ESTÓRIAS...

ESTÓRIAS...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O MILAGRE

Hoje é domingo. O domingo sempre foi especial para mim.
O domingo representa festa e celebração.
Jesus ressuscitou em um domingo, então o domingo é o dia do Senhor.
Muitos não crêem nesse fato, mas que o Cristo ressuscitou; isso é verdade. Ele é um milagre. E milagres acontecem o tempo todo, só que nossas mentes limitadas não nos deixam perceber e aceitar essa realidade.
Renascer das cinzas é possível!

Eu tenho visto muitos acontecimentos surpreendentes na vida de algumas pessoas, e muitas delas já haviam perdido tudo ou quase tudo, mas viram uma luz se acender para elas nas palavras de Cristo. E assim, buscaram e esperaram por um milagre, então o milagre aconteceu.

Sempre gosto de deixar bem claro que: quando falo de Cristo, falo do Cristo distante das ideologias religiosas. Falo do Cristo humano, mais humano que divino.
É o Cristo que através da PALAVRA curava as pessoas, porque às suas palavras libertavam a todos que buscavam por elas através Dele. Suas palavras tocavam de tal maneira as pessoas que elas podiam olhar para dentro de si, e sentir que eram merecedoras da vida. Porque a vida é um milagre, é um grande e único acontecimento.

O domingo é um dia de festa, porque é um dia que dá um novo inicio à semana, então podemos pensar em fazer tudo diferente e renovar a nossa mente e o nosso coração.

Cristo ressuscitou em um domingo, mas Ele sempre estará vivo para aqueles que o buscarem independente de datas ou comemorações. Porque Ele estará vivo para sempre através de suas palavras que geram vida.

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de amor e de verdade, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.
João 1: 14 Bíblia

lita duarte


Texto escrito em fevereiro de 2008.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O MANO Z.

O Z. era o cara! Ele era dos meus irmãos o mais bonito, loiro, sarado comunicativo e muito agitado.
O Z. morava em São Paulo, na casa de minha irmã mais velha que, nessa época já era casada.
Todas às vezes que o Z. ia nos visitar, era uma festa. Lembro de uma data especial. Foi o ano de 1967. O Z. avisou meus pais que iria levar sua noiva para que nós a conhecêssemos. Lembro que minha mãe ficou agitada com os preparativos para receber tão importante pessoa. A própria época era especial, pois era dezembro, o mês do meu querido Natal. Sempre gostei do Natal, sempre foi um dia de muita alegria para mim e meus familiares. Mas aquele ano foi muito especial, foi um ano de muitas mudanças.

Num certo dia de dezembro, eu fui junto com meus dois irmãos, J. e T. na estação de trens para esperarmos o Z. e sua noiva chegarem. Ah, era muito bom ficar ali, naquela estação vendo os trens que chegavam e os trens que partiam, eu adorava observar o movimento geral. Mas o trem em que o Z. e sua noiva chegariam, estava demorando demais. Os meus irmãos ficavam tentando me acalmar, mas eles sabiam que eu só iria ficar sossegada na hora em que visse o Z. na minha frente.

Finalmente o trem chegou. No meio da multidão surgiu o Z. e sua noiva. Foi muita emoção! Demos muitos abraços e beijos, ele nos apresentou sua linda noiva, depois seguimos para casa de mãos dadas. Ao chegarmos em casa, foi mais festa com meus pais e outros irmãos, beijos abraços,choro, risos... alegria.

Depois de algum tempo o Z. abriu a mala e distribuiu os presentes que ele havia levado para nós. Era tanta coisa que minha mãe falou: Filho, pra que tudo isso! O Z. abriu um sorriso enorme e disse: Amo vocês.

O Z. levou vários presentes para nós naquele Natal, dentre eles havia discos dos Beatles e Rolling Stones, bonecas, tecidos finos e outras coisas que nem me lembro mais. Mas o presente maior para a minha família era a presença do Z. ali, celebrando mais um dia de vida, mais um Natal de alegria.

lita duarte

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

AMIGO DANIEL


O amigo Daniel é uma pessoa muito especial. Nós nos conhecemos através dos blogs.
Um dia, fiz um post sobre uma frase de Hermann Hesse. Daniel pensava que eu estava falando de outro Hesse, e não do grande escritor. Quando esclareci de quem falava o meu post; demos boas risadas e a partir desse dia começamos uma bela amizade.

Daniel, muito obrigada pelo livro, muito obrigada por sua amizade.


AMOR NA GUERRA - Clique ai!
lita duarte

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O BOSQUE


























































O BOSQUE - Clique e leia lá!
Não tenho mais tempo para ir ao bosque como fazia nos anos que se passaram, mas outro dia estive lá. Tive uma ótima sensação ao andar por lugares em que passei tantas vezes. Foi bom lembrar do que ia na cabeça e no coração, na época em que por lá caminhava. Lembrar do que passou é muito bom.
Graças a Deus posso dizer que tenho boas lembranças.







quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CHIQUITA


Chiquita era uma mulher muito forte e determinada.
Eu gostava muito de ver o jeito dela. Ela tinha muito carinho e cuidado com seus sobrinhos.

Chiquita era viúva e morava coma a mãe e duas irmãs. Ela trabalhava fazendo bolos e salgados para festas.
Quando alguém de sua família fazia aniversário, ela costumava fazer uma festa em sua casa. Era uma tremenda alegria! Além dos bolos e doces deliciosos que ela e suas irmãs preparavam, havia música com violeiros e batuqueiros da região.

Além de festeira, Chiquita também era muito exigente com seus sobrinhos, ela fazia muito esforço para que eles estudassem.
Ela costumava dizer: Eu não quero saber de sobrinho meu sendo explorado por ninguém. Todos terão que levar os estudos a sério.
E ela pegava mesmo no pé dos meninos, não dava moleza. Ela ia à escola saber como estava sendo o proceder dos meninos, se eles estavam tendo dificuldades com alguma matéria. Como era o relacionamento deles com professores e colegas de classe, enfim tudo que envolvia a vida escolar dos meninos.

Algumas pessoas achavam que Chiquita exagerava com tanto zelo com os sobrinhos, mas ela não estava nem aí, ela era bem exigente, e foi isso que fez toda diferença na vida dos sobrinhos de Chiquita.
Na época ela tinha sete sobrinhos, quatro meninas e três meninos.
Todos eles tiveram uma boa formação escolar, e por isso tiveram oportunidade para se tornarem bons profissionais, cada um na área que escolheu. Alguns se tornaram advogados, professores e médicos. Todos são muito agradecidos aquela mulher que era firme com eles, e lembram que ela sempre lhes dizia assim: Sem disciplina e esforço ninguém chega a lugar nenhum.

lita duarte

sábado, 13 de novembro de 2010

O CIRCO

Quando o circo chegou à cidade naquele ano de 1967, foi um momento fora do comum. As crianças da minha rua ficaram cheias de curiosidades. Diziam que lá no circo havia umas pessoas muito estranhas. Havia um homem enorme com mais de dois metros de altura, e um homem muito pequenino; um anão. Diziam que a apresentação deles era muito especial.
O assunto de todo dia era o circo e seus personagens. Estávamos esperando pelo sábado para irmos ao circo. Mas parecia que o sábado nunca chegava. Durante a semana tivemos uma notícia de que talvez o circo não fosse estrear no sábado, porque o número do trapézio estaria sem dois de seus artistas principais. Ambos ainda não haviam chegado à cidade, diziam que eles estavam pelo caminho, e o veículo em que viajavam havia tido problemas na estrada. Aquela notícia deixou todo mundo agitado.

Quando chegou sexta-feira, nós ouvimos no rádio que o circo iria estrear no sábado, todos os artistas já haviam chegado. E o locutor que tinha um vozeirão fazia uma chamada bem animada para os ouvintes irem ao circo.

Finalmente o sábado chegou. E que sábado iluminado. Eu, meus irmãos e mais um grupo de amigos fomos ao circo. Foi uma tremenda agitação, um momento de felicidade. Aquele circo era muito especial, tinha palhaços engraçados, trapezistas que voavam e deixavam a gente de boca aberta. Mas o melhor de tudo era ver as pessoas felizes. Os adultos pareciam voltar à infância. Durante a semana seguinte o circo continuou sendo o assunto principal.

lita duarte

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

RAÍZES





A cidade de São Paulo é fascinante. Não dá para ficar indiferente ao seu aspecto peculiar e familiar que me enche de satisfação em todas as ocasiões em que venho para estas bandas. Dizem tantas coisas ruins de São Paulo, mas para mim ela sempre será um encanto. Tenho raízes profundas nesta cidade.

lita duarte

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

DITA, A VELHA


Não, eu não sei o que eu quero, acho que não quero nada. Ainda mais agora nessa hora que o tempo virou e o vento está soprando bem bravo. Será que vem chuva? É, vem sim e é daquelas furiosas querendo lavar o mundo a fundo e levar tudo embora.
Ah, lembrei de um sonho que veio no cochilo da tarde, na hora sagrada do meu descanso, também nessa minha idade, e agora que estou encardida de velha. Ah, o sonho era assim: Havia uma janela, parecia que eu podia ver o vento e ele me dizia: Acorda que a liberdade chegou. Agora você está livre daquilo que te consumia, finalmente o teu flagelo partiu e não volta nunca mais.
Acordei com o tal sonho me atormentando. Será que sonhei essa estranheza por causa do almoço. Acho que eu não devia ter comido feijoada. Já me disseram que tenho que me alimentar de coisas leves. Ficar velho é ruim, todo mundo quer meter o bedelho na vida da gente. Acho que vou tomar um banho pra espantar esse sonho.

lita duarte

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DONA FELICIDADE




Não há nada melhor nesta vida do que poder desfrutar de momentos profundamente felizes diante da Natureza.

Sempre gostei de quintais, das alegrias de quintais... Árvores, frutas, flores, bichos, terra, ruídos, aromas, etc.
Poder ficar quietinha, ouvindo e participando de instantes únicos, contemplando tudo o que é essencial.

lita duarte

sábado, 30 de outubro de 2010

O RIO GRANDE


Saímos bem cedo naquele sábado. Queríamos chegar ao rio grande e ver toda aquela água doce, mergulhar nele para sentir boas vibrações. Durante toda a semana nos preparamos para o passeio, que foi feito de bicicleta. Foram quinze quilômetros pedalando por uma estrada tranquila e de uma paisagem espetacular. No caminho encontrávamos pessoas caminhando para irem ao trabalho. Naquela região existem muitas plantações de laranja. O ar da manhã fazia um bem sem igual. Ainda bem que o sol estava fraquinho, assim não nos cansamos muito.

