ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

sábado, 30 de outubro de 2010

O RIO GRANDE


Saímos bem cedo naquele sábado. Queríamos chegar ao rio grande e ver toda aquela água doce, mergulhar nele para sentir boas vibrações. Durante toda a semana nos preparamos para o passeio, que foi feito de bicicleta. Foram quinze quilômetros pedalando por uma estrada tranquila e de uma paisagem espetacular. No caminho encontrávamos pessoas caminhando para irem ao trabalho. Naquela região existem muitas plantações de laranja. O ar da manhã fazia um bem sem igual. Ainda bem que o sol estava fraquinho, assim não nos cansamos muito.

Finalmente chegamos ao nosso destino. O rio grande estava lá, esperando por nós.
Pulamos das bicicletas e corremos para dentro do rio. Foi uma sensação sem igual
mergulhar de roupa e tudo dentro daquele imenso rio. Foi um banho de energia. E que água deliciosa. Ficamos algumas horas por ali, nem sei quantas horas. Até o momento em que sentimos fome, então fomos fazer um lanche. Ficamos sentados olhando o rio, apreciando aqueles instantes mágicos.

Bem de tardinha voltamos para casa. Íamos pedalando num ritmo bem tranquilo e sem pressa de chegar. O vento soprava suave e fazia nossos cabelos voarem numa sensação de prazer e bem estar. Um dia desses voltaremos lá.

lita duarte

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

FLORES, FRUTAS, FESTA E FINADOS

Quando eu era criança, o dia de finados parecia um dia de festa. Era uma movimentação pelas ruas da cidade, uma agitação! Eu sabia que muitas pessoas ficavam tristes, porque naquele dia em especial era um dia marcado para lembrar os que já haviam partido, mas para mim, tudo aquilo parecia momentos de muita vida.

No caminho do cemitério da cidade, havia muitas barracas de frutas, melancia em especial. Fazia um calor terrível na minha cidade, então no dia de finados se consumia muita melancia, abacaxi e laranja.

Eu adorava ver as barracas de flores, havia flores aos montes, aquilo era um espetáculo!
Minha vontade era de fazer um tapete de flores e me deitar nele.
Eu não gostava muito das coroas de flores de papel crepom. Elas eram feitas nas cores: rosa, azul e branca. Elas davam um aspecto frio, acho que aquelas cores não me agradava. Eu imaginava coroas nas cores: vermelha, roxa, laranja e amarela.
Eu falava para a minha mãe que, se eu soubesse fazer coroas de flores, eu faria em outras cores. Minha mãe respondia que não se podia fazer coroas de flores em lembranças aos mortos, em cores vibrantes, porque não ficava bem.

Dentro do cemitério havia uma multidão de pessoas. Era gente para todos os lados. Eu só podia achar que era um dia de festa!
Não me lembro de ver muita gente chorando, mas conversando normalmente umas com as outras.
Quando a gente é criança, tudo é tão descomplicado.

Eu nunca tive uma impressão ruim dos cemitérios. A morte para mim, também não é algo assustador, é apenas mais uma etapa da vida.


lita duarte

domingo, 24 de outubro de 2010

A MOÇA E O VELHO


Cheguei naquela cidadezinha em uma manhã de sábado. Esperava encontrar o que eu havia ido procurar. Há muito tempo que eu queria ir até aquele lugar distante. Era o desejo de meu tio que eu fosse até lá para ver de perto o lugar de minha origem.

Viajei muitos quilômetros para chegar num lugarejo que na minha imaginação era muito bonito e povoado de pessoas alegres. Acho que me deixei levar por uma inocência infantil.

