ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

domingo, 25 de dezembro de 2011

ALEGRIAS




Momentos são... momentos tão... momentos passam, mas o que fica é bom.

lita duarte



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MEMÓRIAS DE ONTEM


O caminho era verde, o rio percorria o vale. - Embora a viagem fosse cansativa, pairava uma alegria por saber que encontraríamos o que queríamos. - Contemplar a Natureza com toda beleza e harmonia, isso dava um ânimo fora do normal. Aquele dia foi especial e totalmente alegre.

lita duarte

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A ALDEIA

Januário era um ser com algo de primitivo que lhe deixava encantador.


Quando chegamos naquela aldeia de pescadores, não imaginávamos que teríamos momentos tão profundos. O lugar era lindo, um pedacinho do céu, tudo naquela aldeia tinha um ritmo vibrante e cheio de vida. Não havia por lá nada que nos tirasse do contato íntimo com a natureza. Dormíamos e acordávamos com a eterna música do mar.


Crianças por todos os lados, homens trabalhando no mar ou na lavoura de hortaliças, mandioca e milho. As mulheres cuidando da casa, dos filhos, e fazendo artesanato de madeira e barro. Algumas mulheres davam aula na pequena escola da aldeia.


Januário era um homem de uns quarenta anos, moreno, queimado de sol, cabelos encaracolados, olhar sereno voz macia e grave, robusto, alto, muito alto e de uma generosidade, uma paciência e educação que chegava a impressionar. Ele tinha uma família muito bonita, esposa e dois filhos, ele era construtor de casas, todo mundo na aldeia chamava o Januário, quando queria construir uma casa. Ele, além de construir casas, também gostava de cultivar uma horta que mantinha no seu quintal. Em sua horta, além de verduras como couve, almeirão e chicória, ele também plantava ervas medicinais. Sempre aparecia alguém na casa dele para pedir algum tipo de erva para curar alguma doença, o mais interessante é que ele parava o que estava fazendo para ir colher a planta que a pessoa precisava, isso quando não havia a planta seca.

Quando estávamos lá, tive a oportunidade de ver quando ele atendeu uma senhora que foi buscar umas ervas para fazer um chá para seu filho de quatro anos que estava muito doente. Januário perguntou para a mulher: Como está o seu filho? Ele sente dor em que parte do corpo? Precisa tomar cuidado com o que vai dar para ele, porque tem planta que precisa ser usada com muito cuidado, se usar de mais, vira veneno. A mulher respondeu: Seu Januário, o menino está com uma barriga muito grande, está sem dormir e chora muito, eu não sei o que fazer, tenho que ir na cidade para passar com ele em um médico, mas é tão longe que preciso fazer alguma coisa para acalmá-lo. Januário respondeu: Acho que seu filho está com vermes. Leva essas folhas e faz um chá pra ele tomar, você vai ver que nem vai precisar passar com ele no médico, mas para de dar doces pra ele, o chá precisa ser tomado sem açúcar, se ele não conseguir tomar, então coloque um pouquinho de açúcar só para dar um gostinho. Depois disso a mulher agradeceu pela atenção e foi embora.


Ali naquela aldeia o tempo parece que havia parado, o relacionamento entre as pessoas tinha algo de bom, havia solidariedade e alegria. Tudo era tão limpo, tão harmonioso que parecia um sonho.


lita duarte



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"PASSAGENS" - Lembranças

Foi só abrir o frasco de um produto de limpeza, e sentir um cheiro bom e agradável, que logo voltei no meu tempo de infância. Lembrei de um cheiro especial que eu sentia em alguns funerais. - É, a morte tem dessas coisas, deixa boas lembranças também - assim como quase tudo na vida.


1967, Barretos – SP, naquele tempo em que eu era muito pequena, morava naquela cidade ensolarada e onde eu vivia acontecimentos marcantes para toda minha vida, lembro que morria muita gente por lá – sempre morre muita gente em todos os lugares, mas parece que nunca nos acostumamos com isso. - Bem, eu me lembro de que algumas vezes os funerais tinham uma paz e um aspecto de compreensão, pelo fato de que alguém havia partido e não voltaria mais. - Lembro que algumas vezes eu sentia um cheiro de rosas misturado com pinho, era um cheiro muito agradável - não sei, mas antigamente, talvez porque os velórios eram realizados nas casas dos familiares do morto, havia um cuidado para que se ficasse com uma boa impressão na hora dessa passagem.


lita duarte

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"TERRA VIVA"

Há certos lugares que são encantadores, poder estar em um deles é mesmo um presente de Deus. O contato com a Natureza é tão profundo, que faz a gente se sentir totalmente em paz.
Dá uma sensação de que realmente a gente precisa de muito pouco para ser realmente feliz.

lita duarte

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"Não deixo para amanhã o que eu posso falar hoje"

Teca, liberdade não é somente poder escolher. - Liberdade é saber escolher bem. Pare e pense: se você pode escolher passar por um caminho onde vai poder caminhar com segurança, porque você escolheria um caminho onde você sabe que poderá ser assaltada. - Informação nunca faz mal, saber demais... nunca ninguém sabe demais, sempre somos ignorantes em alguma coisa, tudo bem. - O importante é buscar o conhecimento, principalmente aquele que liberta, porque eu e você sabemos que há muito conhecimento sendo passado por aí, mas que na verdade são ciladas, armadilhas, portanto é preciso sim, se doutrinar, só assim a gente tem condição de fazer escolhas mais acertadas.

Não, não sou dona de nenhuma verdade, apenas busco o equilíbrio, também já caí em algumas armadilha por falha minha, - me deixei levar por algum tipo de desatenção.


Preste mais atenção aos sinais, não se deixe iludir por coisas muito exuberantes. - Quando você assiste um filme, por exemplo: preste atenção na luz... na iluminação, existem mensagens poderosas nas imagens, não fosse assim, não haveria tanto lucro por parte das propagandas sobre produtos que muitas vezes nos causam males, mas que infelizmente são consumidos absurdamente, isso porque a mensagem já foi passada e propagada.

É isso aí, Teca.


lita duarte

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"SOM NA CAIXA"

Um dia, o senhor Tito cismou de comprar um aparelho de som, daqueles modernos para a época de 1973. Pois bem, ele queria mostrar para seus amigos, que estava muito moderno, então comprou aquela aparelhagem, - é, ele dizia assim: Minha aparelhagem de som vai chegar no sábado, ela é muito moderna, não tem nada a ver com essas vitrolas antigas que vocês usam. Os amigos já sabiam como era aquele sujeito, então faziam piadas: Ora, ora, Tito! Nossas vitrolas antigas tocam muito bem, já essa sua aparelhagem de som, não sabemos não! Onde você comprou? Foi na loja? Ou você mandou buscar no estrangeiro?
Tito respondia: Já sei, vocês estão com inveja, vão ver só a hora que aquela belezinha chegar por aqui. E eu não tenho que dar satisfação nenhuma de onde comprei, tá bom.

Os dias foram passando e nada da aparelhagem de som do senhor Tito chegar, ele já estava com a pulga atrás da orelha, - ah, esse é um dizer antigo... bem continuemos. O que mais estava afligindo o senhor Tito, é que ele havia pago uma grana alta pelo produto que estava demorando para chegar. Ele havia comprado a aparelhagem de som, de um sujeito que conheceu numa partida de futebol, o sujeito falou que tinha tal produto e levou o senhor Tito na conversa, porque ele só viu o produto através de foto, ele confiou no sujeito, porque o sujeito era amigão de um jogador que ele conhecia. Pior de tudo, é que o dinheiro que dona Candinha estava juntando para comprar uma máquina de costura nova, também foi usado para comprar a aparelhagem de som que nunca chegou, mas o senhor Tito, ficou tão descontente que mandou procurar o sujeito e juntou uns caras que deram a maior surra no vendedor que não entregava os produtos. É, mas o senhor Tito se deu mal, porque o sujeito denunciou ele para um delegado seu amigo, - sempre, os maus sujeitos possuem alguém com quem podem contar, impressionante! - Bem, mas continuando, o senhor Tito teve que passar uma noite na cadeia, e quem salvou a pele dele foi dona Candinha que, no dia seguinte foi pedir para o delegado soltar seu marido, porque ele era um homem trabalhador, um pouco agitado, mas que ela sabia que no fundo ele era bom.