Finalmente chegamos ao nosso destino. O rio grande estava lá, esperando por nós.
Pulamos das bicicletas e corremos para dentro do rio. Foi uma sensação sem igual
mergulhar de roupa e tudo dentro daquele imenso rio. Foi um banho de energia. E que água deliciosa. Ficamos algumas horas por ali, nem sei quantas horas. Até o momento em que sentimos fome, então fomos fazer um lanche. Ficamos sentados olhando o rio, apreciando aqueles instantes mágicos.

Bem de tardinha voltamos para casa. Íamos pedalando num ritmo bem tranquilo e sem pressa de chegar. O vento soprava suave e fazia nossos cabelos voarem numa sensação de prazer e bem estar. Um dia desses voltaremos lá.

lita duarte

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

FLORES, FRUTAS, FESTA E FINADOS

Quando eu era criança, o dia de finados parecia um dia de festa. Era uma movimentação pelas ruas da cidade, uma agitação! Eu sabia que muitas pessoas ficavam tristes, porque naquele dia em especial era um dia marcado para lembrar os que já haviam partido, mas para mim, tudo aquilo parecia momentos de muita vida.

No caminho do cemitério da cidade, havia muitas barracas de frutas, melancia em especial. Fazia um calor terrível na minha cidade, então no dia de finados se consumia muita melancia, abacaxi e laranja.

Eu adorava ver as barracas de flores, havia flores aos montes, aquilo era um espetáculo!
Minha vontade era de fazer um tapete de flores e me deitar nele.
Eu não gostava muito das coroas de flores de papel crepom. Elas eram feitas nas cores: rosa, azul e branca. Elas davam um aspecto frio, acho que aquelas cores não me agradava. Eu imaginava coroas nas cores: vermelha, roxa, laranja e amarela.
Eu falava para a minha mãe que, se eu soubesse fazer coroas de flores, eu faria em outras cores. Minha mãe respondia que não se podia fazer coroas de flores em lembranças aos mortos, em cores vibrantes, porque não ficava bem.

Dentro do cemitério havia uma multidão de pessoas. Era gente para todos os lados. Eu só podia achar que era um dia de festa!
Não me lembro de ver muita gente chorando, mas conversando normalmente umas com as outras.
Quando a gente é criança, tudo é tão descomplicado.

Eu nunca tive uma impressão ruim dos cemitérios. A morte para mim, também não é algo assustador, é apenas mais uma etapa da vida.


lita duarte

domingo, 24 de outubro de 2010

A MOÇA E O VELHO


Cheguei naquela cidadezinha em uma manhã de sábado. Esperava encontrar o que eu havia ido procurar. Há muito tempo que eu queria ir até aquele lugar distante. Era o desejo de meu tio que eu fosse até lá para ver de perto o lugar de minha origem.

Viajei muitos quilômetros para chegar num lugarejo que na minha imaginação era muito bonito e povoado de pessoas alegres. Acho que me deixei levar por uma inocência infantil.

Ao chegar à cidade, logo na entrada havia uma antiga estação de trens, parecia que não passava ninguém por ali há muitos anos.
Encontrei um velho sentado em um banco fumando um cachimbo. O velho era barbudo e tinha a pele muito enrugada, ele usava um chapéu de palha e suas roupas pareciam muito antigas. Eu me aproximei do velho para pedir umas informações. Eu o cumprimentei com um bom dia, ele respondeu. Então eu disse que estava ali para encontrar o sítio do senhor Pietro, o ex-proprietário da antiga barbearia. O velho respondeu: Moça, o sítio do Pietro fica lá pelas bandas do Tijuco Preto, uns doze quilômetros daqui, mas é perigoso ir até lá sozinha. Esta cidade ficou abandonada, existem poucos moradores, mas por causa do abandono o mato tomou conta de tudo, tem muito bicho selvagem por aí. Se a senhora quiser eu posso ir lá com a moça.
Eu agradeci o velho e disse que aceitava sua ajuda. Então entramos no carro e fomos para o sítio. Eu disse ao velho que era bisneta de Pietro. Ele me disse que o meu bisavô era um homem muito bom, mas que às vezes metia os pés pelas mãos. O velho foi me contando várias estórias enquanto íamos em direção ao sítio. Algumas estórias eram muito alegres e divertidas, outras tristes demais, como aquela em que houve uma briga no cinema, e um amigo matou o outro por causa de uma discordância boba.
O velho contou assim: Sabe moça, aqui antigamente era uma cidade com muita vida, havia um cinema que era a grande diversão do pessoal daqui. No final da tarde depois do trabalho a maioria dos homens iam ao cinema. O Juca e o Rafael eram amigos e gostavam daqueles filmes de cowboy, eles eram fã do Tom Mix. Pois é, naquele dia, naquele ano de 1939, aconteceu de os dois brigarem por causa de uma disputa política.
A briga começou dentro do cinema e acabou na Rua Direita, em frente o mercado. O Juca deu vários tiros no Rafael, o infeliz nem teve como reagir. Foi tudo muito triste.
O Juca foi preso, mas logo saiu, ele era sobrinho do prefeito da cidade. Mas aconteceu uma coisa terrível com o Juca, o homem ficou louco, ele andava pelas ruas dizendo que tinha um homem montado nas costas dele. É moça, eu já vi cada coisa nesta cidade que a senhora nem imagina.

Depois de algum tempo andando por uma estrada cheia de mato, finalmente chegamos ao sitio do Pietro.

continua...

lita duarte

sábado, 23 de outubro de 2010

COISAS DA VIDA

Aquele homem parecia muito estranho, andava pelas ruas falando sozinho, de vez enquando olhava para o alto e dava murros no ar. Eu ficava olhando de longe e imaginando o que se passava dentro daquela cabeça. Um sujeito com feições bonitas. Ele era alto, magro e muito branco. Era jovem, devia ter uns trinta anos, no máximo.

Não sei bem porque, mas costumo prestar atenção aos tipos “estranhos” que vejo pelas ruas. Fico imaginando o que os levou aquela condição de vida.

Outro dia, conheci uma figura muito louca. Uma mulher que mora na rua. Ela tem quarenta e oito anos de idade, faz quatorze anos que mora na rua. Já sofreu todo tipo de agressão, mas diz que hoje em dia aprendeu a se livrar dos problemas.
O nome dela é Joana, ela tem uma personalidade forte, dá pra ver que ela já foi muito bonita.
Ela me disse que foi morar na rua por causa de uma loucura que fez quando era mais nova.

Aos trinta e dois anos, Joana conheceu um rapaz muito encantador. Eles se conheceram em um baile de formatura. O rapaz era muito bonito, moreno, alegre, comunicativo e solteiro.
Joana era casada e tinha um filho. Não era muito feliz no casamento, mas vivia bem, dentro de uma estabilidade razoável.
Ao conhecer o moreno, ela virou a cabeça. Apaixonou-se por ele, então, a partir do momento que assumiu sua paixão, sua vida mudou completamente.

lita duarte

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O HOMEM

Todos os dias eu passava no bar Flor de Liz. Assim que eu saía do trabalho, ia caminhando até aquela grande avenida movimentada. Eu adorava entrar naquele bar e ficar sentado ali, no último banco do balcão. Era um lugar privilegiado, pois, eu podia ver todo o movimento da rua. O bar ficava no alto, e tinha um aspecto bom, parecia que eu estava num outro lugar. Eu pedia uma cerveja e ficava saboreando aos goles o gosto amargo daquela bebida. Às vezes, alguém aparecia e começava conversar comigo, mas na maioria das vezes eu queria ficar ali, só, sem pensar em nada e voando com meus pensamentos. Ah, de vez em quando, eu dava uma olhada para a moça do caixa. Nossa! Ela era linda! Eu ficava imaginando um jeito de chegar nela, dizer: Gata, você é demais!
Eu imaginava cada coisa, pensava em dar uns beijos nela, mas será que ela iria gostar de mim? No meu sonho ela gostava... Eu podia tudo com ela! Mas quando eu ia embora do bar e tinha que passar no caixa para pagar a minha conta; eu tremia na base. Só de a moça bonita me encarar, eu ficava sem jeito. Pagava minha conta e ia embora arrependido de não ter falado o que eu queria. Era sempre assim. E ao sair do bar eu sempre ouvia alguém dizer: Lá vai o homem esquisito.

lita duarte

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ESTER, A HABITANTE DO PARQUE

Eu caminhava por entre as árvores naquela manhã fresca e agradável no parque do Flamengo, aqui no Rio de Janeiro. Era o ano de 2003. Eu tinha o hábito de fazer isso logo cedo, antes de ir trabalhar. Mas nesse dia aconteceu algo diferente e assustador. Ao cruzar uma rua do parque, senti um baque nas costas e cai no chão, quando me levantei dei de cara com uma mulher me encarando e dizendo que eu estava invadindo seu território. Eu, um homem de quarenta anos e quase dois metros de altura olhei nos olhos dela e disse: O que foi que eu fiz? Nesse instante ela disse um monte de palavras enroladas que eu não entendi. Parecia que ela estava entrando num transe. Depois de alguns segundos ela voltou ao normal e perguntou o meu nome. Eu respondi: Sou o Silas, e você quem é?
Ela olhou para longe e me disse: Meu nome era Ester, mas hoje eu já não tenho nada, nem meu nome.

Não sei o que me deu, mas me interessei por aquela mulher, me interessei em saber sua história.
Todas às vezes que eu ia ao parque eu procurava encontrá-la, mas parecia que ela havia sumido.
Um dia, andado por lá sem pensar em nada, eu a vi de longe entre uns coqueiros, ela estava dançando. Eu me aproximei de mansinho, ela se assustou, eu disse para ela ficar calma, pois eu só queria conversar um pouco com ela. A mulher olhou pra mim e disse: Quer conversar o quê? Ninguém fala comigo há muito tempo, acho que eu nem existo, acho que sou um fantasma, é, você está vendo um fantasma! Dizendo isso, saiu correndo e sumiu entre as árvores.
Deu-me vontade de correr atrás dela, mas no fundo, eu não queria assustá-la. Então fui dar uma volta. Acabei indo embora.

lita duarte

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

BALÕES




Eles brincavam juntos e eram felizes, pois eram crianças, e as crianças até uma certa idade, conservam uma certa espontaneidade.
Adoravam soltar pipas e jogar bolinhas de gude. Estavam sempre juntos. Iam juntos para a escola, passeavam juntos. A companhia de um, preenchia o outro. Era assim quase todos os dias naquele tempo que já não existe mais.