Ao chegar à cidade, logo na entrada havia uma antiga estação de trens, parecia que não passava ninguém por ali há muitos anos.
Encontrei um velho sentado em um banco fumando um cachimbo. O velho era barbudo e tinha a pele muito enrugada, ele usava um chapéu de palha e suas roupas pareciam muito antigas. Eu me aproximei do velho para pedir umas informações. Eu o cumprimentei com um bom dia, ele respondeu. Então eu disse que estava ali para encontrar o sítio do senhor Pietro, o ex-proprietário da antiga barbearia. O velho respondeu: Moça, o sítio do Pietro fica lá pelas bandas do Tijuco Preto, uns doze quilômetros daqui, mas é perigoso ir até lá sozinha. Esta cidade ficou abandonada, existem poucos moradores, mas por causa do abandono o mato tomou conta de tudo, tem muito bicho selvagem por aí. Se a senhora quiser eu posso ir lá com a moça.
Eu agradeci o velho e disse que aceitava sua ajuda. Então entramos no carro e fomos para o sítio. Eu disse ao velho que era bisneta de Pietro. Ele me disse que o meu bisavô era um homem muito bom, mas que às vezes metia os pés pelas mãos. O velho foi me contando várias estórias enquanto íamos em direção ao sítio. Algumas estórias eram muito alegres e divertidas, outras tristes demais, como aquela em que houve uma briga no cinema, e um amigo matou o outro por causa de uma discordância boba.
O velho contou assim: Sabe moça, aqui antigamente era uma cidade com muita vida, havia um cinema que era a grande diversão do pessoal daqui. No final da tarde depois do trabalho a maioria dos homens iam ao cinema. O Juca e o Rafael eram amigos e gostavam daqueles filmes de cowboy, eles eram fã do Tom Mix. Pois é, naquele dia, naquele ano de 1939, aconteceu de os dois brigarem por causa de uma disputa política.
A briga começou dentro do cinema e acabou na Rua Direita, em frente o mercado. O Juca deu vários tiros no Rafael, o infeliz nem teve como reagir. Foi tudo muito triste.
O Juca foi preso, mas logo saiu, ele era sobrinho do prefeito da cidade. Mas aconteceu uma coisa terrível com o Juca, o homem ficou louco, ele andava pelas ruas dizendo que tinha um homem montado nas costas dele. É moça, eu já vi cada coisa nesta cidade que a senhora nem imagina.

Depois de algum tempo andando por uma estrada cheia de mato, finalmente chegamos ao sitio do Pietro.

continua...

lita duarte

sábado, 23 de outubro de 2010

COISAS DA VIDA

Aquele homem parecia muito estranho, andava pelas ruas falando sozinho, de vez enquando olhava para o alto e dava murros no ar. Eu ficava olhando de longe e imaginando o que se passava dentro daquela cabeça. Um sujeito com feições bonitas. Ele era alto, magro e muito branco. Era jovem, devia ter uns trinta anos, no máximo.

Não sei bem porque, mas costumo prestar atenção aos tipos “estranhos” que vejo pelas ruas. Fico imaginando o que os levou aquela condição de vida.

Outro dia, conheci uma figura muito louca. Uma mulher que mora na rua. Ela tem quarenta e oito anos de idade, faz quatorze anos que mora na rua. Já sofreu todo tipo de agressão, mas diz que hoje em dia aprendeu a se livrar dos problemas.
O nome dela é Joana, ela tem uma personalidade forte, dá pra ver que ela já foi muito bonita.
Ela me disse que foi morar na rua por causa de uma loucura que fez quando era mais nova.

Aos trinta e dois anos, Joana conheceu um rapaz muito encantador. Eles se conheceram em um baile de formatura. O rapaz era muito bonito, moreno, alegre, comunicativo e solteiro.
Joana era casada e tinha um filho. Não era muito feliz no casamento, mas vivia bem, dentro de uma estabilidade razoável.
Ao conhecer o moreno, ela virou a cabeça. Apaixonou-se por ele, então, a partir do momento que assumiu sua paixão, sua vida mudou completamente.

