ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

sábado, 31 de julho de 2010

"CLARA ESPERANÇA"

Clara é uma criança cheia de esperança, embora viva em um ambiente muito complicado, procura ficar distante de tudo aquilo que lhe poderia fazer mal.

Ela estuda na escola pública, anda alguns quilômetros para chegar no horário e não perder nada. É uma criança muito esforçada, quer ser médica.
Clara sempre me diz que gosta de música e de cantar, diz que música lhe deixa em paz.
Ela entrou para o projeto de música e está indo muito bem, começou aprender a tocar violino. Eu peço a Deus que a proteja e que os sonhos dela sejam realizados.


lita duarte

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A BELA SENHORA E O ARCO-ÍRIS



Aquela mulher de sorriso bonito, sentada em uma cadeira com uma criança no colo e rodeada de netos, entrou em minha vida e marcou minha história.
Não me lembro o dia exato em que a conheci, mas sempre me lembro dela, assim como descrevi, sorrindo e rodeada de crianças.
Agradeço a Deus por ele ter colocado no meu caminho um arco-íris, descobri muitas coisas bonitas e boas através dele, pois ele me apresentou a bela senhora do sorriso bonito.

lita duarte

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O QUE É A VIDA?

Dona Celinha, de oitenta e sete anos morreria sozinha, se não fosse à bondade de algumas pessoas que tinha muita atenção com ela.
Ela era só, viúva e sem filhos. Falava três idiomas, foi uma mulher muito ousada na sua época de jovem, porque trabalhava e usava calças compridas, era muito independente, culta e só se casou aos trinta anos.

Há seis anos ela ficou viúva, sempre dizia que viveu um casamento muito feliz e que não sentia falta de filhos. Ela e o marido viajavam muito, tinham um relacionamento muito bom, mas viviam focados em si mesmos. Ao longo do tempo foram se afastando dos amigos e parentes. Ela dizia que era feliz, mas vivia sempre só. Às vezes ela ia à igreja. Como estava muito velha e doente dependia da bondade de vizinhos e alguns conhecidos.

Ela morava em um pequeno apartamento onde vivia confinada, por vontade própria. Não possuía convênio médico. Pedia para uma pessoa que fazia faxina em seu apartamento para lhe fazer compras de mercado. Quando recebia uma visita, ficava contente, porque podia conversar e dizer das suas dores e de seu passado.
O que mais me intrigava era saber que, todos os dias a vida daquela senhora era uma rotina na qual ela já não esperava mais nada. Eu sempre ficava imaginando a madrugada dela. Sim, porque ela me dizia que só conseguia dormir depois das duas horas da manhã, isso quando o sono chegava, porque às vezes ele não chegava.

Dona Celinha partiu o mês passado para a eternidade. O que ninguém imaginava é que ela tinha um bom dinheiro no banco, uma quantia boa mesmo que daria para ela ter vivido bem melhor, porque as pessoas a ajudavam pensando que ela passasse necessidades.
Dona Celinha era considerada uma pessoa culta e esclarecida. Dona Celinha deixou todo o dinheiro e o apartamento dela para o estado.
O mais triste dessa história, é saber que ela não aproveitou o que tinha direito: se alimentar bem, desfrutar do que é bom e também contribuir para melhorar a vida de quem não tem recursos.
Enfim, dona Celinha viveu como quis, tomara que ela tenha realmente sido feliz.


lita duarte

quarta-feira, 28 de julho de 2010

UM CONTO... AMIGOS

Ora, ora, mas Deus é invenção dos homens.
Assim começava mais uma conversa entre aqueles dois seres que se completavam.

Lara vivia questionando tudo! Lino queria explicar tudo! Eles não podiam se encontrar, senão logo começavam uma discussão. Da última vez não foi diferente.

Sabe Lara, hoje eu fui visitar o meu tio Alfredo, ele está muito doente, então como ele freqüenta uma igreja, algumas pessoas foram na casa dele para fazer orações por ele.
Eu achei estranho aquele jeito das pessoas orarem, elas gritavam tanto, aquilo me assustou.

Lino, meu amigo, acaso Deus é surdo? Essas pessoas acreditam em tudo! Gritar para um doente deve deixá-lo mais doente, tenho dó de seu tio. Tudo é Deus! Ai, as pessoas me dão nos nervos com essa história de pedir tudo pra Deus, por a culpa em Deus e matar em nome de Deus!

Calma, Lara, assim você vai ficar doente. Eu acho que Deus existe, mas às vezes eu tenho dúvidas. Dizem que ter dúvidas já é um bom sinal. Será?