O senhor Tito e sua Candinha foram para casa, ele sem sua aparelhagem de som e ela sem o dinheiro da máquina de costura, mas o sujeito golpista se deu bem, ele vendeu a aparelhagem de som para mais uns dez otários de plantão.

Ah, o senhor Tito prometeu para dona Candinha, que iria com ela em uma loja especializada em máquinas de costura e compraria uma bem novinha, nem que fosse para pagar em suaves prestações.
Ele também prometeu para sua amada que, nunca mais iria mandar seus amigos bater em alguém, porque na verdade ele não gostava de violência, aquela atitude foi muito tola.


lita duarte

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CABEÇA DE JAVALI

Quando abri aquela caixa, achei muito estranho o que vi. Lá dentro olhando pra mim, havia uma cabeça de javali embalsamada, e também um diário feito em um caderno com uma capa de couro de cobra.

Pensei: Nossa, o velho era estranho! Confesso que tive vontade de jogar aquela cabeça fora, já o diário me interessou muito, dei uma lida em algumas páginas e fiquei curiosa. Abri em uma página que dizia assim: Como foi terrível trabalhar com aquela atriz loiríssima, linda, mas com um mau hálito! Não aguentei, tive que pedir para que ela chupasse umas balas de hortelã que eu mesmo levava pra ela. Nunca entendi uma mulher linda com mau hálito, me deixava de mau humor, aquilo era terrível demais. Sentia um arrepio só de pensar que tinha de beijá-la. Não havia jeito, em nome da arte me submetia ao sacrifício.


Resolvi guardar a cabeça de javali, o diário do velho, eu ia lendo e descobrindo coisas muito loucas, aquele homem era muito doido, ele saiu de casa com dezoito anos, ele morava em João Pessoa – Paraíba, um dia resolveu que ia embora para São Paulo, não queria ser como seu pai, um militar. Um dia, ele sismou e se mandou, deixou uma carta para sua mãe dizendo assim: Mãe, vou embora daqui, não sei se volto, não fique triste comigo, já sou um homem, quero ver outras coisas por aí, não aguento meu pai e nem esse lugar. Fica em paz. Ele partiu e só voltou para visitar sua mãe quando estava com trinta anos.


Outro dia, recebi um telefonema, era o sobrinho do velho, ele queria saber se o seu tio havia deixado alguma coisa pra mim, eu disse que sim e que ele havia deixado uma cabeça de javali embalsamada, então ele respondeu: Meu tio devia ser maluco, isso é coisa que se deixa para alguém. Eu respondi: Se você quiser pode vir buscar. Ele disse: Não, eu queria o diário de meu tio, eu sei que ele tinha um. Ele não falou para você que tinha um diário? Respondi: Não, ele nunca me falou em diário. E era verdade, o velho nunca me falou sobre o diário. Então, o sobrinho do velho disse um até logo e desligou o telefone. Fiquei pensando, entrego ou não entrego o diário para o sobrinho do velho.


Como resolvi não entregar o diário para o sobrinho do velho, continuei lendo. Certo dia, abri em uma página que dizia assim: Odiei ter ido caçar javalis só para agradar o pai daquela ingrata. Ela fingia o tempo todo que gostava de mim, mas só queria me usar. Vou guardar suas jóias dentro da cabeça de javali que recebi de presente de seu pai, nunca mais aquela infeliz vai encontrar o precioso tesouro que tanto gosta. Não tive dúvida, corri e peguei a cabeça de javali e remexi dentro dela, mas não encontrei nada, pensei: Alguém deve ter tirado as jóias daqui, acho que foi o sobrinho do velho, melhor assim. Guardei a cabeça do javali no fundo de um armário e fui cuidar da minha vida.


lita duarte


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O VELHO E A CAIXA

Da primeira vez em que o vi, ele foi falando: É, minha filha não se espante, sou eu sim, aquele moço das novelas, tá certo que agora pareço um monte de ossos, mas já fui muito bonito, eu era muito querido. Agora estou aqui nessa casa de repouso, graças ao coração de meu sobrinho, tá certo que ele só me visita duas vezes por ano, mas ele paga todas as despesas desse lugar, incluindo médicos tratamentos e tudo mais, ele nem era um sobrinho para quem eu dava atenção, na verdade, eu mal o conhecia, é, mas o garoto tem bom coração, cuida desse tio aqui.

Eu olhei para o homem que não parava de falar e disse olhando para o braço direito dele, que estava enfaixado: O que aconteceu com o senhor? Seu braço está enfaixado por quê? Eu vim aqui para que o senhor pudesse fazer atividades artísticas, mas com o braço nesse estado, acho que não vai dar.

Ele respondeu: Não filha, eu consigo movimentar o braço esquerdo, embora não seja canhoto, mas quero muito começar uma atividade nova, ficar aqui sem fazer nada é muito chato.

Olhei para ele e me apresentei, disse que iríamos trabalhar com desenhos livres, perguntei a ele qual era seu nome, então, ele começou falando quem era e as coisas que fez, de como foi bom ter trabalhado na TV e no Cinema, mas que infelizmente gastou todo o dinheiro que ganhou com mulheres e outros vícios, era engraçado ouvir aquela voz forte em um corpo frágil, embora ele estivesse se sentindo só, fazia um esforço danado para provar o contrário. Ele me falou de seus filmes e suas novelas, de como era assediado pelas mulheres, mas hoje em dia, só mesmo enfermeiras e pessoas voluntárias que apareciam ali para se comunicar com ele, mas ele dizia que ainda queria poder ter um pouco de saúde para poder sair sozinho pelas ruas.


Uma vez por semana eu ia visitar o “velho falante”. Na verdade, era muito bom o convívio com ele, pois, ele falava e falava... eu só ouvia e dizia para ele pintar os desenhos que fazíamos juntos, era uma atividade recreativa, portanto, o mais importante era que ele pudesse se distrair. Quando eu ia embora ele dizia: Você podia vir todos os dias, fico torcendo para que a semana passe logo, só para te ver de novo. Nem ligo para os desenhos, gosto de ter companhia, mas nessa idade e nesse estado, ninguém quer saber de mim, só mesmo alguém como você.

Então eu dizia: Que nada, hoje em dia, as pessoas andam com suas vidas muito agitadas, às vezes falta tempo para visitar os parentes e amigos. Então, o velho olhava pra mim e sorria. Eu dizia até logo e dava um beijo na testa dele e ia embora.


Certo dia, ao chegar para o trabalho com ele, não o encontrei, e recebi a notícia de que ele havia falecido. Perguntei porque não me avisaram do ocorrido, disseram que tentaram, mas não conseguiram. Uma das enfermeiras ouviu a conversa que eu estava tendo com o responsável pela casa de repouso, disse que o velho havia deixado um presente pra mim, foram buscar, e me entregaram um caixa enorme, fiquei surpresa com aquilo, e minha vontade era de abrir logo e ver o que havia lá dentro, mas achei melhor levar para casa, só iria ver o que era o presente quando chegasse em casa, pensei: um presente precisa ser apreciado com calma, mas eu estava muito curiosa, todos que estavam ali comigo também queriam ver o que era o tal presente.


Fui para casa, chegando lá, abri com muita calma aquela caixa. Não acreditei no que vi!


Continua...


lita duarte


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

OUTROS SONHOS


Quando Jerônimo era criança, ele ficava horas brincando sozinho no quintal de sua casa, ele se imaginava viajando pelo mundo afora, e como sonhava aquele menino! Sua mãe vivia gritando, ela dizia: Jerônimo, acorda! Quando é que você vai parar de sonhar. Então, Jerônimo tomava um susto e ia fazer alguma coisa que precisava ser feita.


Os anos passaram, Jerônimo continuou sonhando demais, agora ele é um belo rapaz, vive envolvido com arte, é músico e toca em uma banda, sua mãe vive dizendo: Acorda, Jerônimo! Vê se faz alguma coisa para ganhar dinheiro, até agora você toca aqui e ali, mas dinheiro que é bom eu não vejo. Essa coisa de ser músico não basta ser talentoso, mas tem que correr atrás, tocar de graça sinceramente, não tem graça nenhuma, e tem mais, você sabe que eu não vou durar para sempre, se quer tocar, toque pelo menos para se manter, chega de sonhar!