Certa vez, ficaram encantados com uma exposição de balões de seda e outros materiais que não me lembro agora. As cores dos balões fascinava os pequenos companheiros.
Um dizia ao outro: Quando eu crescer quero viajar num balão bem grande, quero voar por este mundão afora, e você vai comigo, amiga.
Sonhavam! E como sonhavam! Acho que ainda continuam sonhando, cada um no seu mundo e a seu modo.

lita duarte

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ENTRE AMIGAS

A paciência é virtude difícil, Lena.
Assim, começava mais uma conversa braba entre duas amigas.
O assunto era a morte, sempre ela, dona morte rondando com seu cheiro angustiante.

-Amiga, como entender o caso daquela mulher que abandonou os filhos e foi morar na rua? Tudo, porque eles eram viciados em drogas. E mesmo na rua a pobre não teve sossego, pois os mesmos iam lhe perturbar a ponto de um deles chegar ao absurdo de tirar a vida da própria mãe.
-Lena, quem criou esses filhos? Foi essa mãe, por quem os infelizes não tinham respeito e amor. É difícil entender essas coisas. A gente pensa que isso nunca poderia acontecer.
-Amiga, eu penso que houve negligência na educação desses filhos, faltou alguma coisa! Não tenho dúvida!
-Lena é preciso desde cedo educar as crianças com muito amor e disciplina. Uma criança precisa ter limites, não pode fazer tudo o que deseja. Se deixarmos às crianças por si, sem cuidados e atenção; vamos criar monstros.
-Amiga, o problema é a falta de estrutura. Uma pessoa que foi criada de qualquer jeito, não vai ter parâmetros. Sempre vou bater na tecla da educação, mas uma educação que seja no sentido de dar condições para que uma pessoa possa optar sobre o que vai fazer da vida. Educação que gera transformações.


Continua...

lita duarte

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PASSAGENS




Foram-se todos os dedos, mas os anéis ainda estão aqui.
Essa foi uma colocação feita por Dina, ao visitar um museu.
Incrível é ver todas essas peças e não imaginar quem as usou.
Como será que foi a vida das pessoas que usaram esses anéis?
O fato real é que hoje, elas não estão mais aqui.

lita duarte

sábado, 9 de outubro de 2010

"MULHER MARAVILHA" - Doces Lembranças - 1982

Não, eu não vou chorar, mas eu queria tanto, mas tanto a roupa da mulher maravilha.
Assim, todos os dias a menina de cabelo de uvas, falava para a mãe.
A mãe dizia:
-Sim, minha querida, vou comprar para você aquela roupa bonita - assim que der.
E todos os dias era a mesma estória.

A menina pensava: Será que minha mãe esqueceu da minha roupa? Eu quero vestir a minha roupa e sair por aí, minhas primas vão gostar, elas vão dizer:
-Que bonita!
Mas acho que elas também vão querer, será que a tia vai comprar a roupa pra elas também.
Não! Mas sou eu a mulher maravilha!

Os dias iam passando e nada da roupa da mulher maravilha chegar.
Um dia, a menina amanheceu com febre, a mãe a levou ao médico, o médico passou um remedinho, mas a menina ficava ali prostrada. Não melhorava. A mãe tomou uma atitude. Foi até uma loja e comprou a roupa da mulher maravilha para sua filha.
Chegando em casa ela disse assim:
-Adivinha o que eu tenho aqui nesta bolsa?
A menina olhou e falou:
-É a roupa da mulher maravilha!

lita duarte

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BELA

Andando pelas ruas, a mulher ia sentindo o cheiro da cidade. Tudo aquilo não era novidade para quem costumava andar quilômetros e quilômetros numa tentativa desesperada para não pensar.
Ela sentia o peso dos dias que se passaram. Agora, estava diante de sua realidade assustadora.
O convívio com sua própria aflição.
Morte! Não, a morte não lhe causava medo. O horror estava plantado no seu próprio ser. A incapacidade de viver. Sua vida agora era pesada demais.

Há alguns anos atrás, uma bela mulher admirada e querida por todos, ali naquela comunidade onde vivia, era alvo de elogios. Todos queriam ser seu amigo. Os homens queriam ter aquela criatura nos braços, e as mulheres queriam ser sua amiga.
Mas, o que havia de especial com aquela mulher alta, magra e morena. Havia muita tentação naqueles olhos negros, mas ela sabia usar de sua feminilidade, aquilo atraía todo mundo.
Ela não era rica, mas era de uma família que tinha certo patrimônio financeiro.

Um dia, Bela foi pedida em casamento por um homem muito rico. Ela aceitou. Afinal, dinheiro nunca é demais. Só que, Bela amava outro homem que infelizmente era pobre.
Mas o casamento da Bela com o homem rico, não foi impedimento para que ela e o pobretão vivessem um grande romance, daqueles cheios de lágrimas, dores e muito prazer e alegria.

Com o passar dos anos, Bela engravidou, nasceu um bebê muito bonito, menino, como o pai queria.
O menino foi crescendo, ele era muito diferente do pai, mas ninguém questionava nada, afinal, Bela sabia disfarçar o seu caso com o pobretão.

Quando o menino estava com sete anos, ele teve um problema de saúde muito sério, foram feitos muitos exames para verificar o que estava acontecendo com ele.
Nos exames constatou-se que o menino estava com Leucemia.
O mundo de Bela começou a desabar, ali naquele dia.





lita duarte

terça-feira, 5 de outubro de 2010

BRÍGIDA


Todos tinham medo da Brígida. Diziam que ela era bruxa. Tudo isso porque ela tinha uns hábitos diferentes.
Ela andava sempre de preto, era muito quieta e adorava comer maçãs.

Um dia, eu fui à casa dela, com Ana, uma amiga. Eu e Ana tínhamos quatorze anos, a Brígida devia ter uns vinte e cinco. Fomos lá para avisar que o pai dela estava passando mal, lá na rua da escola. Ela ficou desesperada e saiu correndo para ver o seu pai.
Eu e Ana olhamos a casa de Brígida, e não vimos nada de anormal. Saímos de lá e fomos ver o movimento na rua da escola.
O pai de Brígida estava tendo um ataque cardíaco. Foi socorrido e ficou bem.

No dia seguinte, Brígida foi conversar comigo e com Ana. Ela agradeceu por nós termos ido dizer o que estava acontecendo com seu pai. Assim, ela pôde socorrê-lo em tempo, e evitou o pior.
A partir daquele dia, Brígida ficou nossa amiga. Com o tempo, descobrimos que Brígida se vestia de preto porque estava de luto, sua mãe havia morrido há três anos, mas ela queria se vestir de preto para sempre. Ela comia muitas maçãs porque achava que elas deixavam sua pele bonita. Ela era muito quieta porque gostava de ser assim, era o temperamento dela.

lita duarte

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

TRANSTORNOS


Quando eu entrei na casa de dona Cândida, eu tomei um susto! Tinha tanta coisa espalhada por todos os lados. A mulher acumulava coisas dentro de sua casa. Havia uma montanha de jornais e revistas em todos os cantos. Havia roupas jogadas e amontoadas em todos os lugares da casa. O cheiro de bolor era muito forte. Para entrar na casa eu tive que fazer um grande esforço, pois a porta estava emperrada. Dona Cândida não saía de casa há muitos meses.

Descobri um tempo depois, que aquela pobre mulher sofria de um transtorno que a deixava daquele jeito;  com mania de juntar coisas. Para piorar, seus parentes não queriam saber dela. Quem a ajudava era alguns vizinhos e um pessoal de uma igreja. Mas era complicado, porque ela não queria saber de se tratar. Para ela ir ao médico foi o maior trabalho. E infelizmente alguns vizinhos já haviam perdido à paciência com ela, e queriam mais é que ela fosse internada.

Continua...

lita duarte

domingo, 3 de outubro de 2010

SER OU NÃO SER




Um dia, o pobre homem acordou do sono em que vivia.
Ele pensou: Ah, já não quero ser o mesmo. Sou tão bom, sou tão sincero e verdadeiro e só levo porrada. Sou tão amigo, sou, sou, sou, sou...
Espera aí - será que sou tudo isso! Então ele pensou e pensou - acho que andei me enganando, tentei enganar e fui enganado por meus devaneios. Agora, de hoje em diante eu vou me concentrar muito mais no que faço. Ora, ora, preciso deixar de ser infantil, preciso crescer, já não sou um garotinho de mamãe.

Daquele dia em diante, o pobre homem tomou coragem e resolveu ser mais sincero consigo mesmo, assumindo seus erros. Parou de se achar um coitado e assumiu as rédeas de seu destino.
Naquele dia houve “alegria no céu”, alguém finalmente renasceu para uma nova vida.

lita duarte

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O GATO, A MENINA E A MÃE




A menina viu o gatinho em cima da árvore e perguntou para sua mãe:
-Mãe, como aquele gatinho foi parar em cima da árvore, coitadinho dele! Ele quer descer. Alguém precisa ajudá-lo.
A mãe calmamente respondeu:
-Minha filha, não se preocupe, fique sentadinha aqui em baixo da árvore, eu vou subir nela, vou tentar tirar esse gatinho maluquinho de lá de cima.
A menina responde:
-Mãe, e se você cair de lá de cima!
A mãe responde com muita firmeza:
-Filha, de árvores eu entendo e de gatos também.
A filha diz:
-Mãe, tome cuidado, vou te esperar aqui.