lita duarte

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O HOMEM

Todos os dias eu passava no bar Flor de Liz. Assim que eu saía do trabalho, ia caminhando até aquela grande avenida movimentada. Eu adorava entrar naquele bar e ficar sentado ali, no último banco do balcão. Era um lugar privilegiado, pois, eu podia ver todo o movimento da rua. O bar ficava no alto, e tinha um aspecto bom, parecia que eu estava num outro lugar. Eu pedia uma cerveja e ficava saboreando aos goles o gosto amargo daquela bebida. Às vezes, alguém aparecia e começava conversar comigo, mas na maioria das vezes eu queria ficar ali, só, sem pensar em nada e voando com meus pensamentos. Ah, de vez em quando, eu dava uma olhada para a moça do caixa. Nossa! Ela era linda! Eu ficava imaginando um jeito de chegar nela, dizer: Gata, você é demais!
Eu imaginava cada coisa, pensava em dar uns beijos nela, mas será que ela iria gostar de mim? No meu sonho ela gostava... Eu podia tudo com ela! Mas quando eu ia embora do bar e tinha que passar no caixa para pagar a minha conta; eu tremia na base. Só de a moça bonita me encarar, eu ficava sem jeito. Pagava minha conta e ia embora arrependido de não ter falado o que eu queria. Era sempre assim. E ao sair do bar eu sempre ouvia alguém dizer: Lá vai o homem esquisito.

lita duarte

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ESTER, A HABITANTE DO PARQUE

Eu caminhava por entre as árvores naquela manhã fresca e agradável no parque do Flamengo, aqui no Rio de Janeiro. Era o ano de 2003. Eu tinha o hábito de fazer isso logo cedo, antes de ir trabalhar. Mas nesse dia aconteceu algo diferente e assustador. Ao cruzar uma rua do parque, senti um baque nas costas e cai no chão, quando me levantei dei de cara com uma mulher me encarando e dizendo que eu estava invadindo seu território. Eu, um homem de quarenta anos e quase dois metros de altura olhei nos olhos dela e disse: O que foi que eu fiz? Nesse instante ela disse um monte de palavras enroladas que eu não entendi. Parecia que ela estava entrando num transe. Depois de alguns segundos ela voltou ao normal e perguntou o meu nome. Eu respondi: Sou o Silas, e você quem é?
Ela olhou para longe e me disse: Meu nome era Ester, mas hoje eu já não tenho nada, nem meu nome.

Não sei o que me deu, mas me interessei por aquela mulher, me interessei em saber sua história.
Todas às vezes que eu ia ao parque eu procurava encontrá-la, mas parecia que ela havia sumido.
Um dia, andado por lá sem pensar em nada, eu a vi de longe entre uns coqueiros, ela estava dançando. Eu me aproximei de mansinho, ela se assustou, eu disse para ela ficar calma, pois eu só queria conversar um pouco com ela. A mulher olhou pra mim e disse: Quer conversar o quê? Ninguém fala comigo há muito tempo, acho que eu nem existo, acho que sou um fantasma, é, você está vendo um fantasma! Dizendo isso, saiu correndo e sumiu entre as árvores.
Deu-me vontade de correr atrás dela, mas no fundo, eu não queria assustá-la. Então fui dar uma volta. Acabei indo embora.

lita duarte

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

BALÕES




Eles brincavam juntos e eram felizes, pois eram crianças, e as crianças até uma certa idade, conservam uma certa espontaneidade.
Adoravam soltar pipas e jogar bolinhas de gude. Estavam sempre juntos. Iam juntos para a escola, passeavam juntos. A companhia de um, preenchia o outro. Era assim quase todos os dias naquele tempo que já não existe mais.

Certa vez, ficaram encantados com uma exposição de balões de seda e outros materiais que não me lembro agora. As cores dos balões fascinava os pequenos companheiros.
Um dizia ao outro: Quando eu crescer quero viajar num balão bem grande, quero voar por este mundão afora, e você vai comigo, amiga.
Sonhavam! E como sonhavam! Acho que ainda continuam sonhando, cada um no seu mundo e a seu modo.

lita duarte

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ENTRE AMIGAS

A paciência é virtude difícil, Lena.
Assim, começava mais uma conversa braba entre duas amigas.
O assunto era a morte, sempre ela, dona morte rondando com seu cheiro angustiante.

