamente, nesse momento minha mãe entrou no quarto e disse: - Tá louca menina! O que você está fazendo caída aí no chão. Eu disse para minha mãe: - Tive um sonho horrível, que parecia bom no começo, mas depois fiquei com muito medo. Minha mãe que já passou por alguns perrengues, me disse: - Sonho é assim mesmo; parece bom mas depois vira um pesadelo. – Cristiana, eu já te falei para não comer macarronada e ir dormir, você é teimosa, foi por isso que você sonhou e caiu da cama. – Um dia desses você vai morrer de congestão! Onde já se viu, comer e deitar, você tem cada uma!

Fiquei preocupada com aquela conversa toda. Falei para minha mãe: - Mãe, você acha que era a morte me chamando? Porque agora que você falou tudo isso, me deu um medão! Então minha mãe respondeu: - Filha, não se preocupe, quando aquela danada chegar, você vai saber. Daquela famigerada não dá para fugir, e nem dá para enganar. Fica tranquila, foi só um sonho bobo que você teve.

A partir daquele dia, fiquei com medo do mar. Toda vez que olho pra ele, fico arrepiada de medo. Fiquei com essa impressão ruim depois de um sonho. Minha mãe me diz que é bobagem, e que eu devia parar de comer macarronada e depois ir dormir. Será que minha mãe tem razão! Uma coisa é certa, não tenho sonhado daquele jeito, mas estou seis quilos mais gorda.

lita duarte

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O VELHO J.


O velho dizia: O que vocês estão pensando! O mundo não será o mesmo, nunca mais. E o que vocês fazem para mudar esse quadro!
Ele era uma figura forte e um pouco assustadora, não em sua aparência, mas pelo jeito que falava. Porque falava com muita autoridade.
O velho costumava sentar na praça. Era uma pessoa cativante, por causa das estórias que contava. Ele ensinava muita coisa boa através daquelas estórias. Ele era uma pessoa muito conhecida que vivia dizendo que amava toda a Natureza. Tinha muita fé em Deus, mas dizia que Deus habitava em todos os lugares, por isso, não estava aprisionado em nenhuma igreja ou religião.
Certa vez, o velho contou uma estória que dizia assim: Tive um sonho, nele uma forma de vida muito estranha me dizia que os dias da Terra estão por um fio, existe um perigo grandioso que não estão vendo. Todo o mal que estão fazendo para o planeta, será cobrado. Haverá muitos flagelos, mas uma coisa invisível irá acabar com tudo. Essa coisa vai produzir muitas doenças e não haverá cura, porque já não existirá o elemento que poderia eliminá-la. Há coisas que não podem ser revertidas.
O velho, muitas vezes causava irritação nas pessoas, porque as pessoas só queriam ouvir estórias bonitas e com final feliz. Quando ele dizia coisas terríveis, ele mesmo dizia assim ao terminar uma estória: Eu só queria falar de coisas bonitas, mas quando percebo já estou dizendo coisas que nem sei bem como elas me chegam.
lita duarte

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A ESCOLA


Quando eu cheguei naquela cidade, não imaginava o que me aguardava. Fui lá para dar aulas em uma escola que ficava em uma vila muito distante. Algumas pessoas me disseram que eu não devia ir lá. Disseram que era um lugar perigoso, e que alí só havia gente ruim. Como eu precisava trabalhar e queria fazer valer o meu aprendizado, arregassei as mangas da minha camisa e fui à luta.

De fato, encontrei um lugar muito pobre e sem recursos. Pessoas muito conformadas com suas vidas. Crianças não faltavam! Havia muitas crianças. O prédio da escola estava em ruínas, havia três salas de aula e uma secretaria.

Quando comecei a dar aulas, fiquei muito chocada com algumas cenas que presenciei.

Certa vez, um aluno de sete anos chegou perto de mim, e disse que estava doente. Eu perguntei o que é que ele estava sentindo e qual era sua doença. Ele respondeu que estava com sarampo. Eu olhei bem para ele e disse que ele precisa ir para casa, porque não podia ficar na escola junto com outras crianças. Ele respondeu que não queria ir para sua casa, porque a escola era o lugar onde ele mais gostava de ficar. Eu disse que ele precisa ficar separado das outras crianças, porque o sarampo poderia passar para os outros alunos. Então ele me disse que já estava sarando. Foi aí que eu pedi para olhar os seus braços. Ele ficou encabulado, mas deixou. Quando eu vi os braços daquele aluno, tive vontade de chorar. Seus braços estavam marcados com vergões enormes, então pedi para que ele tirasse a blusa para que eu visse suas costas. Infelizmente constatei algo terrível! Aquela pobre criança havia sido espancada. Fiquei em uma situação difícil. O que eu poderia fazer!

Fiz curativos no aluno, depois fui com ele até sua casa. O lugar era muito estranho, confesso que tive medo, mas não recuei, falei com sua mãe, ela me disse que o seu marido quando bebia, espancava os filhos. O que fazer nessa situação? Eu disse para aquela senhora tentar evitar que seus filhos fossem maltratados, que ela procurasse ajuda. Ela me disse que gostaria de ser ajudada, mas quem faria isso por ela. Quem lhe daria ajuda.Fiquei em um beco sem saída, porque minha boa vontade em ajudar não era suficiente. Sozinha era difícil conseguir alguma mudança.

Com o passar do tempo, algumas coisas melhoraram, mas ainda existe muita precariedade por lá. Falta água, falta asfalto, falta merenda. O que tem de bom, é que os pais de alguns alunos tomaram contato com a vida escolar de seus filhos, isso fez uma boa diferença, porque conseguimos um melhor relacionamento entre pais e seus filhos.

lita duarte

(texto baseado em fatos reais)