Continua...

lita duarte

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ALEGRIA

Às vezes, as pessoas somem de repente, talvez porque queiram dar um tempo...
Mas é muito estranho quando alguém some de uma hora para outra.
Bem, aconteceu isso com uma amiga. Ela tinha muito contato comigo. Trocávamos e.mails, eu comentava no blog dela, e ela no meu. E era assim quase que diariamente.
De repente ela sumiu. Eu tentei me comunicar com ela, mas nada de respostas.
Aquilo me intrigava! Como pôde sumir assim! Pensei – talvez ela esteja doente. Ou, quem sabe simplesmente quer ficar longe de tudo! Mas, conhecendo um pouquinho essa minha amiga, cheguei à conclusão que não era isso não. Mas fui tocando minha vida e esperando que um dia ela aparecesse. Cheguei a pensar que talvez ela tivesse partido deste mundo. Mas o meu coração não acreditava nisso não.

Hoje, finalmente, após meses de ausência; minha amiga reapareceu.
Ela me disse que esteve muito doente, teve um estresse tão brabo que chegou a perder a memória. Teve que fazer um tratamento para ficar bem, e poder retornar para sua vida normal.

Hoje o meu coração ficou imensamente feliz. Pude ler com uma enorme alegria as palavras que minha amiga me escreveu.
Ela disse assim logo no início da conversa:
-Lita voltei!




lita duarte

terça-feira, 28 de setembro de 2010

DONA ALDA E SEU PIANO




Dona Alda era uma senhora muito animada, apesar de ser muito idosa. Ela era pianista. Adorava trabalhar com crianças carentes, ela dizia que não se pode ficar de braços cruzados vendo o tempo passar. Ela agia.

Lembro que ela ficava indignada quando não conseguia recursos para seu programa de ajuda às crianças carentes.
Então, ela reunia todas as crianças e começava a tocar piano, enquanto as crianças cantavam.
Aquilo era prazeroso demais! Era muita animação.
Era um grupo de trinta crianças, que eram tratadas com muito carinho amor e disciplina.

Dona Alda deixou bons exemplos e seguidores de sua obra.
Ela gostava de dizer um versículo bíblico que diz assim: Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.

“E nunca se esqueçam que educar uma criança é um grande desafio, mas vale o esforço.”

lita duarte

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

OS MOLEQUES

Foram duas horas de viagem naquela estrada poeirenta e debaixo de um sol de rachar.
Quando chegamos ao sítio, pudemos ver o estrago da chuva da noite anterior.
O senhor Zuza, que era o caseiro do sítio de Rosana dizia que estava sendo difícil manter aquele local protegido, para que os “ladrõezinhos” não entrassem lá. Ele dizia que estava a fim de largar aquilo tudo, porque a pior coisa no mundo é ficar brigando com gente ruim.

Rosana me explicou que o sítio vinha sendo alvo de moleques que iam lá para roubar frutas, mas que também maltratavam os animais e quebravam tudo o que viam pela frente.
O senhor Zuza estava cansado de brigar com eles. Da última vez que os moleques entraram no sítio, fizeram um estrago tão grande e até puseram fogo em uma parte da casa.

Rosana me levou para conhecer o sítio antes de colocá-lo à venda. Ela dizia que já estava desanimada, pois o maior problema era o que levava os moleques a se portarem daquele jeito. Eles não queriam saber de nada. Pois certa vez, ela disse que tentou ajudá-los, arrumando emprego e escola para alguns deles. Ela disse assim:
-Amiga, hoje em dia o maior problema que enfrentamos com a maioria dos jovens, é porque eles estão indo para o mundo das drogas. Como ajudá-los, se o incentivo para isso está em todos os lugares. Eu realmente não sei o que fazer. Penso que estamos num caminho sem rumo.

Passado alguns dias, Rosana vendeu o sítio. Senhor Zuza ficou sem emprego, e aquele belo lugar vai ser transformado em um pasto para animais.
Os moleques? Alguns morreram... Foram mortos, e os outros estão por aí, sem rumo.


lita duarte

sábado, 25 de setembro de 2010

"PARATY INDÍGENA"














Indígenas de Paraty lutam diariamente para manter suas origens. Tentam com muita bravura viver com dignidade, pois na busca do pão de cada dia, dificuldades são uma constante.

lita duarte

O PASSEIO

O tempo passou rápido demais naquele dia especial.
Fomos passear no Zoológico com as crianças, ficamos lá o dia todo.
Os pequenos são muito alegres, eles se distraem com as coisas mais simples.
Eu e Bete dividimos as crianças em dois grupos. Ela ficou com dez crianças nas idades de quatro e cinco anos, e eu fiquei com treze crianças nas idades de seis a sete anos.
O dia passou tão rápido que nem sentimos o tempo passar. Às vezes, uma ação pode mover tanta coisa. Quando saímos com as crianças, não imaginávamos que seria um passeio tão marcante para elas, pois, do grupo todo, apenas duas delas já haviam ido ao Zoológico. É incrível pensar na falta de atividades das crianças. Em geral, os pais quase não têm tempo para elas. Eu me pergunto. Se não tivermos tempo para nossas crianças; quem terá?

lita duarte

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

LÁ NA ALDEIA


No final da tarde, era sempre festa, era hora das crianças irem com suas mães para o mar. Lá elas nadavam, brincavam, e suas mães ficavam olhando, algumas também entravam na água e brincavam com os filhos, outras ficavam sentadas na areia conversando com as amigas.
Era uma tremenda alegria. Todos os dias era o mesmo ritual. Aquilo fazia muito bem aos pequenos.

Depois de terminarem o serviço de casa, as mulheres reuniam os filhos e iam para uma praia. Lá ficavam o resto da tarde. Só retornavam para casa quando começava escurecer, então preparavam o jantar e esperavam seus maridos retornarem para casa, depois de um dia de trabalho fora da aldeia.

Quem observava de fora achava tudo muito bom, parecia existir muita harmonia e simplicidade naquelas pessoas, ali naquela aldeia.

Ainda posso ouvir os risos das crianças e a vozes das mamães falando com seus filhos.
Os ruídos chegam com o sopro da brisa suave que senti no rosto quando abri a janela.

lita duarte

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

OS AMIGOS





Naquele dia de sol, os amigos se encontraram e puderam conversar muito! Falaram de tudo, era tanta saudade! Eles haviam passado muito tempo longe um do outro, tiveram que cuidar de suas vidas. E a vida é assim, às vezes, faz com que nos distanciemos de quem tanto queremos bem. Não dá para ficar de enrolação com a vida, pois ela é muito ligeira. Quando a gente percebe já passou muito tempo.

Quando paramos para pensar naqueles que queremos bem, então brota nos lábios um sorriso, porque sabemos da alegria que tivemos nos dias que se passaram.
E é assim, o tempo passa, mas ficam lembranças boas de dias alegres, porque depois de certo tempo, a gente só lembra do que foi bom. Porque no fundo bem no fundo do coração existe um sentimento eterno de bem querer.

lita duarte

terça-feira, 21 de setembro de 2010

SE VOCÊ ESTIVESSE NO MEU LUGAR, O QUE VOCÊ FARIA?

Se você estivesse no meu lugar, o que você faria?

Quantas vezes você já ouviu isso?
Bem, eu já tentei por várias vezes me colocar no lugar dos outros.
A gente sente compaixão pela dor do próximo, então faz alguma coisa, nem que seja uma palavra de ânimo, consolo, conforto etc. Mas nesse mundo doido de nossos dias está cada vez mais difícil esse tipo de atitude. É mais fácil a gente ficar calado, fingir que não viu e não ouviu nada.
Eu sei que existem situações em que é realmente muito difícil fazer alguma coisa, mas cá pra mim, sempre é possível alguma atitude, porque o conformismo é que não está com nada. É por causa do conformismo que nós estamos vendo dia a dia muitas coisas se perderem, muitas pessoas sendo oprimidas, muita coisa errada prosseguindo.

Bem, mas cada um sabe o que faz.
Outro dia, eu tive que socorrer uma pessoa ferida. Eu poderia fingir que não estava vendo nada e prosseguir o meu caminho, mas parei e fiz o que tinha que fazer. A pessoa foi socorrida, eu soube depois que ela está bem.

Por um tempo, também tive uns problemas com certa pessoa perseguindo um amigo, através de e.mails falsos. A tal pessoa ficava mandando e.mails, nos quais falava coisas horríveis desse meu amigo, pois bem, eu achava aquilo muito ruim, porque não estava certo, ora! Eu consegui confrontar essa pessoa através de seus e.mails. A infeliz caiu em sua própria armadilha. Tenho certeza, que agora ela não vai mais perturbar ninguém.

lita duarte

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A AVÓ DA SALMA

A avó da Salma gostava de conversar com as meninas, ela não tinha problemas em se enturmar com as adolescentes. Conversava de tudo! Dizia pra gente não ser boba e confiar demais nos meninos.

Certa vez, ela contou uma parte de sua vida. Disse que quando era moça, não tinha tempo pra nada, pois sua vida era só trabalho e mais trabalho. Mas quando conheceu o Mauro, aquele que seria o seu marido, ela pensava que havia chegado o tempo bom em sua vida. Que nada, foi só ilusão, ela sofreu muito ao lado daquele homem.

Ela se casou aos dezoito anos, teve o primeiro filho nove meses depois de casada. Pensavam que ela havia casado grávida, mas ela dizia que só se relacionou sexualmente com seu marido depois do casamento. Ficou grávida na lua de mel, que ela chamava de lua de fel. Ela dizia que aqueles momentos foram terríveis. Não foi nada do que ela esperava.

Ela dizia assim para sua neta Salma.
- Minha querida neta, não se case antes dos trinta anos, amadureça, escolha o seu marido com muito cuidado. Nunca se deixe ser escolhida. Um homem tem que ser homem e não macho. Tem que olhar para você com respeito e carinho. Não deixe que ele te trate mal. Conversem sobre tudo. Nada de esconder assuntos um do outro.
Um marido tem que ser companheiro e muito amigo, senão, será só uma grande farsa o casamento.

Continua...

lita duarte

domingo, 19 de setembro de 2010

COMPANHEIROS

Os dois eram bons companheiros, ficaram amigos, desde que se conheceram na segunda série da escola primária. Vivam juntos, aprenderam a jogar futebol, nadar, tocar violão...
Na adolescência passaram bons momentos juntos descobrindo um mundo novo.
Às vezes, ambos se apaixonavam pela mesma garota, então ficavam por uns tempos separados, mas logo voltavam às boas, afinal de contas, paixão naquela idade era algo que acontecia com a maior freqüência.
Marcos e Xande colecionavam gibis, gostavam dos super-heróis. Um queria ser médico e o outro engenheiro. Estudavam muito, tinham facilidade para aprender coisas novas, eram dois garotos de bem com a vida.