-Amiga, como entender o caso daquela mulher que abandonou os filhos e foi morar na rua? Tudo, porque eles eram viciados em drogas. E mesmo na rua a pobre não teve sossego, pois os mesmos iam lhe perturbar a ponto de um deles chegar ao absurdo de tirar a vida da própria mãe.
-Lena, quem criou esses filhos? Foi essa mãe, por quem os infelizes não tinham respeito e amor. É difícil entender essas coisas. A gente pensa que isso nunca poderia acontecer.
-Amiga, eu penso que houve negligência na educação desses filhos, faltou alguma coisa! Não tenho dúvida!
-Lena é preciso desde cedo educar as crianças com muito amor e disciplina. Uma criança precisa ter limites, não pode fazer tudo o que deseja. Se deixarmos às crianças por si, sem cuidados e atenção; vamos criar monstros.
-Amiga, o problema é a falta de estrutura. Uma pessoa que foi criada de qualquer jeito, não vai ter parâmetros. Sempre vou bater na tecla da educação, mas uma educação que seja no sentido de dar condições para que uma pessoa possa optar sobre o que vai fazer da vida. Educação que gera transformações.


Continua...

lita duarte

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PASSAGENS




Foram-se todos os dedos, mas os anéis ainda estão aqui.
Essa foi uma colocação feita por Dina, ao visitar um museu.
Incrível é ver todas essas peças e não imaginar quem as usou.
Como será que foi a vida das pessoas que usaram esses anéis?
O fato real é que hoje, elas não estão mais aqui.

lita duarte

sábado, 9 de outubro de 2010

"MULHER MARAVILHA" - Doces Lembranças - 1982

Não, eu não vou chorar, mas eu queria tanto, mas tanto a roupa da mulher maravilha.
Assim, todos os dias a menina de cabelo de uvas, falava para a mãe.
A mãe dizia:
-Sim, minha querida, vou comprar para você aquela roupa bonita - assim que der.
E todos os dias era a mesma estória.

A menina pensava: Será que minha mãe esqueceu da minha roupa? Eu quero vestir a minha roupa e sair por aí, minhas primas vão gostar, elas vão dizer:
-Que bonita!
Mas acho que elas também vão querer, será que a tia vai comprar a roupa pra elas também.
Não! Mas sou eu a mulher maravilha!

Os dias iam passando e nada da roupa da mulher maravilha chegar.
Um dia, a menina amanheceu com febre, a mãe a levou ao médico, o médico passou um remedinho, mas a menina ficava ali prostrada. Não melhorava. A mãe tomou uma atitude. Foi até uma loja e comprou a roupa da mulher maravilha para sua filha.
Chegando em casa ela disse assim:
-Adivinha o que eu tenho aqui nesta bolsa?
A menina olhou e falou:
-É a roupa da mulher maravilha!

lita duarte

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BELA

Andando pelas ruas, a mulher ia sentindo o cheiro da cidade. Tudo aquilo não era novidade para quem costumava andar quilômetros e quilômetros numa tentativa desesperada para não pensar.
Ela sentia o peso dos dias que se passaram. Agora, estava diante de sua realidade assustadora.
O convívio com sua própria aflição.
Morte! Não, a morte não lhe causava medo. O horror estava plantado no seu próprio ser. A incapacidade de viver. Sua vida agora era pesada demais.

Há alguns anos atrás, uma bela mulher admirada e querida por todos, ali naquela comunidade onde vivia, era alvo de elogios. Todos queriam ser seu amigo. Os homens queriam ter aquela criatura nos braços, e as mulheres queriam ser sua amiga.
Mas, o que havia de especial com aquela mulher alta, magra e morena. Havia muita tentação naqueles olhos negros, mas ela sabia usar de sua feminilidade, aquilo atraía todo mundo.
Ela não era rica, mas era de uma família que tinha certo patrimônio financeiro.

Um dia, Bela foi pedida em casamento por um homem muito rico. Ela aceitou. Afinal, dinheiro nunca é demais. Só que, Bela amava outro homem que infelizmente era pobre.
Mas o casamento da Bela com o homem rico, não foi impedimento para que ela e o pobretão vivessem um grande romance, daqueles cheios de lágrimas, dores e muito prazer e alegria.