Lino, tudo é uma grande invenção, Deus também é uma grande invenção, se bem que eu acredito nele. Não sei te explicar, mas acredito. Deus para mim, não está preso em igreja nenhuma, Deus é igual o sol, a lua, as estrelas, o mar... toda essa imensidão que ninguém pode comprar e nem vender. Deus é.

Desse jeito que você fala Lara, eu até fico arrepiado, sei lá, a gente não sabe quase nada de nada. Às vezes, eu acho tudo tão confuso, e isso porque eu só tenho dezesseis anos, já pensou quando eu tiver quarenta!

Não meu amigo, eu nem quero pensar, porque eu já tenho dezessete! Lino, o que eu queria fazer da minha vida era viajar, mas lá para bem longe, queria sair fotografando tudo nesse mundão! Mas tenho que me preparar para entrar na faculdade, e o pior de tudo é que eu não sei o que eu quero cursar, pode?

Lara, você fala de barriga cheia, é só você se ligar naquilo que você gosta e pronto, escolhe o curso que tem alguma coisa a ver com você. Se bem que, eu queria fazer arquitetura, mas meu pai quer que eu faça engenharia, estou num beco sem saída.

Lino é muito fácil dar conselhos. Aliás, por que nós somos assim? Cheios de manias, sempre queremos dizer o que os outros devem fazer, mas nós mesmos, hum...

Lara deixa isso para outro dia, tá bom, vou nessa, ainda tenho que estudar, tem prova amanhã, já é tarde.
Até amanhã.

Lino, eu também tenho que estudar, mas detesto. Só que não posso fugir, tenho que encarar, senão é só atraso.
A gente se vê por aí.

Continua...


lita duarte

1973 - VALEU MENINOS!

Num certo dia, lá nos idos de 1973, eu que era apenas um adolescente de treze anos de idade, fui ao teatro da Record em São Paulo, com uma de minhas irmãs e amigos, para assistir ao Papo Pop, programa que era feito pelo grande e excepcional Big Boy, o homem do: Hello Crazy People! Sua inesquecível (marca) frase.

Quando chegamos lá nas proximidades do teatro, vimos uma grande agitação. Pessoas bem alegres, com roupas coloridas e algumas com violões e outros instrumentos musicais.
Ficamos ali na rua curtindo toda aquela festa e esperando o teatro abrir. Víamos os artistas chegando, alguns acenavam, mas logo entravam no teatro.

De repente, chegou um carro, de dentro desse carro saiu nada mais nada menos que: Raul Seixas. Ele estava vestido com um poncho na cor cinza, estava de óculos escuros e carregava o seu violão. Ele foi passando entre as pessoas e cumprimentando todo mundo. Parou para conversar, sorriu, brincou, depois com muita calma entrou no teatro.

Abriram às portas do teatro, então todos entraram para assistir ao show.
Sinceramente, eu não me lembro de nenhum outro artista que se apresentou naquele dia, mas Raulzito ficou marcado na minha memória.
Lembro-me de Big Boy dizendo: Hello Crazy People! Ai vem Raul Seixas! Então foi pura vibração, quem estava lá, curtiu muito aquele momento único e inesquecível.


Big Boy era locutor, apresentador, dj e chegou a escrever para vários jornais, o homem era demais!
Teve uma vida curta, morreu aos trinta e três anos, mas penso que viveu tudo o que ele quis viver.

Raul Seixas O Maluco Beleza, era compositor e cantor, assim como Big Boy, também morreu muito cedo, mas penso que ele também viveu tudo o que quis viver.

Valeu meninos!




lita duarte

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O LIVRÃO

Quando eu era pequenina, era muito curiosa. Bem, ainda sou. Lembro que aos seis anos de idade, eu vivia querendo ler os livros do meu pai. Ele tinha o maior cuidado com os livros dele, mas sempre que estava lendo algum, então ele me chamava e me pegava no colo, colocava o livro de lado e me contava uma estória. Ele era um grande contador de estórias.
Ele tinha um livro muito bonito com estórias lindas, na verdade era um livrão que me deixava encantada, pois continha estórias indianas antigas. Às vezes ele me deixava ver o livro.
Um dia, uma tia meio doidinha pegou esse livro e deu fim nele. Meu pai ficou muito bravo com ela, na verdade ele ficou enfurecido, mas não teve jeito, o livro nunca mais apareceu.
Quem o encontrou deve ter ficado muito feliz.

lita duarte

BONS TEMPOS


Era uma vez uma casa. Uma casa feliz, porque ali, viviam pessoas que se amavam e se respeitavam. Haviam pais que cuidavam de seus filhos, como se esses fossem tesouros, por isso, tudo era feito com energia, rigor e disciplina, mas tudo isso com muito amor.
Os filhos eram bem cuidados e ensinados a dar valor ao que realmente tem valor. Não havia falta de palavras e atos de carinho e atenção.
Aquele era um tempo muito bom, pais eram pais e filhos eram filhos.


domingo, 25 de julho de 2010

EU E ELE


Quando eu o conheci, foi amor logo de cara. E eu sabia que seria para sempre.