Um dia, Marcos conheceu Ângela, então ficou muito apaixonado pela moça, e começou a se distanciar de Xande.
Xande achou muito estranho o comportamento de Marcos, mas respeitou, ficou na dele, embora sentisse vontade de procurar o amigo. Ele achava que não precisava acontecer um afastamento, afinal era uma paixão, um namoro, mas a amizade entre os dois, devia perdurar.

Texto escrito em 2001 por ocasião do falecimento do Xande.


lita duarte

sábado, 18 de setembro de 2010

TIO GUILI





Tio Guili tem cada uma!
O homem parece doido.
Outro dia, ele subiu em uma escada, porque queria arrumar um varal que havia quebrado.
Só que, tio Guili, como é conhecido, já não é mais criança, mas ele acha que ainda pode sair fazendo das suas. O véio é muito doido, parece até outra pessoa que eu conheço.
Bem, aconteceu o seguinte, o tio caiu da escada, acho que foi a escada que caiu com o tio na verdade.
Coitadinho dele ficou machucadinho, mas agora já está bem.
Tio Guili precisa ter mais cuidado. Ele não é mais criança.
Ele vive dizendo que vai viver muito, acha o máximo ter oitenta anos e fazer tudo o que faz.
Ele vive dizendo que a gente precisa saber viver e aproveitar o tempo.
Tio Guili é uma grande figura.

lita duarte

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O MUNDO DE ALICE


O que aconteceria se você parasse de respirar neste exato momento?
Assim, dizendo frases absurdas, Alice fazia com seu velho companheiro.
Ele ficava imóvel olhando o vazio. Ela falava e falava, mas era só silêncio naquela casa enorme.

Os dias corriam devagar e a noite quase que se arrastava. Alice permanecia com a mesma roupa por dias e dias. Seu companheiro ficava jogado num canto observando o movimento da mulher. Ele não dizia nada, nem se arriscava. Se fizesse algum sinal, seria bombardeado com palavrões, então o pobre ficava calado.

-Porque a vida vira uma coisa estranha, Alice olhava no espelho e perguntava. Ela queria uma resposta, mas o espelho não podia dizer o que ela queria ouvir. Será que o tempo me engoliu, será que já não há saída? Alice queria respostas.
Seu companheiro olhava para ela. Naquele dia ele tomou coragem e disse.
-Alice procura ajuda enquanto você ainda pode. Você está enlouquecendo. Olhe para nós dois, parecemos farrapos. Eu não consigo fazer nada, desse jeito imóvel por essa maldita doença que me devora. Reaja, Alice!

continua...

lita duarte

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MANUELZÃO

Gabriela e as crianças brincavam calmamente debaixo do pé de abacate.
Os cachorros começaram a latir. O senhor Manuelzão - era assim que o tio da Gabriela era chamado. Bem, ele levantou da rede em que estava tirando um cochilo e disse para a Gabriela ir com as crianças para outro lugar. Ela obedeceu ao tio, levou as crianças para dentro de casa. Os cachorros faziam um barulho tão grande e parecia que iriam subir no pé de abacate. Então, de repente caiu no chão um bichinho, não deu outra, os cachorros estraçalharam o pobrezinho. Manuelzão gritava com eles, mas que nada, naquela hora os cachorros viravam feras. Então, percebendo que lá no alto da árvore havia mais bichos, Manuelzão retirou os cachorros dali. Quando ele voltou, viu uma fêmea de gambá desesperada procurando um de seus filhotes. Ela ficou farejando o local, então o Manuelzão, com muito cuidado pegou um saco de estopa e jogou em cima dela. Assim, ele pode pegá-la nas mãos sem machucá-la. Ele viu que dentro da bolsinha dela, havia mais quatro filhotes. Com muito cuidado ele a levou para outro local.

Assim que ele voltou, chamou Gabriela, e disse o que havia ocorrido. Gabriela levou as crianças para brincar novamente embaixo do pé de abacate.
As crianças estavam curiosas e queriam saber o que havia ocorrido. Gabriela falou da mamãe gambá e seus filhotes. Só não disse sobre o bicho que havia morrido, seu tio pediu para ela não falar sobre aquilo.

O senhor Manuelzão era um homem muito cuidadoso com a Natureza. Ele ensinava que a gente precisava ter muito respeito por tudo que Deus criou. Ele adorava cuidar dos bichos feridos. Ele ensinava tudo o que sabia sobre as plantas e os animais. As crianças tinham muita consideração por ele.

lita duarte

sábado, 11 de setembro de 2010

"É IMPOSSÍVEL NÃO SENTIR DOR"




A primeira vez (1998) que vi e ouvi a Lauryn Hill cantando Doo Wop (That Thing), foi num momento muito triste de minha vida, eu havia perdido alguém muito especial.
Aquela música mexia comigo de uma maneira muito forte, mas também me fazia esquecer por alguns momentos a dor que eu sentia.

Há poucos dias atrás, a Lauryn esteve no Rio fazendo show, não fui, mas tenho ouvido muito “a minha música”.

lita duarte







Veja o vídeo. Clique!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"CRIANÇA FELIZ"

Gosto muito da obra literária do Vinicius de Moraes, mas sou muito fã da sua obra literária para o público infantil.
Ainda na infância pude ter contato com suas estórias e músicas para crianças.
Já cantei e contei suas músicas e estórias para meus filhos, sobrinhos, alunos e público diversificado. Um dia, quero ter netos, pois quero cantar e contar para eles, essas belas pérolas que Vinicius de Moraes nos deixou como presente.

Dedico a todos, uma música que gosto muito.

lita duarte

A Casa

Era uma casa muito engraçada
não tinha teto não tinha nada
ninguém podia entrar nela não
porque na casa não tinha chão
ninguém podia dormir na rede
porque na casa não tinha parede
ninguém podia fazer xixi
porque pinico não tinha ali
Era uma casa muito engraçada
não tinha teto não tinha nada
ninguém podia entrar nela não
porque na casa não tinha chão
ninguém podia dormir na rede
porque na casa não tinha parede
ninguém podia fazer xixi
porque pinico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
na rua dos bobos número zero
Mas era feita com muito esmero
na rua dos bobos número zero

Vinicius de Moraes

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O POBRE HOMEM

Na cidade havia um homem que andava de cabeça baixa como se quisesse tocar o chão com a cara.
As pessoas viviam intrigadas com o jeito dele se portar, parecia que ele estava descontente com a vida. Ninguém tinha coragem de perguntar se ele precisava de ajuda.

Certo dia, alguém disse que aquele homem andava daquele jeito porque na juventude ele havia sido uma pessoa muito perversa. Por isso, andava assim, querendo tocar o chão com a cara, porque se sentia envergonhado pelos seus atos de outrora.
Agora que estava velho e doente e sabia que cedo ou tarde morreria, então vivia assim.

Também diziam que ele havia tirado a vida de uma pessoa e por isso andava desse jeito como se sentisse o peso do remorso.
Diziam tantas coisas daquele homem, mas ninguém sabia ao certo o que de fato teria ocorrido com ele.

Um dia, o homem caiu na rua e morreu, então foram até sua casa para avisar um seu familiar, mas não encontraram ninguém. Entraram na casa para pegar roupas e documentos para que ele pudesse ser enterrado. Dentro da casa encontraram uma parede forrada de retratos de uma mulher e uma mala cheia de cartas. As cartas eram da tal mulher que ficou esperando muito tempo que o tal homem tomasse uma decisão na vida. Em uma das últimas cartas, a mulher dizia que estava muito doente e que não dava para esperar mais. Ela também dizia que não importava nada, porque o importante foi o amor que ela sentiu por ele. Isso bastava.

Depois desse episódio concluíram que o pobre homem se fechou para o mundo e passou a viver de um passado no qual ele não teve coragem para mudar o rumo de sua história.

lita duarte.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

"PRESENÇA VERDE"





Aquelas árvores têm muitas estórias.
Quando olho para elas, fico imaginando quantas pessoas já foram influenciadas com suas presenças.
Quantos encontros e desencontros, chegadas e partidas, amores e desamores, alegrias e tristezas...
Andar naquele espaço entre elas dá uma sensação muito boa. O tempo parece fazer uma longa pausa só pra gente sentir melhor o toque da vida.

lita duarte


terça-feira, 31 de agosto de 2010

AO SOM DO LED, BASQUETE E BOMBAS DE CHOCOLATE

O Carlão era um menino de dezesseis anos, quando eu o conheci.
Ele jogava basquete e gostava do Led Zepellin.

Quando eu estava no colegial, - era assim que se dizia quando uma pessoa estava no ensino médio em 1975. Bem, nessa época eu conheci o Carlão.
Eu estava tentando fazer umas cestas, jogando basquete com dois meninos mais velhos que eu. Nessa época eu estava com quinze anos e adorava basquete. Era difícil encontrar alguém que jogasse comigo. As meninas não queriam saber de esporte, e quando se interessavam, queriam jogar vôlei.
Jogar com os meninos era complicado, porque eles se achavam os maiorais, eu tinha que me desdobrar ao máximo para ser aceita no jogo. Minha sorte mudou naquele dia. Os meninos estavam me sacaneando. Quando passavam a bola pra mim, jogavam com tanta força para me machucar. De repente, eu ouvi um vozeirão e quando virei para pegar a bola, vi um menino grandão dizendo assim: Dinho, seu mané, passa essa bola pra mim, se passar mal, eu vou distribuir porrada. Entendeu!
Os meninos falaram baixinho: O Carlão voltou, ferrou! Ele estava estudando à noite, já mudou de turno outra vez!
O Carlão se aproximou de mim e disse: Agora o bicho vai pegar! Os meninos riram pensando que o Carlão estava zoando com a minha cara, mas que nada, ele estava mandando um recado que queria dizer que estava do meu lado. Ele me disse: Se liga pequena, vou te passar a bola.
Bem, a partir desse dia eu e Carlão fizemos uma parceria.