Outro dia, Jerônimo foi procurar emprego, e acabou achando, agora ele trabalha em um restaurante, ele agora faz pratos deliciosos, tomou gosto pela coisa e aprendeu a cozinhar, trabalha de cozinheiro, ganha um bom dinheiro e diz que se sente feliz, porque enquanto cozinha também sonha, mas agora é diferente, tem um emprego que o sustenta, sua mãe já não grita mais com ele, e tocar seus instrumentos ele toca, mas só para se divertir e agradar sua namorada, agora os seus sonhos são outros.


lita duarte

terça-feira, 27 de setembro de 2011

ROSA SILVESTRE

Rosa era muito bela e tinha todas as atenções voltadas para si, era o sonho de muitos rapazes, era doce e suave, mas muito apimentada, assim era definida por seu tio Luiz, que dizia para sua mãe: Essa tua filha vai te dar muito trabalho, já percebeu como os homens olham pra ela? Ela requer sua atenção,- senão poderá virar uma dessas mulheres que eu nem quero dizer o nome.


Não sei o que a vida reservou para a Rosa, mas vendo aquela mulher aparentemente sem beleza, - parecia um ser definhando e sem esperanças com a vida.


Foram muitos anos sem que eu visse aquela amiga da adolescência, - a vida com seus afazeres e compromissos tratou de nos afastar, cada qual foi cuidar de seus interesses, e assim o tempo passou. Como costumava dizer minha querida tia Dita: Quem está vivo um dia aparece. - Foi o que aconteceu. Depois de longos anos sem que eu me encontrasse com Rosa, certo dia por um acaso da vida eu a encontrei quando fazia uma visita em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais. Fiquei feliz em rever minha amiga, foi fácil reconhecê-la, embora ela tenha mudado muito na aparência, mas nos gestos e voz, nada mudou. Olhei pra ela ali na feira de artesanato e notei que ali estava a menina que gostava de fazer dos retalhos de tecidos belas obras de arte. Eu disse: Rosa, você por aqui, - quanto tempo que a gente não se vê! Ela olhou pra mim e disse: Desculpe, mas não me lembro de você. Então eu disse: Que bom! - Todo mundo diz isso, eu acho ótimo, sou irreconhecível, mas sabe de uma coisa, vou fazer você lembrar. Em 1974, grupo de teatro da escola Sêneca, lembra! Nos duas ficávamos conversando durante as tardes, sentadas na mureta de sua casa, em frente essa escola.- Lembra que os atores sempre nos convidavam para festas, mas nós nunca íamos. - Sou eu! Lembrou!

Então, a Rosa olhou pra mim e disse: Nossa, mas você por aqui! Que bom te ver. O que você tem feito por aí! - Olha, vou chamar o meu filho Zéca, pra ele tomar conta da banca de artesanato, pra gente conversar melhor. Então, a Rosa deu uma olhada ao redor e chamou seu filho. Ele apareceu e a Rosa o apresentou a mim, e disse: Esse é meu filho Zéca, ele está com vinte anos, produção independente, graças a Deus.

Cumprimentei o filho dela, então saímos dali e fomos sentar num barzinho muito aconchegante, onde ficamos muitas horas conversando e lembrando os tempos em que éramos duas jovens cheias de sonhos e planos para o futuro.


Durante a conversa, Rosa me disse que estava muito doente e que já não esperava muito mais da vida, só queria continuar trabalhando e ficar bem com seu filho. Ela e seu filho viviam sozinhos, disse que por ter tomado certos rumos na vida, ficou só, e sem parentes por perto, que agora infelizmente sentia o peso de algumas escolhas, mas que já era tarde para arrependimentos.

Eu disse para a Rosa que ela podia contar comigo, afinal de contas eu só tinha boas lembranças dela, e isso era o que importava.


Quando nos despedimos, Rosa olhou pra mim e me disse: Por que será que a gente esquece daquelas pessoas que foram tão importantes pra gente? Eu lembro de como você me fazia bem, mas … enfim a vida é assim.

Dei um forte abraço na Rosa e parti.

lita duarte


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

DONA JÚLIA


Naqueles dias em que o tempo era longo e a felicidade nem tinha nome, eu e dona Júlia vivíamos cuidando dos patos que ela tanto gostava de manter ali no seu quintal. Era um tempo de serenidade e não havia pressa.


Depois de acordar, tomar café e ajudar minha mãe nas arrumações da casa, eu costumava ir ajudar dona Júlia a cuidar dos patos. Certa manhã, depois de ter alimentado os patos, dona Júlia me disse para olhar para a mangueira que estava cheia de manguinhas. Ela disse: Veja como está linda a nossa majestosa mangueira, logo teremos mangas maduras, então você poderá chamar seus irmãos e colher mangas maduras pra nós saborearmos. Eu disse: Ah dona Júlia, vai demorar muito para que as manguinhas fiquem boas pra gente comer. Ela disse: Não vai demorar não! Já estamos em agosto, em dezembro no mês do Natal, isso aqui vai estar forrado de mangas maduras, passa rapidinho o tempo. Eu disse: Nossa! Mas o Natal está muito longe, eu queria comer manga madura agora! Então ela riu e disse: Sabe de uma coisa, quando se é criança parece que o tempo demora para passar, mas depois que ficamos adultos, o tempo passa rápido demais. Quando você crescer vai entender o que eu digo. Sabe que eu tenho tantas lembranças do tempo em que eu era criança lá no Japão. Parece que posso sentir o cheiro daquelas belas árvores floridas que ficavam perto de minha casa, parece que posso ouvir as vozes de meus irmãos e de outras crianças com as quais eu brincava, parece que foi há tão pouco tempo. Então eu disse: Por que a gente não pode parar o tempo? Ah, eu não quero crescer não! A senhora ficou triste quando lembrou do Japão. Eu não quero ficar triste! Eu quero tudo assim, desse jeito, não quero que o tempo passe. Então dona Júlia riu muito e me disse: Para de dizer essas coisas, você vai crescer e vai ser muito feliz, me dá sua mão, vamos entrar que eu vou preparar um lanche bem gostoso para você, e você vai me falando o que vai querer de presente de Natal.


lita duarte


domingo, 11 de setembro de 2011

ELOS ROMPIDOS


Todos os dias, ele acordava bem cedo, pegava sua bicicleta e saía pedalando pela cidade. Ele havia adquirido essa mania depois que sua mãe faleceu. Ele era do tipo calado, sua única amiga de verdade era sua mãe, só ela o compreendia.


Como devia ser difícil a vida daquela senhora que tinha um filho com sérios problemas de saúde. Ela e seu filho viviam sozinhos em uma casa, em uma cidade praiana. O mar fazia bem para seu filho esquizofrênico. Tudo era tranquilo, mas se complicava porque o rapaz não aceitava tomar remédios. Sua mãe arranjou um jeito para que ele fosse medicado sem perceber, - ela colocava os remédios amassados em sucos ou chás. Se o pobre rapaz ficasse sem tomar seus remédios, ele ficava com um aspecto muito ruim, e dava muito trabalho para sua mãe. Fora isso, tudo era muito bom na vida dos dois, mas um dia o rapaz se viu sozinho na vida, então começou o seu penar.


lita duarte

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

"O RANZINZA"


Onde e quando foi que eu te disse que nós seríamos felizes para sempre. Acho que você fantasiou demais. Não sei porque as pessoas adoram viver de ilusões. A vida é dura, é uma sequência de fatos, alguns momentos muito bons e outros nem tanto. A vida é assim – um fardo pesado. Eu não me iludo com nada mais. Tenho os pés no chão e a cabeça no meu tempo. Sou feliz dentro do possível, cansei de procurar chifre na cabeça de cavalo - essa frase meu velho tio Chico costumava dizer, eu achava engraçada demais e também não entendia direito, mas hoje eu entendo muito bem. A gente precisa viver conforme dá, não adianta querer o que não se pode ter. Sou assim e serei sempre assim. Dizem que sou um chato, um ranzinza – pode ser, também não estou nem aí para o que falam de mim, ninguém paga as minhas contas, ninguém sabe das minhas dores e dos meus temores. Eu sei o que sinto, não preciso provar nada para ninguém.


