ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

TILA E DIGÃO

Lá na vila da charqueada, moravam umas pessoas muito interessantes, elas eram descendentes de africanos vindos de Angola. A menina Tila, quando voltou a morar na vila, logo fez amizade com aquelas pessoas. Voltou a morar na vila depois de muitos anos afastada de lá, pois ela nascera ali naquela vila num dia quente de verão num certo domingo de fevereiro, que ficou marcado para sempre em sua história, e na história de algumas pessoas também. Aos oito anos de idade, Tila volta com sua família para a vila.
Vila encantada, vila de muitas histórias, brincadeiras, choros, alegrias e tudo que uma criança normal pode viver.
Foi ali que, Tila conheceu o Digão, um menino de dez anos de idade, filho de dona Ana, e que gostava de inverter o nome das coisas e das pessoas. Digão era negro, muito magro e tinha os dentes muito brancos, e vivia com um sorriso escancarado. Tila e Digão ficaram muito amigos e estavam sempre juntos, eles se entendiam muito bem, falavam de tudo, brincavam nas árvores, cada um tinha dois cachorros e aonde eles iam; lá estavam os cachorros também. A Tila, não gostava de ir para a escola, então o Digão, todos os dias passava na casa dela para que eles fossem juntos. Ele a animava muito, ele gostava muito dela, Tila era muito branquinha, então o Digão a chamava de Tilinha- branquinha. Quando chovia era uma festa! Tila e Digão saíam na chuva, tomavam banho de chuva, mas quando voltavam pra casa levavam muita bronca. Os adultos não sabiam o quanto era bom tomar banho de chuva.

O tempo foi passando. Um certo dia, o pai de Tila, disse que eles iriam mudar dali para uma outra cidade. E foi o que aconteceu. Tila teve que se despedir do seu amigo Digão, então foi muito choro, muitas lágrimas, porque parecia que nunca mais eles se encontrariam. E foi o que aconteceu. Eles se afastaram e como eram crianças nunca mais se comunicaram. Ela voltou algumas vezes ali na cidade onde nascera, mas nunca encontrou o Digão.

Um dia, ela ficou sabendo que ele havia morrido, morreu muito novo com dezessete anos, ele era exímio nadador, mas morreu afogado...
Tila, nunca esqueceu aquele amigo daquele tempo de infância. Eles eram grandes companheiros.


lita duarte

quinta-feira, 20 de maio de 2010

SABORES DA INFÂNCIA

Quando eu era criança, morava em uma cidade muito rural. Lá, eu podia brincar à vontade. Correr pelas ruas, brincar nos quintais das casas dos amigos, em que geralmente havia muitas árvores frutíferas. Vivíamos em cima das árvores, comendo frutas tiradas na hora. A minha fruta favorita é a manga. Muitas vezes eu subia em uma mangueira e ficava lá por horas a saborear as deliciosas frutas. Às vezes passava alguém lá embaixo da mangueira e pedia que eu jogasse algumas mangas. Eu fazia isso com o maior prazer. Muitas vezes jogava mangas tão maduras que acertava a pessoa em cheio, aí, era a hora do pega pra capar. A pessoa ficava irritada e dizia que ia me pegar lá em cima da mangueira. Então eu dizia: Foi sem querer! Eu não fiz por mal. A pessoa fingia que entendia e ia embora, enquanto eu ficava lá em cima da mangueira até chegar à hora de ir para a escola. Essa era a pior hora, ir para a escola! Mas isso já é outra estória.

lita duarte
Texto escrito em 2003.