O Carlão era um encrenqueiro, ele tinha talento de sobra para o basquete, mas arrumava muita confusão.
A gente se encontrava todos os dias para jogar e conversar. Nas conversas rolavam os maiores planos.
O Carlão dizia que um dia ele iria comprar uma moto pra gente viajar pela América Latina, a gente iria até a Argentina visitar o tio dele. Também iríamos à Londres assistir um show do Led Zepellin.
Pobre Carlão conversava comigo durante horas, me dava dicas de basquete, me ensinava a fazer os passes, quebrava o pau com os meninos por minha causa, mas quando ele entrava na depressão, era uma tristeza.

Certa vez, em uma conversa com o Carlão, eu disse que ele devia procurar um médico, o problema dele devia ter tratamento, mas o Carlão respondia que se ele fosse procurar um médico, o médico iria dizer que ele era um veado, uma bicha e coisas desse tipo. Naquele tempo, infelizmente não se diagnosticava a depressão da maneira como é nos dias de hoje. Antigamente, um homem só procurava um médico, quando já estava muito mal.

Quando o Carlão entrava em crise, ele sumia da escola, perdia os testes em clubes, ficava dias sem ver ninguém. Eu insistia, passava quase todos os dias na casa dele, entrava e batia na porta do quarto que ele mantinha fechada. A mãe dele me dizia que ele nem se alimentava direito. Eu falava pra ela procurar ajuda, mas tudo era tão complicado...
Muitas vezes, eu ficava conversando com o Carlão, ele lá dentro do quarto jogado na cama e eu do lado de fora com as costas na porta. Eu ficava dizendo que ele estava me fazendo falta, eu precisava dele para treinar e para ouvir o Led, porque ouvir o Led só tinha graça com o ele. Às vezes o Carlão me ouvia, então abria a porta do quarto e dizia: Pequena, amanhã nós vamos jogar e depois vamos ouvir o Led, também vamos comprar bombas de chocolate para acompanhar o som. Amanhã, tá bom! Eu respondia que sim, e ia embora.
No dia seguinte o Carlão aparecia, então era a maior festa. Jogávamos e depois íamos comprar as bombas de chocolate e seguíamos para a casa dele, ficávamos na varanda ouvindo o Led e fazendo nossos planos de viagens, enquanto saboreávamos as bombas de chocolate.

Um dia, Carlão entrou numa crise muito brava. Ele havia perdido um tio. Aquilo pesou demais. Carlão se fechou de vez, ninguém conseguia ajudá-lo. Os dias foram passando... Um dia, não aguentei e fui à casa dele e bati naquela porta do quarto dele com tanta força, que machuquei a mão. Eu disse que se ele não abrisse a porta, eu a derrubaria. Ele abriu à porta, então eu gritei com ele, disse que ele estava querendo morrer, falei dos nossos planos, falei que não havia jeito de trazer o tio dele de volta. Falei que não tinha graça nenhuma um homem daquele tamanho deixar uma droga de uma doença tomar conta dele.
O Carlão olhou pra mim e disse assim: Tá bom, pequena, já entendi, vou tomar um banho depois a gente vai comer bomba de chocolate. Muitas! Porque eu tô morrendo de fome.
Aquele foi um dia de vitória, vencemos uma batalha.



lita duarte

sábado, 28 de agosto de 2010

"AOS DOMINGOS..."

Domingo era assim: a mãe levantava cedo e preparava o café. O cheiro do café era muito gostoso e fazia a gente despertar. A mãe sabia das coisas.
Aos poucos, nós íamos saindo da cama. Nós! Eu e meus irmãos. Eu levantava e corria para a cozinha. A mãe dizia para eu ir lavar o rosto e escovar os dentes, depois de olhar para mim, e dizer bom dia com um sorriso muito bonito. Ah, o domingo era só festa!

Eu, a mãe e a Lú, íamos à missa, o pai e os meninos, às vezes iam com a gente, às vezes não, pois saiam cedo para pescar.
Às vezes aos domingos, todos nós saíamos juntos para irmos à casa do tio que morava em uma cidade próxima. A viagem era feita de trem e era uma sensação! Era uma alegria dentro daquele trem. Ah, era outro tempo! Sem tanto consumismo, modismos, extremismos etc. Criança era apenas criança.

Quando ficávamos em casa, eu gostava do ritual da preparação do almoço. A mãe fazia macarrão. Como boa descendente de italianos, ela sabia fazer a massa. Aquele era um momento especial. Eu e a Lú ajudávamos a mãe, enquanto os meninos ralavam o queijo e preparavam saladas. O pai era encarregado de preparar os frangos.
Às vezes, uma de minhas irmãs que já era casada vinha para o almoço, normalmente tínhamos convidados, que na maioria das vezes eram os primos.
O almoço de domingo era cheio de ruídos, risadas, muita conversa e demorava horas para terminar. Era uma reunião em que pairava muita harmonia e bem estar.

O meu pai sempre pedia para o meu irmão colocar umas músicas na vitrola pra gente ouvir, naquele tempo o aparelho de som era vitrola. O meu irmão fazia uma seleção musical que ia de Beatles a Louis Armstrong, mas ele não podia esquecer aquela música que dizia assim: Cuando Calienta el Sol..., porque meu pai adorava aquela música.
Às vezes, meu irmão fingia que havia esquecido a tal música, então meu pai dizia: Caballero! E a minha música? Então meu irmão dava muitas risadas e perguntava qual era a música. Quando meu pai dizia:      Cuando Calienta... todo mundo ria e repetia com ele - Cuando Calienta el Sol!





lita duarte

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

BINA ANDARILHA




Bina era o nome da mulher que andava pelas ruas da cidade. Diziam que ela era louca.
As crianças sentiam por ela um misto de encantamento e medo. Ela era daquelas pessoas que olhava nos os olhos dos outros e dizia: Que é? Você perdeu alguma coisa?
Ninguém nunca foi agredido por ela, mas tinham um receio daquela pessoa franzina e atirada.

Ela morava em uma vila distante, em uma casa de madeira, mas muito limpa. Ao sair andando pelas ruas da velha Monte Sião, sempre tinha um cachorro que lhe acompanhava.
Muitas vezes ela pedia comida na casa dos outros. As pessoas davam, porque no fundo sentiam dó daquela pessoa andarilha.

Certa vez, estava chovendo muito, parecia que o mundo ia desabar, Bina, não conseguiu voltar para sua casa e acabou ficando rondando pela cidade tentando encontrar um abrigo.
Choveu durante toda noite. No dia seguinte quando amanheceu e a cidade voltou à rotina, surgiu um comentário de que a Bina havia aprontado das suas.
Aconteceu o seguinte: O coveiro do cemitério da cidade quando entrou no alojamento onde ficava o caixão dos pobres, tomou o maior susto. Ele viu alguém sair de dentro dele e perguntar assim: E a chuva, já passou? Esse alguém era a Bina. Sabem como é, cidade pequena de antigamente todos ficavam sabendo dos acontecimentos.
E até hoje os antigos moradores da cidade contam essa história.




Contos que passam de pais para os filhos.

lita duarte

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

SEM RASTROS - A mulher indígena


A mulher indígena, naquela noite chorou muito. No dia seguinte resolveu partir carregando seu filho no colo. Há muito tempo que ela vinha sendo maltratada. E depois que ela teve o seu primeiro filho, tudo piorou. Ela tinha muito medo que seu marido fizesse algo de ruim para o bebê. Então após aquela noite, ficou claro o que ela precisava fazer. Ela decidiu fugir com seu filhinho. Ela sabia que não seria fácil, pois fugir daquele homem que lhe maltratava exigia muita coragem e determinação. Mas ela reuniu forças e quando a noite chegou, esperou o seu marido adormecer. Pegou o bebê no colo e partiu para bem longe daquela cidade e do jugo daquele homem perverso.

Caminhou a pé durante a noite toda até chegar à cidade mais próxima. Ela sabia que teria que ficar escondida por algum tempo. Não pensou em desistir. Fincou o pé ali, decidiu que não olharia para trás. O passado estava morto. Agora era só ela e o filho.
Ela sabia que não poderia fraquejar  e não fraquejou. Aquele sangue de índio estava mais vivo do que nunca naquelas veias feminina.

A mulher conseguiu se estabelecer em um local seguro. Arranjou emprego em uma casa  de família, em que ela podia cuidar de seu filho. Felizmente seus patrões eram pessoas de bem e assim ela pode dar uma boa educação para o menino. Esse filho cresceu, estudou muito e formou-se em direito. Hoje em dia, é ele quem cuida de sua mãe.




lita duarte
Foto do livro Crianças Indígenas / Net

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O PROFESSOR

Quando Laura ia à casa do professor Antunes, para aplicar injeções em sua mãe, eu ia junto com ela.
O professor morava em uma casa bem grande, ele era solteiro e cuidava de sua mãe.
Na casa havia uma linda biblioteca, os livros eram todos bem organizados por nomes. O professor era uma pessoa extremamente organizada. Ele era muito considerado lá na cidade, era um professor querido. Muitas moças morriam de vontade de namorar com ele, até mesmo a Laura. Toda vez que íamos à casa do professor, Laura se arrumava toda, passava perfume e vestia uma roupa bem bonita só porque iria ver o professor. Ele sempre estava em casa no horário em que marcava para Laura aplicar injeções em sua mãe. Ele adorava a mãe, mas ficava muito triste porque ela estava muito doente, diziam que era aquela doença! É, naquela época as pessoas tinham medo de pronunciar a palavra câncer. O professor falava comigo normalmente o que a mãe dele tinha, ele dizia que as pessoas não podiam viver na ignorância. Às vezes, ele falava umas palavras muito difíceis, então eu perguntava para ele o que era aquilo que ele estava falando. Ele costumava dar muitas risadas comigo, porque eu perguntava tudo!
Acho que ele sentia falta de ter filhos, ele era tão sozinho.

Um dia, o professor teve que sair da cidade. Nessa época a mãe dele já havia morrido e Laura já havia se casado com um primo distante.
Diziam que o professor precisava viajar pra longe, porque ele estava sendo perseguido por não concordar com muitas coisas erradas que ocorriam em nosso país.
Eu não entendia nada, mas ouvia o zum-zum-zum. Eu percebia muitas coisas estranhas, mas quando a gente é criança deve ser poupada de assuntos complicados, meus pais tinham muito cuidado em falar certos assuntos na minha frente.