Continua...


lita duarte

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SÓ PARA DESCARREGAR.:)


Já pensou se você fosse tudo aquilo que eu sonhei?! Hehehehehehehehehehe, eu não teria aprendido boas lições.

Valeu, valeu e valeu!!

lita duarte

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"O VENENO E A FÉ"

A fé independe de religião, sem ela não há esperança. Ter certeza de que algo está onde você não pode ver - mas pode sentir - faz toda diferença.

Havia numa cidade agitada, uma mulher que sofria muito com muitas dores em todo o corpo, ela sempre procuva ajuda médica, mas as respostas que ela ouvia não lhe trazia conforto. Ela ouvia coisas do tipo: A senhora não parece doente, sua aparência é muito boa, mas vamos fazer alguns exames para constatar se há algum problema com a senhora.

Ela se sentia mal, porque pensava assim: Esses médicos são terríveis, eles olham pra gente e querem ver um ser aos pedaços. Para mim, a medicina está muito atrasada. Se eu digo que sinto dores; é porque sinto dores! Quero uma resposta para o que eu sinto! Será que esses médicos pensam que eu estou fantasiando, - será que eles pensam que sou mais uma daquelas pessoas que têm mania por doenças? Eu não sou assim!

Os dias iam passando e a situação da mulher piorava. Ela era uma pessoa otimista e tinha muita fé na vida,- era uma pessoa que acreditava muito em Deus. Tinha certeza de que sua sorte iria mudar. Depois de passar por vários tratamentos com medicamentos para tirar suas dores, a mulher cansada em ter poucos resultados positivos, resolveu procurar um especialista,- daqueles renomados. No dia da consulta médica com o médico de grande renome, lá estava ela na hora marcada. O médico a examinou, fez um milhão de perguntas e depois disse assim: Provavelmente seus problemas são de ordem genética, essas deformações que você tem nos joelhos é um tipo de “reumatismo”. Você vai tomar esse remédio que eu vou receitar. É um medicamento que te fará bem. Liga para este número que está aqui neste cartão, você vai adquirir o remédio por um preço melhor,- você terá um bom desconto - já que esse remédio ainda custa muito caro. – Depois que você fizer uso do remédio por uns três meses, você retorna qui.

A mulher saiu do consultório médico, toda feliz. Ela ia pensando pelo caminho: Nossa! Finalmente alguém me disse o que eu tenho, que médico atencioso, e ainda me receitou um remédio que me fará bem. - Hoje mesmo vou comprar esse medicamento e vou tomar com todo o rigor.

E assim foi feito. A mulher começou a ingerir o medicamento, “o remédio milagroso e caro”,- que iria trazer-lhe à cura. – Três dias após ter ingerido o tal remédio, a mulher começou a ter uma sensação ruim. Ela sentia partes de seu corpo anestesiado, sentia taquicardia, dores de cabeça, um barulho enorme no ouvido e irritabilidade. – Coforme os dias corriam, ela continuava tomando o remédio e esse fazia de sua vida um inferno. Começou a ter alucinações, e já não conseguia dormir. Ela pensou: O que está acontecendo! Ligou para o médico, mas ele estava de férias. Então após uma semana ingerindo o rémedio, ela toma a decisão de parar com ele,- pois aquilo lhe fazia mal. – Ela parou de tomar o remédio, mas o efeito do mesmo continuou por vários dias em seu corpo. A mulher pensava que iria morrer, porque o desespero era tanto, que ela só queria sentir alívio. – Nessas horas de terror, a mulher clamava a Deus para que ele lhe desse alívio. Durante vinte dias a mulher não dormiu, o que fazia ela ficar em “paz” era a fé que ela tinha no seu Deus, porque ela clamava pela cura. Ela sabia que Deus não a abandonaria naquelas horas de terror.

Os dias passaram, a mulher ficou bem, graças a Deus.- Ela tem procurado outros tratamentos para seus problemas, mas ela pensa que aquele médico foi negligente quando não lhe disse dos efeitos colaterais daquele remédio,- ele foi tão atencioso, mas nem tanto. Ela chegou a uma triste conclusão em que diz assim: Os lucros com os medicamentos são grandiosos e alguns médicos estão focados neles. O ser humano para alguns, ou muitos médicos é apenas uma fonte de renda lucrativa e nada mais.

lita duarte

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

INFÂNCIA

... todo passeio era encantado naquela época em que o tempo não importava, porque tínhamos todo o tempo do mundo.

lita duarte

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OS RUÍDOS


Da janela e de manhã, ele ouvia o som dos passarinhos, ficava encantado e pensava: Como pode esses pequenos seres produzirem um som tão bom e audível. E assim ele percorria os dias, tentando compreender os sons, os ruídos que faziam parte da vida,- da sua vida.

Ari era uma figura tranquila, mas que dizia assim: Os ruídos estão por todos os lados, eles me acompanham por onde vou. - Eu queria ser cantor, mas minha voz não deu pra isso. Eu toco tambor, o tambor me acompanha onde vou. Ouço sons, muitos sons. Gosto de vozes, o barulho das vozes nos lugares, nos lares, nos bares, nos trens,- gosto de vozes de gente,- gente tem cara da vida. Vida sem gente não é vida. Gosto de ser só, de ouvir e ouvir,- vejo pouco, prefiro ouvir. Ouço tudo que se passa por aí,- já me chamaram de tantas coisas, mas eu nem ligo. Eu tinha uma namorada, - Rosa, ah que nome lindo de mulher. Porque ela foi embora,- me achou muito estranho. Ela dizia que eu só queria saber dos sons, dos ruídos. - Rosa era uma moça bonita, às vezes nós íamos no alto de um morro só para eu ouvir ela cantar pra mim, lá no alto o som ficava vibrante, mas um dia a Rosa cansou de mim e foi embora. E eu que pensava que ela me compreendia.- Ah, fui muito tolo. Eu pensava que ela gostasse do meu jeito e do meu gosto pelos sons,- mas que nada, ela só me enganou, ou será que fui eu que me enganei! Também quem mandou eu ser assim - tão ligado nos sons. Acho que um dia eu vou mudar, mas eu preciso parar de ouvir os ruídos que estão dentro de mim.

lita duarte

sexta-feira, 29 de julho de 2011

DONA ZICA

Zica era uma senhora muito querida na cidade em que morava. Era uma pessoa que fazia o bem para todos que a procuravam. Tinha fé em Deus e cultivava um jardim de plantas que usava como remédio.

Certa vez, apareceu no seu portão um homem dizendo que precisava muito de sua ajuda. Ele queria que ela fosse em uma casa, queria que ela levasse conforto espiritual para sua amiga Toninha. Zica disse que não podia ir naquele momento, mas que no dia seguinte estaria lá. Ela precisava de alguém que a acompanhasse pelos lugares por onde andava, - tinha uma certa dificuldade para andar por causa de um problema em uma de suas pernas. - Sempre que saía, Zica levava sua neta Francisca, - a menina de doze anos era sua companheira.

Como havia prometido, no dia seguinte Zica estava na casa de Toninha. O homem que havia procurado por Zica estava lá, ele encaminhou Zica até o quarto onde Toninha gemia de dores. Zica olhou para Toninha, perguntou o que ela estava sentindo, como era a dor e em que região do corpo. Toninha mal conseguia falar, mas dizia que era uma dor no ventre, parecia que havia algo por dentro dela que a devorava. Zica chamou sua neta que havia ficado na sala,- ela queria a sacola com as ervas para poder fazer um chá para a doente. Quando Francisca entrou no quarto, Toninha soltou um grito de horror que assustou a todos. Ela disse: Deixa essa menina ficar aqui comigo. Estou morrendo, estou com medo, não quero ir sozinha, deixa essa menina aqui, dona Zica.

Francisca entregou a sacola de plantas para a avó e saiu dali.

Zica olhou para Toninha e começou a fazer suas orações, e dizia: Não fica com medo. Sua vida foi recheada de prazeres e coisas que você escolheu. Quando houve tempo para você mudar; você não mudou, mas não tenha medo, peça perdão para Deus, ele pode perdoar você e te levar em paz. Não tenha medo, filha.