E foi num domingo do mês de fevereiro em que nosso amor ficou selado para sempre.



Num certo domingo, uma amiga de minha mãe me convidou para ir com ela e suas filhas visitar Iguape, uma cidade praiana no litoral sul de São Paulo. Eu nunca tinha visto o mar, aquela seria a minha primeira vez com ele. Não deu outra, assim que o vi, senti uma emoção enorme, corri para ele e ele me acolheu com todo vigor e energia. Senti-me beijada e abraçada por ele. A partir daquele dia, eu nunca mais o esqueci, tenho por ele uma grande paixão e sei que nunca vai acabar, porque é algo eterno.

sábado, 24 de julho de 2010

O CASAL

Juca e Ana formam um casal muito interessante. Eles estão casados há cinquenta e três anos. Já viram muitas coisas boas e ruins nesta vida. Mas são muito unidos. Todos dizem que hoje em dia não existe mais casal como eles. Eles estão sempre juntos, conversam muito. Moram numa casinha muito bonita. Aos domingos recebem os filhos, netos e bisnetos para o almoço que dona Ana prepara com o maior prazer. Amanhã é domingo, é dia de festa e muita alegria.

lita duarte

quarta-feira, 21 de julho de 2010

MANGUEIRAS


Dona Júlia era nossa vizinha perto do casarão antigo que ficava perto da antiga estação de trens. Ela morava em uma casa com um belo quintal cheio de árvores. Eu adorava ir lá na casa dela, sempre que ela me chamava para ajudá-la na preparação da ração dos patos. Dona Júlia criava patos, ela era japonesa e muito simpática.
No quintal havia três mangueiras e uma jabuticabeira. Nessa época do ano era inebriante o perfume das flores das mangueiras, era uma delícia ficar ali naquele quintal.


continua...

lita duarte

domingo, 11 de julho de 2010

SONHOS LIBERTOS

Menina, não me venha com bobagens, você vive no mundo da lua!
Dona Tina, estou dizendo que sonhei de novo com aquele moço.
Zélia, na tua idade eu também sonhava com moços.

Era sempre assim, Zélia vivia dizendo para as pessoas que sonhava com um moço de longe, esse moço viria buscá-la para se casar com ela.

Zélia era uma moça morena, cabelos castanhos, de pequena estatura e tinha uns vinte anos de idade. Era muito falante e sonhadora.
Fora trazida para São Paulo, para trabalhar com dona Tina, uma senhora de cinqüenta e oito anos, gorda, branca, cabelos ruivos, solteira e dona de uma lojinha de aviamentos e que também oferecia serviço de costura: conserto de roupas em geral.

Dona Tina e Zélia trabalhavam o dia todo na lojinha. Toda costura ficava a cargo de Zélia, dona Tina só atendia no balcão.
Elas moravam juntas no apartamento de dez cômodos, mas Zélia ocupava o quartinho de empregada.
Dona Tina cobrava tudo o que Zélia consumia, pagava um salário pequeno pelo serviço de costura, mas Zélia tinha que pagar pela moradia e alimentação, no final quase não lhe sobrava nada.
Mas parecia que Zélia vivia feliz. Afinal de contas, ela saiu de sua terra natal, onde sofria muito porque dependia da bondade de alguns parentes, mas o lugar em que ela vivia era de uma pobreza de fazer doer o coração de quem passasse por lá.

Zélia vivia sonhando com um homem que lhe dizia que se casaria com ela. Esse homem era de um lugar muito longe, lá do outro lado do mundo. Ela ficava feliz todas ocasiões em que isso ocorria.
Pra ela era um prazer ficar contando esse sonho para os outros.
Zélia era uma pessoa muito simples, sem grandes sonhos e vaidades. Mas queria encontrar uma pessoa que a fizesse feliz.
Felicidade pra ela, era poder ter alguém que gostasse dela e lhe fizesse companhia sempre. Por ser órfã e sempre depender de favores de outros, tudo o que ela queria era alguém só pra si.

continua...

lita duarte