Passaram-se meses e meses. Um dia, o professor voltou, mas já não era o mesmo.
Diziam que ele havia sofrido muito, por isso estava tão diferente. Ele foi ficando cada vez mais isolado e triste, poucas pessoas o visitavam. Aquele foi um período brabo na história, 1968 um ano terrível...

O professor adoeceu, meu pai foi visitá-lo e eu fui junto com ele. Era triste ver aquele homem naquele estado de fragilidade ali, naquela cama. Mas ele ficou feliz em nos ver, lembrou das minhas perguntas e sorriu. Antes de irmos embora, ele me disse para escolher um livro lá na biblioteca. Fui até lá, peguei o livro Guerra e Paz de Leon Tolstoi, ele olhou para mim e falou: Menina, esse livro agora é seu, cuide bem dele, leia com atenção – não agora, quando você for mais velha - sabe de uma coisa, você escolheu um bom livro, faça bom proveito dele.
Eu e meu pai nos despedimos do professor e fomos embora. Não sabíamos que aquela seria a última vez que víamos o professor.

lita duarte

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O PAVÃO ENCANTADO





Quando vi pela primeira vez um pavão fiquei tão encantada que o tempo parou. Por horas fiquei ali olhando para ele.

Num domingo, meu pai me levou ao parque da cidade, ele me disse que iria me mostar uma coisa muito bonita, eu não imaginava que seria aquele encanto de ave chamada pavão.

continua...



lita duarte

sábado, 14 de agosto de 2010

A BRUXA E A BELADONA


Quando eu era criança costumava passar muitas horas brincando no quintal de uma velha senhora conhecida como bruxa. Foi aí que tive uma experiência alucinante com uma planta chamada beladona. Eu estava colhendo flores para enfeitar um móvel da bruxa, quando vi umas flores brancas e enormes nas quais eu ainda não havia reparado. Muito curiosa como sempre, me aproximei do pé de beladona e senti um perfume muito agradável, não deu outra, comecei a apanhar aquelas belas flores cheirosas. Tive uma sensação estranha ao levantar o braço para apanhar uma flor que estava no alto… Senti uma tontura muito forte, mas a sensação era boa. Fui ficando ali apanhando flores e não percebi o tempo passar. Devo ter ficado ali durante muito tempo. Quando percebi estava deitada em cima de muitas flores e a bruxa dizendo meu nome e me chacoalhando para que eu levantasse. Levantei muito zonza e fui com a bruxa lá para dentro de sua casa. Ela fez um café bem forte e me deu para tomar, tomei e fiquei um pouco melhor. Então a bruxa me levou para casa e disse para minha mãe o que havia ocorrido. Minha mãe me mandou tomar banho e depois me deu uma refeição bem reforçada, pois eu estava com muita fome. Ela me disse para não colher beladona, pois a tal planta era muito tóxica, claro, ela me explicou o significado da palavra tóxica. Tudo passou, não tive mal estar durante a noite. No dia seguinte, fui à casa da bruxa, como sempre fazia. Chegando lá, ela me levou para ver o pé de beladona e junto carregou um machado. Quando chegamos perto do pé de beladona à bruxa me disse assim: Filha, eu vou cortar essa planta porque ela é muito perigosa e como você ainda é pequena e teimosa eu sei que, se eu deixar a planta aqui, você vai voltar e mexer nela novamente. E eu não quero que nada de mal te aconteça. Então eu disse para a bruxa: Não! Não corta ela não, nunca mais eu vou mexer nela. Então fomos para outro lado do quintal para colher alfaces.

Passaram-se uns dias. Numa certa manhã em que à bruxa havia saído, coisa que ela raramente fazia, aconteceu que, uns moleques malvados entraram lá no quintal da casa dela para apanhar frutas, só que além de pegar as frutas sem pedir, os tais fizeram uma maldade.Arrancaram todas as flores que ela cultivava,as rosas de várias cores, margaridas, dálias e outras.Os malvados só não arrancaram à beladona .Quando nós vimos o estrago, nós choramos muito, então ela me pegou no colo e me abraçou e disse que eu era a flor mais linda da vida dela.
Nunca mais esqueci aquela velha senhora que era conhecida como bruxa. Ela era conhecida assim, simplesmente porque era uma pessoa que tinha uma aparência com traços muito fortes de sofrimento, e porque gostava de viver isolada sem muito contato com as pessoas. Bem, com certeza ela deveria ter boas razões para isso. A bruxa e a beladona foi um acontecimento grandioso na minha vida.Inesquecível.


lita duarte

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PASSAGENS... CONTINUAÇÃO

Deus, Deus, Deus... o que seria isso? Um completar de quebra cabeças?
Eu sei, sim, sei que coisas acontecem e que muitas vezes nossa pequena capacidade de compreensão nos leva por caminhos estranhos. Mesmo sendo eu, uma criatura que consegue ler além das palavras e dos silêncios, sim, você sabe bem do que falo, não é senhor comandante do Universo? Ah, acho que já estou falando bobagens.
Mas aquela ventania toda, naquela manhã estranha provou que algo muito inusitado aconteceria.
Sim, eu e os ventos, nós temos intimidades, somos companheiros.
Mas hoje, o sol já brilhou e mais uma voz se calou.


continua...

lita duarte

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

PASSAGENS...


Havia naquele lugar uma passagem aberta que levava para um outro lado do mundo. A mulher que gostava de fitar o céu e o mar, não desistia de procurar encontrar um elo que havia sido perdido. Ela não entendia porque se sentia tentada a voltar sempre naquele mesmo lugar. O que seria aquilo que lhe dava tanta aflição e ao mesmo tempo um certo prazer em poder estar ali.

Não, não volte naquele lugar, implorava uma voz que gritava dentro dela. Mas a criatura era teimosa, por mais compromissos que firmasse consigo mesma; acabava cedendo aos impulsos do coração.
Ah, meu Deus o que o senhor quer de mim? Ela dizia.
O que foi que eu fiz, ou talvez o que foi o que eu não fiz! Alguém responda, sim!
Cadê você agora! Voz que clama dentro de mim. Cadê? Responda?

E assim os dias iam passando, passando sem fim. Sim, porque houve um começo, mas haverá um fim?




continua...

lita duarte

domingo, 8 de agosto de 2010

ÁRVORES




Nas férias de fim de ano de 1970, voltei na minha terra natal, Barretos, e fiquei lá por quase um mês, foi muito divertido aquele final de ano. Lembro que eu e minha amiga Semarú fomos ao sítio da avó dela. Lá tivemos uma aventura com o pé de tamarindo.
Aquela árvore era enorme! Nós subimos nela e ficamos lá em cima por várias horas, lembro que colhemos muitos tamarindos, fizemos suco e sorvete com eles.

Lá em cima do pé de tamarindo havia muitos bichos, o que mais me encantou foi um belo camaleão, ele olhava para mim e eu olhava para ele. Semarú dizia para eu não mexer com ele, porque ele era venenoso, mas eu fiquei ali, naquele contato de olhares, foi um momento inesquecível. Eu pude observar o camaleão se alimentar, ele comia pequenos insetos, mas o que me chamava à atenção, era a sua mudança de cor, aquilo era fascinante.

Eu e Semarú só descemos do pé de tamarindo, porque começou anoitecer, e sua tia Hilda foi nos chamar.
Descemos com cuidado daquela bela árvore, recolhemos os tamarindos e fomos para a casa de dona Inácia, avó de Semarú.

lita duarte

sábado, 7 de agosto de 2010

ELE

Ele era alto, forte (nem magro e nem gordo), cabelos pretos, olhos castanhos claros, que mudavam de cor em alguns momentos, tornavam-se esverdeados.
Ele era uma figura que passava confiança e credibilidade, era um comunicador. Para mim, ele era o meu protetor. Meu pai, um homem que me passou muitas coisas boas.
Uma delas foi o respeito pela Natureza, preciso dizer que ele era neto de Bugre, a avó materna dele, era índia. Eu tenho orgulho em ter sangue indígena.
Ele era um grande contador de estórias, incrível era presenciar ele contando estórias, ele envolvia as pessoas.
Ele foi um homem que viveu de maneira digna, ensinou verdadeiros valores para os filhos. Ele sempre dizia que se quisesse poderia ter se tornado um homem rico, pois em certa altura de sua vida foi oferecido a ele oportunidades, mas ele não quis, porque essas oportunidades envolviam coisas ilícitas. Ele dizia que um homem precisa ter o sono tranqüilo, a hora de dormir é sagrada.
Ele costumava dizer que o maior tesouro de sua vida era sua família. Ele tinha um grande amor por minha mãe, eles eram muito unidos.
Ele foi um homem totalmente dedicado à família. Eu agradeço a Deus por ter nascido da união dele com minha mãe.

lita duarte

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A MOÇA LOIRA... MUTANTE


Quando eu tinha oito anos de idade, fui apresentada a banda Os Mutantes.
Preciso dizer que eu fui uma criança criada ouvindo muita música. Por ter irmãos mais velhos e que adoravam música, desde muito cedo eu comecei a ouvir muitos estilos diferentes e gostei de todos. Além de pintar e escrever eu também sei cantar, aprendi. Já cantei em Espanhol, Japonês, Inglês e etc.
Bem, voltemos aos Mutantes.

Um dia, no ano de 1968, eu estava na casa da Nice, uma de minhas irmãs, ela ligou a televisão por volta de umas vinte horas, então apareceu na tela uma moça loira de franjinha, ela cantava junto com dois garotos, o Arnaldo e o Sérgio. Eu vibrei ao ouvir aquele som diferente e pensei assim: Ah, eu quero ser como essa cantora, ela é muito engraçada e canta de um jeito diferente. Minha irmã olhou para mim e sorriu.




Na foto: Arnaldo, Rita Lee e Sérgio Dias / Os Mutantes.
lita duarte

O BOSQUE - LEMBRANÇAS

Nele não tem anjo e nem solidão, como naquela canção. Dentro dele mora muita vida! É nele que vou quase todos os dias passear. Vou lá apreciar toda beleza que ele escancara. Árvores e muitas plantas, bichos, muitos bichos, moram naquele lugar encantado. Vou caminhando por aqueles lugares e ouço o canto dos pássaros, o assobio dos macaquinhos, e também ouço os bichos rasteiros; cobras e lagartos também passeiam por lá. O cheiro do Bosque é muito bom, cheira planta, madeira, fruta… cheira verde e renovação.