E foi assim que a partir daquele dia, Zica começou a cuidar de Toninha.

O tempo passou, em uma certa noite, Toninha teve um ataque de desespero, Zica foi chamada, fez o que pode para confortar Toninha, mas não teve jeito, naquela noite ela partiu aos gritos para outra dimensão.

Toninha era uma prostituta rica, ela viveu muitos anos em uma cidade no interior de São Paulo. Era muito conhecida, mas teve uma doença muito grave e nos últimos meses de vida sentia muito medo de morrer. Dona Zica sempre era chamada para tentar acalmar Toninha.

Dona Zica viveu noventa e cinco anos, faz sete anos que partiu. Dizia que era muito feliz. Gostava de dizer assim: Nunca paguem mal com mal, só Deus é que sabe de todas as coisas.

Att. Todos os nomes foram trocados para que ninguém seja incomodado.

lita duarte

quinta-feira, 28 de julho de 2011

TRICOTANDO

-Rô, amiga, tenho que te contar uma coisa. Fui ao médico para levar o resultado de uns exames,- falei pra ele de alguns sintomas que tenho tido, -ele disse que é normal, então olhei pra ele e disse: - Normal! O senhor acha normal sentir o que estou sentindo! Isso porque não é contigo! Rô, eu acho muito cômodo para um médico olhar pra gente e dizer que é normal o que a gente sente. E pior que isso, é o monte de remedios que eles receitam,- e geralmente com uma indicação de farmácia. Amiga, fico indignada de ver que hoje em dia tudo significa negócios.

-Luli, que bom que voltou! Amiga, procure não ficar tão preocupada, relaxa, procure tratamentos alternativos. Infelizmente é assim mesmo nesta sociedade em que vivemos; -tudo gira em torno de negócios. A gente até leva um susto quando encontra com pessoas que agem diferente.

-Rô, e sabe o que mais, depois de dizer ao médico que eu não quero me entupir de remédios, ele me chamou de maluca, disse que eu preciso de um bom terapeuta. Sai de lá nos cascos. Felizmente tenho um bom convênio médico e posso procurar outros médicos para me tratar, mas imagina quem precisa usar o serviço público de saúde, penso que deve ser terrível!

-Luli, você precisa tomar cuidado para não se desgastar demais, pensa bem,- menopausa é só mais uma fase da vida. Vai passar! Sabe que outro dia conversando com o meu dentista ele disse assim:- Eu estou com quarenta anos e divorciado,- tenho namorado bastante nesses últimos anos, mas já estou um pouco cansado e queria uma companheira. Uma mulher que fosse uma boa companhia em tudo. Cansei de namorar garotas novas,- mas as mais velhas me assustam um pouco. Não me importo com rugas, flacidez, cabelos brancos, mas o que me deixa muito chateado é que muitas mulheres ficam chatas demais depois de uma certa idade. Garotas novas sempre são alegres e dispostas, mas falta algo nelas. Mulheres mais velhas estão cheias de experiência, mas poucas são sábias.

-Rô, pra mim, esse cara é um chato, -ele que é um chato. Vai ver que é exigente demais, por isso está sozinho. Todo mundo quer ter alguém, mas não é fácil conviver o dia-a-dia, ali juntinho. É preciso abrir mão de muita coisa, nem todos estão dispostos. Para mim esse cara tá sentindo na pele a falta que é ter alguém por perto, mas alguém de verdade e não só para diversão. Vai ver que jogou essa conversa em cima de você para te ganhar.

-Luli, tá louca, amiga! Eu estou muito bem como estou. Não quero encrenca para o meu lado. Se um dia eu encontrar alguém que valha a pena, posso até pensar em casar de novo, mas por hora só quero paz.

Continua...

lita duarte

quinta-feira, 21 de julho de 2011

MULHERES MADURAS:):)



Rô e Luli são duas amigas, elas se conhecem de longa data, ambas estão naquela fase de mudança, aquela fase em que as mulheres mudam muito por causa da idade. É a dita cuja da MENOPAUSA. Ai, essa fase não é nada fácil para algumas mulheres. Algumas sofrem muito, outras nem tanto, poucas podem dizer que nessa fase elas passaram numa boa. Bem, vocês vão acompanhar alguns momentos de muita intensidade das duas amigas (fictícias ) inseparáveis.

Rô tem um comportamento mais tranquilo, é calma. Luli tem um temperamento forte e explosivo. Como sempre estão se falando via internet; todos os dias acontece alguma coisa nova. Outro dia elas estavam conversando assim:

-Rô, você precisa me ajudar, tô pirando amiga, briguei de novo com o meu marido, com minha sogra e com meu cunhado. Ai, não sei o que é que me dá. Também o meu marido precisava me aborrecer com aquele papo de que eu não sei cozinhar. Ele sabe disso faz um tempão! Sabe de uma coisa, tudo me irrita, e agora dei para ficar com medo de tudo. Pode!

-Luli, você precisa se acalmar. Desse jeito, menina, seu marido vai enlouquecer. Essa já é a terceira vez que você briga com ele, e olha que ainda é sexta-feira. Amiga, você está tomando o remédio que a médica te receitou?

-Rô, não te contei, os remédios me fizeram mal. Agora estou com medo de tomar remédios também. E hoje para piorar recebi um telefonema dizendo que uma amiga da minha sogra faleceu. Entrei em pânico. Não conseguia me concentrar em nada, ficava pensado na mulher que morreu. Amiga, será que eu estou pirando?

-Luli, você precisa relaxar mulher! Vem comigo praticar algum esporte, já te chamei milhões de vezes. Sabe o que acontece, você fica muito fechada em casa, você precisa sair e arejar suas idéias. Isso tudo é mais psicológico do que físico.

-Rô, você fala assim, porque não é com você. Sua vida é diferente da minha, você disse que não sente nada de diferente em seu corpo. Deixa eu te dizer uma coisa, se você brigar comigo eu não me comunico mais com você. E não venha me dizer que eu estou muito sensível. E sabe o que mais... tchau.

-Luli para de ser criança! Não tô brigando com você. Se você quiser ir embora então tchau!

Continua

lita duarte

sábado, 16 de julho de 2011

SORAYA

Eu estava tomando meu chá preto tradicional, olhava pela janela do meu apartamento, o dia estava ensolarado e eu estava confortavelmente bem. Nada e ninguém me incomodava, então o telefone tocou, fui atender, era ela... Sim, ela! Justamente agora em que já nem pensava mais nela, mas enfim, atendi o telefone e ouvi aquela voz melódica chamando o meu nome… Por um momento, tive vontade de desligar, mas pensei bem e ouvi o que ela tinha para me dizer. Ela disse que estava na cidade e queria me ver, então pensei… pra quê? Mas respondi que estava muito ocupado e que não daria, pois estava num trabalho fatigante. Ela insistiu, disse que precisava falar comigo, faria tudo para que nos encontrássemos. Acabei concordando. Marcamos um local para o dia seguinte, engraçado, mas eu não estava entusiasmado. Até pensei em não ir, mas fui, no dia seguinte eu estava lá. Quando olhei para o local em que ela disse que estaria… realmente, lá estava ela. Fui em sua direção, nos cumprimentamos, conversamos alguns minutos, então ela me disse que queria voltar ao nosso romance, disse que sentia saudades. Engraçado, mas enquanto ela falava eu nem prestava atenção direito no que ela dizia, minha mente estava em outro lugar. Ela me perguntou se eu estava bem. Eu disse que sim e olhei bem nos olhos dela e disse: - Soraya, você continua linda, mas eu já não sinto nada por você. Não dá para voltar no tempo, nem mesmo se eu quisesse, sei que não conseguiria. A vida me ensinou muitas coisas, eu aprendi a me valorizar, também entendi que existem coisas que não podemos ter. Soraya, o passado passou e levou tudo embora, não sinto saudades... É, quando não se pode ter algo é melhor esquecer. O passado passou como um trem que vai para bem longe... Ela ficou me olhando e não disse nada. Depois de ter falado assim, dei um beijo no rosto dela e fui embora. Nem olhei para trás.

lita duarte

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O RIO SÃO JOÃO


Um cantinho do Rio de Janeiro cheio de encantos.


Pescaria com companhia.


O céu o mar... harmonia.