Com o passar dos anos, Bela engravidou, nasceu um bebê muito bonito, menino, como o pai queria.
O menino foi crescendo, ele era muito diferente do pai, mas ninguém questionava nada, afinal, Bela sabia disfarçar o seu caso com o pobretão.

Quando o menino estava com sete anos, ele teve um problema de saúde muito sério, foram feitos muitos exames para verificar o que estava acontecendo com ele.
Nos exames constatou-se que o menino estava com Leucemia.
O mundo de Bela começou a desabar, ali naquele dia.





lita duarte

terça-feira, 5 de outubro de 2010

BRÍGIDA


Todos tinham medo da Brígida. Diziam que ela era bruxa. Tudo isso porque ela tinha uns hábitos diferentes.
Ela andava sempre de preto, era muito quieta e adorava comer maçãs.

Um dia, eu fui à casa dela, com Ana, uma amiga. Eu e Ana tínhamos quatorze anos, a Brígida devia ter uns vinte e cinco. Fomos lá para avisar que o pai dela estava passando mal, lá na rua da escola. Ela ficou desesperada e saiu correndo para ver o seu pai.
Eu e Ana olhamos a casa de Brígida, e não vimos nada de anormal. Saímos de lá e fomos ver o movimento na rua da escola.
O pai de Brígida estava tendo um ataque cardíaco. Foi socorrido e ficou bem.

No dia seguinte, Brígida foi conversar comigo e com Ana. Ela agradeceu por nós termos ido dizer o que estava acontecendo com seu pai. Assim, ela pôde socorrê-lo em tempo, e evitou o pior.
A partir daquele dia, Brígida ficou nossa amiga. Com o tempo, descobrimos que Brígida se vestia de preto porque estava de luto, sua mãe havia morrido há três anos, mas ela queria se vestir de preto para sempre. Ela comia muitas maçãs porque achava que elas deixavam sua pele bonita. Ela era muito quieta porque gostava de ser assim, era o temperamento dela.

lita duarte

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

TRANSTORNOS


Quando eu entrei na casa de dona Cândida, eu tomei um susto! Tinha tanta coisa espalhada por todos os lados. A mulher acumulava coisas dentro de sua casa. Havia uma montanha de jornais e revistas em todos os cantos. Havia roupas jogadas e amontoadas em todos os lugares da casa. O cheiro de bolor era muito forte. Para entrar na casa eu tive que fazer um grande esforço, pois a porta estava emperrada. Dona Cândida não saía de casa há muitos meses.

Descobri um tempo depois, que aquela pobre mulher sofria de um transtorno que a deixava daquele jeito;  com mania de juntar coisas. Para piorar, seus parentes não queriam saber dela. Quem a ajudava era alguns vizinhos e um pessoal de uma igreja. Mas era complicado, porque ela não queria saber de se tratar. Para ela ir ao médico foi o maior trabalho. E infelizmente alguns vizinhos já haviam perdido à paciência com ela, e queriam mais é que ela fosse internada.

Continua...

lita duarte

domingo, 3 de outubro de 2010

SER OU NÃO SER




Um dia, o pobre homem acordou do sono em que vivia.
Ele pensou: Ah, já não quero ser o mesmo. Sou tão bom, sou tão sincero e verdadeiro e só levo porrada. Sou tão amigo, sou, sou, sou, sou...
Espera aí - será que sou tudo isso! Então ele pensou e pensou - acho que andei me enganando, tentei enganar e fui enganado por meus devaneios. Agora, de hoje em diante eu vou me concentrar muito mais no que faço. Ora, ora, preciso deixar de ser infantil, preciso crescer, já não sou um garotinho de mamãe.

Daquele dia em diante, o pobre homem tomou coragem e resolveu ser mais sincero consigo mesmo, assumindo seus erros. Parou de se achar um coitado e assumiu as rédeas de seu destino.
Naquele dia houve “alegria no céu”, alguém finalmente renasceu para uma nova vida.

lita duarte