O charme da ponte quebrada.

Principal rio de Casimiro de Abreu, nasce em Cachoeiras de Macacu e atravessa o município de Silva Jardim e o distrito-sede de Casimiro de Abreu, indo desaguar em Barra de São João. Rio caudaloso, possui águas mornas, de tonalidade parda, característica que se modifica junto a sua foz por efeito das marés e dos ventos. O trecho de maior interesse turístico, onde a largura fica em torno de 100m, está junto a sua margem esquerda. É o Núcleo Histórico de Barra de São João, com seu antigo casario circundado de frondosas árvores. Destacam-se ainda, junto à foz do rio, a bela ponte em ruínas, construção da primeira metade deste século, o promontório com a Capela São João Batista e o pequeno cemitério com o túmulo do poeta Casimiro de Abreu. Neste trecho, o Rio São João é navegável para embarcações de pequeno calado.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

MUITAS HISTÓRIAS DE UMA CIDADE


O RIO QUE SE ENCONTRA COM O MAR.



A IGREJINHA ANTIGA E LINDA.


O FILHO ILUSTRE: CASIMIRO DE ABREU.


E TEM UMA PONTE QUEBRADA... DEPOIS EU CONTO.:)

BARRA DE SÃO JOÃO - RJ

segunda-feira, 4 de julho de 2011

OBRIGADA

Rosângela, Beto Mariano e Fernanda, muito obrigada pelos e.mails. Fico feliz em saber que vocês estão bem. Infelizmente nem tudo que se passou foi motivo de alegria, mas a vida é assim e precisa continuar, apesar de algumas tristezas... perdas acontecem na vida de todos nós.

Abraços da Lita.

terça-feira, 28 de junho de 2011

VIDAS


POR QUÊ?

Pessoas partem e chegam em todo o tempo em nossas vidas. Mas por quê?

É muito estranho quando pessoas saem de nossas vidas por que querem. Elas chegam, nos fazem ficar gostando delas, mas depois, somem! Algumas, aindam deixam pistas, mas outras, simplesmente desaparecem, então a gente se pergunta: - O que será que eu fiz? Pergunta errada.- É, nós sempre fazemos essa pergunta, mas deveria ser outra. Deveria ser: - O que aconteceu?

Tive três pessoas muito queridas que sumiram, uma deixou rastro, mas outras duas sumiram, não sei se morreram, se estão doentes, ou se simplesmente sumiram por vontade própria.

Eu confesso que não consigo entender certas atitudes, mas cada qual sabe de si, mas também penso que alguém com quem compartilhamos momentos de tristezas e de alegrias, poderia ser um pouco mais humano e de vez em quando dizer um OLÁ.

Estive em um lugar maravilhoso, pude visitar um cemitério antigo, ele fica atrás de uma igreja e tem vista para o mar. É lindo demais! Senti uma vibração muito boa por estar ali. É uma mistura de épocas e paisagens. Só estando lá para poder sentir o que eu senti.

Tudo isso para dizer que: -Enquanto estamos vivos... vivamos! Alegria é ter tempo para poder dizer que: HOJE O DIA É MAIS BONITO.

lita duarte

terça-feira, 21 de junho de 2011

COMPANHEIRA


Os toques dos meus dedos sobre ela, foram constantes durante muitos anos. Ela sempre foi fiel e companheira, nunca me abandonou! Na tristeza e na alegria, ela estava ali.

Hoje, ela ainda está ao meu lado, mas apenas para o meu prazer em ver que ela está presente, quietinha e preservada.

lita duarte

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A MACARRONADA E O SONHO


Naquele dia, o sol ardia. O marzão estava ali na minha frente me chamando. Entrei nele cheia de vontade de nadar. – E nadei, nadei, nadei e pensei: Ah, desse jeito eu chego do outro lado do mundo a nado, - sonhava dentro d’agua. Porque quem sonha; sonha até debaixo d’agua. Quando percebi, estava muito distante da praia, de longe eu via tudo pequenino. -Começava anoitecer. Pensei: E agora! Tenho que voltar bem rápido, tenho medo de ficar na água de noite, não dá para ver nada, - se um bicho me atacar! Ai, ai, ai... Tenho que voltar correndo, - melhor, - nadando o mais rápido possível. Nadei, nadei e nadei, mas não conseguia sair do lugar, gritei, mas ninguém me ouvia chamar. Afundei naquelas águas que já estavam escuras, quando consegui subir, não vi mais nada, pensei: será que morri! Estava tão escuro então, gritei, mas ninguém ouviu. Então lembrei que não sabia nadar. Gritei novamente, nesse momento minha mãe entrou no quarto e disse: - Tá louca menina! O que você está fazendo caída aí no chão. Eu disse para minha mãe: - Tive um sonho horrível, que parecia bom no começo, mas depois fiquei com muito medo. Minha mãe que já passou por alguns perrengues, me disse: - Sonho é assim mesmo; parece bom mas depois vira um pesadelo. – Cristiana, eu já te falei para não comer macarronada e ir dormir, você é teimosa, foi por isso que você sonhou e caiu da cama. – Um dia desses você vai morrer de congestão! Onde já se viu, comer e deitar, você tem cada uma!

Fiquei preocupada com aquela conversa toda. Falei para minha mãe: - Mãe, você acha que era a morte me chamando? Porque agora que você falou tudo isso, me deu um medão! Então minha mãe respondeu: - Filha, não se preocupe, quando aquela danada chegar, você vai saber. Daquela famigerada não dá para fugir, e nem dá para enganar. Fica tranquila, foi só um sonho bobo que você teve.

A partir daquele dia, fiquei com medo do mar. Toda vez que olho pra ele, fico arrepiada de medo. Fiquei com essa impressão ruim depois de um sonho. Minha mãe me diz que é bobagem, e que eu devia parar de comer macarronada e depois ir dormir. Será que minha mãe tem razão! Uma coisa é certa, não tenho sonhado daquele jeito, mas estou seis quilos mais gorda.

lita duarte

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O VELHO J.


O velho dizia: O que vocês estão pensando! O mundo não será o mesmo, nunca mais. E o que vocês fazem para mudar esse quadro!

Ele era uma figura forte e um pouco assustadora, não em sua aparência, mas pelo jeito que falava. Porque falava com muita autoridade.

O velho costumava sentar na praça. Era uma pessoa cativante, por causa das estórias que contava. Ele ensinava muita coisa boa através daquelas estórias. Ele era uma pessoa muito conhecida que vivia dizendo que amava toda a Natureza. Tinha muita fé em Deus, mas dizia que Deus habitava em todos os lugares, por isso, não estava aprisionado em nenhuma igreja ou religião.

Certa vez, o velho contou uma estória que dizia assim: Tive um sonho, nele uma forma de vida muito estranha me dizia que os dias da Terra estão por um fio, existe um perigo grandioso que não estão vendo. Todo o mal que estão fazendo para o planeta, será cobrado. Haverá muitos flagelos, mas uma coisa invisível irá acabar com tudo. Essa coisa vai produzir muitas doenças e não haverá cura, porque já não existirá o elemento que poderia eliminá-la. Há coisas que não podem ser revertidas.

O velho, muitas vezes causava irritação nas pessoas, porque as pessoas só queriam ouvir estórias bonitas e com final feliz. Quando ele dizia coisas terríveis, ele mesmo dizia assim ao terminar uma estória: Eu só queria falar de coisas bonitas, mas quando percebo já estou dizendo coisas que nem sei bem como elas me chegam.

lita duarte

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A ESCOLA


Quando eu cheguei naquela cidade, não imaginava o que me aguardava. Fui lá para dar aulas em uma escola que ficava em uma vila muito distante. Algumas pessoas me disseram que eu não devia ir lá. Disseram que era um lugar perigoso, e que alí só havia gente ruim. Como eu precisava trabalhar e queria fazer valer o meu aprendizado, arregassei as mangas da minha camisa e fui à luta.

De fato, encontrei um lugar muito pobre e sem recursos. Pessoas muito conformadas com suas vidas. Crianças não faltavam! Havia muitas crianças. O prédio da escola estava em ruínas, havia três salas de aula e uma secretaria.

Quando comecei a dar aulas, fiquei muito chocada com algumas cenas que presenciei.

Certa vez, um aluno de sete anos chegou perto de mim, e disse que estava doente. Eu perguntei o que é que ele estava sentindo e qual era sua doença. Ele respondeu que estava com sarampo. Eu olhei bem para ele e disse que ele precisa ir para casa, porque não podia ficar na escola junto com outras crianças. Ele respondeu que não queria ir para sua casa, porque a escola era o lugar onde ele mais gostava de ficar. Eu disse que ele precisa ficar separado das outras crianças, porque o sarampo poderia passar para os outros alunos. Então ele me disse que já estava sarando. Foi aí que eu pedi para olhar os seus braços. Ele ficou encabulado, mas deixou. Quando eu vi os braços daquele aluno, tive vontade de chorar. Seus braços estavam marcados com vergões enormes, então pedi para que ele tirasse a blusa para que eu visse suas costas. Infelizmente constatei algo terrível! Aquela pobre criança havia sido espancada. Fiquei em uma situação difícil. O que eu poderia fazer!

Fiz curativos no aluno, depois fui com ele até sua casa. O lugar era muito estranho, confesso que tive medo, mas não recuei, falei com sua mãe, ela me disse que o seu marido quando bebia, espancava os filhos. O que fazer nessa situação? Eu disse para aquela senhora tentar evitar que seus filhos fossem maltratados, que ela procurasse ajuda. Ela me disse que gostaria de ser ajudada, mas quem faria isso por ela. Quem lhe daria ajuda.Fiquei em um beco sem saída, porque minha boa vontade em ajudar não era suficiente. Sozinha era difícil conseguir alguma mudança.

Com o passar do tempo, algumas coisas melhoraram, mas ainda existe muita precariedade por lá. Falta água, falta asfalto, falta merenda. O que tem de bom, é que os pais de alguns alunos tomaram contato com a vida escolar de seus filhos, isso fez uma boa diferença, porque conseguimos um melhor relacionamento entre pais e seus filhos.

lita duarte

(texto baseado em fatos reais)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A JANELA DE TITO

-Tito saia daí! Já te falei várias vezes que não quero você perto da janela.- Você tem que ficar sentado aqui perto de mim. Já coloquei essa carteira aqui na fileira do meio para que você preste atenção na aula.

-Dona Alice, não me tire daqui! Eu gosto de ficar perto da janela. Eu prometo que fico quieto, vou prestar atenção na aula.

-Tito, não me venha com essa conversa. Você se distrai facilmente.- Sentado aqui na fileira do meio, e na primeira carteira, eu te controlo. Pois só quero o teu bem, você é um bom menino, já tem oito anos e precisa aprender ler e escrever, você está muito atrasado.

-Dona Alice, eu vou aprender melhor se eu ficar sentado aqui pertinho dessa janela.

-Tito, sente-se aqui e agora! Estou perdendo a paciência com você. - Já sei! Vou mandar você para a diretoria. Vá lá conversar com a senhora diretora.- Toda semana é a mesma coisa, Tito. Você promete que vai mudar, mas não muda. Você insiste em se sentar perto da janela, - onde você não deve ficar. Você está atrasado, quantas vezes eu vou ter que repetir isso, menino! Responda, Tito, por que você gosta tanto de sentar perto dessa janela? Por quê? Fale! Estou esperando! Perdeu sua língua! Olha seus colegas! Eles também estão esperando. Eu tenho que continuar com essa aula.

Nesse momento o menino Tito fica calado, os seus colegas de classe começam a fazer muito barulho, e riem do Tito. Dona Alice já estava perdendo o controle da sala quando ouviu uma aluna dizer assim: - Professora, o Tito mora em uma casa de latas, na casa dele não existem janelas.

A professora fica sem ação, mas o menino Tito se enche de entusiasmo e diz: - Dona Alice,eu sonho em ter uma janela! Por isso que eu gosto de me sentar perto da janela da sala de aula.

(texto baseado em fatos reais)

lita duarte

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"O MOÇO"


Quando o moço de cara comprida disse que estava apaixonado por mim, fiquei feito uma boba, era isso o que eu queria. Que ele ficasse apaixonado por mim. Hum, não prestou! Enquanto eu dava uma de difícil, o moço me rodeava como um bezerro desmamado. Bastou eu lhe dar confiança e começarmos um namoro, para que ele começasse por mostrar suas garras afiadas e seus dentes dispostos a cravar em minha jugular. Bem que minha tia me avisou, mas eu não quis saber.

Tia Julinha era daquelas pessoas vividas, só de olhar a cara do sujeito ela dizia se ele prestava ou não. Ela me dizia: Celina, cuidado com esse tipinho aí! Ele não me engana. Não gosto de gente que olha de lado, nem de gente que fica escondida atrás das árvores sondando os outros. Dentro da cabeça desse moço só passa maldade. Eu dizia para ela: Tia Julinha, pare com isso, você cisma com todo mundo! Deixa o Vladimir em paz. Eu gosto dele. Vai fazer o seu tricô e assistir suas novelas, mas me deixa em paz.

E os dias iam passando. E meu romance com o Vladimir esquentando. Só que o danado começou a sumir, se no início do namoro ele aparecia todos os dias para me ver, depois que se sentiu dono do pedaço, ficava uns quinze dias sem aparecer. Eu achava estranho, então, a tia vinha com suas falações para me chatear. Ela dizia que o Vladimir tinha outra, e que eu estava bancando a tonta. Ai, aquilo me irritava. Eu não entendia porque ele agia daquele jeito, oras, se ele não gostava mais de mim, por que não dizia? O que é que se passava com ele. E ele continuava do mesmo jeito, sumia, e quando voltava não me dava explicações.

Um dia, fiquei cheia daquela situação, depois de vários dias sem nos encontrarmos, ele apareceu, então eu o coloquei na parede, eu disse: Vladimir, o que acontece com você? Fala pra mim! Você tem outra namorada? Me diz, me responda, por favor! Ele ficou uma fera e disse: Escuta aqui Celina! Eu não admito que você fale assim comigo, quem você pensa que é! Olha, eu vou sair agora e não sei se volto, ouviu!

Então eu chorei muito. De fato, ele sumiu por uns meses. E eu o procurei feito uma besta. Escrevia, telefonava, mas nada do moço responder. Certo dia, eu não aguentei e fui procurá-lo, ele me recebeu bem, ele parecia bem, mas estava distante demais. Ele não me disse nada do que eu gostaria de ouvir. E eu fiquei sem vontade de falar o que eu queria falar. Senti naquela hora uma espécie de abismo entre nós. Fui embora e me fechei para ele.

O tempo passou. Um dia, recebi uma notícia triste, me disseram que ele havia morrido, foi estranho, mas eu não senti nada. Só fiquei chateada porque ele partiu muito cedo, resolveu ir antes da hora.

lita duarte

terça-feira, 17 de maio de 2011

UMA VIDA... UMA HISTÓRIA

Quando minha mãe adoeceu, ela se sentiu na obrigação de me revelar fatos de nossas vidas, os quais ela nunca havia pensado em me contar. Penso que sua doença lhe causou tanta transformação, por isso a revelação de fatos relacionados a minha vida vieram à tona.

Nasci de um relacionamento extra-conjugal de meu pai com minha mãe, quando eles se encontraram em Portugal no ano de 1973. Meu pai era angolano e havia ido a Portugal para resolver assuntos de trabalho, na época ele estava com trinta anos, já era casado e tinha dois filhos. Minha mãe, brasileira, havia ido a Portugal para visitar seus avós paternos. Nessa época minha mãe estava com vinte e três anos. A primeira vez em que os dois se encontraram foi na casa de meus avós. Meu pai era muito amigo de um de meus tios, ele havia ido na casa de meus avós para levar algumas encomendas de meu tio Jorge.

O tio Jorge era muito amigo de meu pai. Assim que meu pai entrou na casa de meus avós, minha mãe disse que sentiu algo de diferente. Ao ser apresentada para aquele homem moreno de cabelos encaracolados e olhos melancólicos, minha mãe disse que se apaixonou. O tio fez as apresentações dizendo: Meu caro amigo Diogo, está moça linda que aqui está, é minha sobrinha querida, é a única filha de meu irmão Alfredo. Minha mãe, disse que meu pai ao cumprimentá-la, sorriu e disse : Você tem razão, amigo Jorge, sua sobrinha é muito linda.

Os dias passaram e minha mãe não conseguia esquecer aquele homem. Ela sabia que ele era casado e tinha filhos, portanto não podia esperar nada daquele homem. Mas no fundo de seu coração esperava que algo acontecesse. E aconteceu. Certo dia, minha mãe andava pelas ruas de Lisboa a procura de um tecido especial para fazer um vestido novo. Ao entrar na loja de tecidos ela vê aquele homem que lhe causou tanto encantamento. Ao vê-la, ele lhe cumprimenta e sorri dizendo: Que boa surpresa ver a moça por aqui. Minha mãe disse que estremeceu todinha, e por um momento pensou em não ser tão atenciosa e ir embora bem rápido, mas não teve tempo, meu pai lhe disse: Fico mais vinte dias por aqui, depois vou embora para Angola, vim comprar as encomendas de minha esposa. Parto, mas já sinto falta dessa terra. Então minha mãe respondeu: Mas logo você retornará, não tens negócios aqui!
Ele disse: Não sei, em Angola as coisas não estão muito bem, não sei quando volto. Mas podemos sair daqui e conversar um pouco em algum lugar. Então, minha mãe respondeu que sim. Saíram dali e foram para uma praça, conversaram muito. Ela ficou sabendo que ele era um homem com muitas responsabilidades em seu país. Era um homem que vivia para o trabalho e a família. Ao se despedirem combinaram de se encontrar novamente, antes que ele fosse embora para Angola.

Minha mãe disse que era muito forte o que ela sentia por meu pai. Ela sabia que podia se controlar, porque não era só desejo por ele, mas era algo que dominava todo o seu ser.
No dia do encontro, ela pensou em não ir, mas acabou indo, ela disse que inventou mil coisas, mas que na hora H, saiu para o encontro e não pensou em mais nada.
Chegando no local combinado, eles se cumprimentaram e ficaram por muitas horas conversando, mas num determinado momento meu pai disse que queria beijá-la, ela concordou. Daí para o restante foi só um pulo. Ficaram juntos até o anoitecer. Ao se despedirem juraram se encontrar novamente. E aconteceram outros encontros, até o dia em que ele partiu para sua terra. Fizeram promessas de escrever um para o outro, mas depois que ele partiu, minha mãe percebeu que estava grávida, então fez um juramento de encerrar aquela história para sempre. Ele procurou por minha mãe, mas ninguém nunca revelou o paradeiro dela para meu pai. Ele esteve muitas outras vezes em Portugal, mas os parentes de minha mãe nunca tocaram nesse assunto com ele. Meu pai morreu em 2002, sem saber que teve uma filha com uma brasileira. Minha mãe me disse que depois que soube que estava grávida, sentiu remorso por ter se deitado com o meu pai, porque ele tinha uma família e parecia amar sua esposa, ela disse que se sentiu suja, por isso não queria revelar nada para ninguém, ela não queria estragar a vida daquela família.

Quando minha mãe voltou ao Brasil, teve que revelar que estava grávida para meus avós. Os pais dela quase tiveram um ataque, e trataram de inventar uma estória para que minha mãe não ficasse mal falada. Então inventaram que ela havia namorado uma pessoa e iria se casar, mas o namorado morreu em consequência de uma doença grave. Ela ficou grávida e teve que arcar com muitos falatórios, mas depois de um certo tempo tudo se acalmou. Mudaram para uma outra cidade em que ninguém os conhecia, lá eu nasci e fui criada. Minha mãe sempre se manteve um pouco distante de mim, eu não me sentia sua filha. Meus avós me tratavam como filha.

Minha mãe se casou e teve outros filhos, eu fiquei morando com meus avós. Os anos se passaram e certo dia minha mãe adoeceu gravemente, eu fui cuidar dela. Por ser formada em enfermagem me senti na obrigação de lhe fazer companhia naquele momento de dor, e foi então que ela sentiu-se na obrigação de revelar o meu passado. Fiquei um pouco chateada, mas depois até que gostei, afinal de contas fui uma pessoa bem criada e o que havia acontecido com minha mãe era de responsabilidade dela. Antes de falecer em 2008, minha mãe me entregou duas cartas que meu pai enviou para ela, mas ela nunca respondeu. Ela disse que eu deveria me comunicar com o tio Jorge, ele poderia me revelar algumas coisas sobre meu pai, caso eu me interessasse em saber mais.

Há cerca de uma ano, fiz uma viagem ao meu passado, estive em Portugal, conversei muito com o tio Jorge, ele me revelou coisas maravilhosas. Ele disse que meu pai sabia que tinha uma filha no Brasil. Ao contrário do que minha mãe queria, o tio revelou ao meu pai os fatos de minha vida, recebi das mãos do tio Jorge, uma caixa repleta de fotos e cartas de meu pai, todas direcionadas a mim. Em uma das cartas meu pai diz que não me procurou por respeito a minha mãe, mas que de longe ele me acompanhava através dos relatos do tio Jorge. Recebi até uma pequena herança em dinheiro, mas para mim o que valeu mesmo foi saber que meu pai me conhecia.

Estive em Angola no mês de janeiro deste ano, fiquei lá por vinte dias, pude ver os lugares onde meu pai viveu e até conheci pessoas de sua família e amigos também, mas preferi deixar tudo como está. Porque o bom mesmo é ter uma história para contar.
lita duarte

Att. foram trocados todos os nomes para que ninguém seja incomodado.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

VALEU A PENA


Quando comecei a falar com aquela pessoa encantadora, não imaginava que me ligaria tanto a ela. Naquele momento eu estava passando por muitas mudanças, então, o surgimento daquela pessoa só me fez bem. O tempo foi passando e nós fomos nos aproximando cada vez mais. Era uma boa amizade, aprendi muitas coisas boas com ela. Mas o tempo passa e transforma tudo. Cada qual tem seus interesses e compromissos, é a mudança natural. O bom é a lembrança que fica. E o que fica é sempre bom.

lita duarte

quinta-feira, 12 de maio de 2011

ENTRE O MAR E A MONTANHA


Quando eu abri a janela do quarto, daquela velha pousada, naquele lugar encantador, foi como se o passado desaparecesse como um milagre. Foi como tirar um peso dos ombros. Ali, olhando o mar, senti que uma brisa suave me envolvia. Naquele momento eu renascia.

lita duarte

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PERCEBER OU NÃO PERCEBER, EIS A QUESTÃO

-O que aconteceu, Milena! Você disse que voltaria, mas não voltou! Por quê?

-Ora, não voltei, porque agora não há mais nada que me encante por aí! Ficou tudo muito sem graça. Às vezes é melhor não saber demais. É isso mesmo, Ana. Cansei de tanta chatice. Não gosto que me enrolem com mentiras e bobagens. Minha amizade é sempre sincera e verdadeira, mas quando sou incomodada com fofocas, então fico com um pé atrás.

-Você é muito radical, Milena. Eu sei que sou muito distraída, mas não queria que você se aborrecesse com falatórios que eu nem sei como começaram. Pessoas são invejosas, e gostam de lançar maldades quando percebem que duas pessoas se dão bem.

-Ana, eu não gosto de pessoas lerdas, que ficam esperando o mundo desabar para poder agir. E mesmo assim, muitas vezes não fazem nada. Estão vendo que alguma coisa está errada, mas não tomam providência nenhuma. E ainda dizem que gostam de você. Acho muito estranho alguém dizer que gosta de você, mas nunca se manifesta quando você pede ajuda. Sinceramente, acredito que uma pessoa que gosta da gente de verdade, faz o mínimo, pelo menos para mostrar que te valoriza como pessoa.

-Ah não vejo assim! Aliás, nem percebo essas coisas, Milena. Acho que sou muito diferente de você. Se querem falar que falem, que se danem! Detesto a mania das pessoas em querer me transformar, detesto dar explicações. Sou desse jeito e gosto de ser assim.

-Ou seja, tanto faz. No tanto faz está uma resposta que diz isso mesmo: você não se importa com os outros, ou pelo menos com alguém que já não te interessa mais, Ana. Então é isso aí, garota. Seja feliz... se puder.

lita duarte