No bosque tudo é muito harmonioso. Tem até uma deusa, ela é de pedra, mas deusa que é deusa tem que ser de pedra, pois, ela nem sabe que existe. Mas os humanos insistem em adorá-la, e ela nem sabe da existência deles.

Esse bosque existe e resiste, porque muitas pessoas lutaram para que ele permanecesse ali. Interesses imobiliários queriam transformá-lo em um grande condomínio residencial, mas graças à união de pessoas que amam a vida e a natureza, hoje, o bosque continua de pé e preservado, jamais poderá ser destruído. Que assim seja.

lita duarte

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"PEQUENO MUNDO"


De volta na cidade de São Paulo. Na madrugada no quase silêncio da noite observo a cidade do alto do prédio olhando pela janela. Vejo os carros passando, ninguém andando a pé. Um avião que passa e logo pousará no Congonhas.
Daqui a visão que tenho da rua é fantástica, vejo tudo e ninguém pode me ver, mas quem me veria a essa hora?

Meu companheiro (computador) de batalhas está em cima da cama, estranho como ele é tão necessário e útil, logo mais, os meus pensamentos terei que passar para ele, o edredom é azul claro, hoje está muito frio por aqui. Tenho uma missão importante no dia de hoje, tenho que vasculhar a cidade à procura de antiguidades. Será que vou conseguir encontrar o que me pediram?
Tenho que ir ao centro da cidade, adoro andar naquelas ruas largas e observar toda arquitetura antiga. Essa cidade é mesmo um mundão, lugares tão interessantes, belezas, extravagâncias, exageros, pobrezas, grandezas etc. Logo vai amanhecer, mas o meu olhar quer permanecer aqui diante desse pequeno mundo que vejo dessa janela... pequeno, mas fascinante.

lita duarte

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ALEGRIAS DO QUINTAL






Fui uma criança muito feliz. Tive uma infância muito rica, fui criada junto à Natureza, pude ter um íntimo contato com a mãe Terra.
Eu e minhas árvores frutíferas vivíamos em perfeita união.


Hoje, tive à grata satisfação de encontrar jabuticabas na feirinha perto de onde trabalho.
Aquelas frutinhas saborosas, me fizeram voltar lá na infância, lembrei de muitas passagens alegres de minha vida. Algumas ficaram marcadas; quando me lembro dou muitas risadas.

Certa vez, eu e Márcia, uma amiga, fomos até uma chácara com os pais dela. Fomos lá para buscarmos uma tia da Márcia. Chegando lá começamos brincar e correr entre as árvores. De repente, vimos uma jabuticabeira forrada de jabuticabas, ah não deu outra, fomos lá e começamos a saborear as danadinhas. Era tanta jabuticaba, que nós começamos a competir para ver quem comia mais. O resultado foi terrível, ficamos com a barriga tão estufada que não podíamos nem andar direito, no dia seguinte nem fomos à escola. Tivemos que ficar de repouso, e ainda por cima levamos umas broncas.
Eu e Márcia ficamos um longo tempo sem saborear aquelas frutinhas.

lita duarte

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

KISS FROM A ROSE

Em 1995, Alan conheceu a Sheila. Na época eles eram dois adolescentes sonhadores.
Ficaram apaixonados e diziam que viveriam juntos para sempre. Nada e ninguém iria separá-los. Alguns amigos do Alan diziam para ele ter cuidado com a Sheila, porque ela não era muito confiável. Diziam que ela vivia se apaixonando por todo mundo e logo cansava de um e partia para outro. Mas o Alan, com dezesseis anos, não acreditava e continuou junto com a Sheila, ele me disse na ocasião que havia ido ao cinema com ela e viram Batman Forever, a música Kiss From A Rose seria a música da vida deles.

Numa certa manhã, o Alan me procurou para conversar, ele estava muito triste, nessa época eu era muito amiga da mãe dele, por isso ele tinha contato comigo e confiava em dizer coisas de sua vida, na verdade ele gostava de falar, pois o que eu fazia era ouvi-lo.
Ele me disse que a Sheila estava deixando ele muito triste, porque não se interessava mais por ele, e dizia que tudo estava acabado e que era para ele esquecê-la.
Eu disse pra ele não se preocupar, pois se ela queria ir embora que fosse. Que ele devia chorar se estivesse triste, ouvir a tal música e pensar tudo o que ele quisesse pensar, porque por um tempo ele sentiria vontade de ir atrás dela, iria sentir aquelas dores da paixão. Porque só mesmo o tempo para fazer tudo mudar e acalmar.

Outro dia, fiquei sabendo que a Sheila já está no quarto casamento e tem três filhos.
O Alan, ainda não casou, mas tem uma bela namorada e pretende se casar.
Lembrei desse acontecimento justamente por causa da música: Kiss From A Rose / Seal, que ouvi um dia desses quando estava em uma festa de aniversário de casamento.

A vida também é feita de paixões. Quem nunca se apaixonou que atire a primeira rosa.

Os verdadeiros nomes foram trocados. Eu não quero confusão para o meu lado.:)

lita duarte

sábado, 31 de julho de 2010

"CLARA ESPERANÇA"

Clara é uma criança cheia de esperança, embora viva em um ambiente muito complicado, procura ficar distante de tudo aquilo que lhe poderia fazer mal.

Ela estuda na escola pública, anda alguns quilômetros para chegar no horário e não perder nada. É uma criança muito esforçada, quer ser médica.
Clara sempre me diz que gosta de música e de cantar, diz que música lhe deixa em paz.
Ela entrou para o projeto de música e está indo muito bem, começou aprender a tocar violino. Eu peço a Deus que a proteja e que os sonhos dela sejam realizados.


lita duarte

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A BELA SENHORA E O ARCO-ÍRIS



Aquela mulher de sorriso bonito, sentada em uma cadeira com uma criança no colo e rodeada de netos, entrou em minha vida e marcou minha história.
Não me lembro o dia exato em que a conheci, mas sempre me lembro dela, assim como descrevi, sorrindo e rodeada de crianças.
Agradeço a Deus por ele ter colocado no meu caminho um arco-íris, descobri muitas coisas bonitas e boas através dele, pois ele me apresentou a bela senhora do sorriso bonito.

lita duarte

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O QUE É A VIDA?

Dona Celinha, de oitenta e sete anos morreria sozinha, se não fosse à bondade de algumas pessoas que tinha muita atenção com ela.
Ela era só, viúva e sem filhos. Falava três idiomas, foi uma mulher muito ousada na sua época de jovem, porque trabalhava e usava calças compridas, era muito independente, culta e só se casou aos trinta anos.

Há seis anos ela ficou viúva, sempre dizia que viveu um casamento muito feliz e que não sentia falta de filhos. Ela e o marido viajavam muito, tinham um relacionamento muito bom, mas viviam focados em si mesmos. Ao longo do tempo foram se afastando dos amigos e parentes. Ela dizia que era feliz, mas vivia sempre só. Às vezes ela ia à igreja. Como estava muito velha e doente dependia da bondade de vizinhos e alguns conhecidos.

Ela morava em um pequeno apartamento onde vivia confinada, por vontade própria. Não possuía convênio médico. Pedia para uma pessoa que fazia faxina em seu apartamento para lhe fazer compras de mercado. Quando recebia uma visita, ficava contente, porque podia conversar e dizer das suas dores e de seu passado.
O que mais me intrigava era saber que, todos os dias a vida daquela senhora era uma rotina na qual ela já não esperava mais nada. Eu sempre ficava imaginando a madrugada dela. Sim, porque ela me dizia que só conseguia dormir depois das duas horas da manhã, isso quando o sono chegava, porque às vezes ele não chegava.

Dona Celinha partiu o mês passado para a eternidade. O que ninguém imaginava é que ela tinha um bom dinheiro no banco, uma quantia boa mesmo que daria para ela ter vivido bem melhor, porque as pessoas a ajudavam pensando que ela passasse necessidades.
Dona Celinha era considerada uma pessoa culta e esclarecida. Dona Celinha deixou todo o dinheiro e o apartamento dela para o estado.
O mais triste dessa história, é saber que ela não aproveitou o que tinha direito: se alimentar bem, desfrutar do que é bom e também contribuir para melhorar a vida de quem não tem recursos.
Enfim, dona Celinha viveu como quis, tomara que ela tenha realmente sido feliz.


lita duarte

quarta-feira, 28 de julho de 2010

UM CONTO... AMIGOS

Ora, ora, mas Deus é invenção dos homens.
Assim começava mais uma conversa entre aqueles dois seres que se completavam.

Lara vivia questionando tudo! Lino queria explicar tudo! Eles não podiam se encontrar, senão logo começavam uma discussão. Da última vez não foi diferente.

Sabe Lara, hoje eu fui visitar o meu tio Alfredo, ele está muito doente, então como ele freqüenta uma igreja, algumas pessoas foram na casa dele para fazer orações por ele.
Eu achei estranho aquele jeito das pessoas orarem, elas gritavam tanto, aquilo me assustou.

Lino, meu amigo, acaso Deus é surdo? Essas pessoas acreditam em tudo! Gritar para um doente deve deixá-lo mais doente, tenho dó de seu tio. Tudo é Deus! Ai, as pessoas me dão nos nervos com essa história de pedir tudo pra Deus, por a culpa em Deus e matar em nome de Deus!

Calma, Lara, assim você vai ficar doente. Eu acho que Deus existe, mas às vezes eu tenho dúvidas. Dizem que ter dúvidas já é um bom sinal. Será?

Lino, tudo é uma grande invenção, Deus também é uma grande invenção, se bem que eu acredito nele. Não sei te explicar, mas acredito. Deus para mim, não está preso em igreja nenhuma, Deus é igual o sol, a lua, as estrelas, o mar... toda essa imensidão que ninguém pode comprar e nem vender. Deus é.

Desse jeito que você fala Lara, eu até fico arrepiado, sei lá, a gente não sabe quase nada de nada. Às vezes, eu acho tudo tão confuso, e isso porque eu só tenho dezesseis anos, já pensou quando eu tiver quarenta!

Não meu amigo, eu nem quero pensar, porque eu já tenho dezessete! Lino, o que eu queria fazer da minha vida era viajar, mas lá para bem longe, queria sair fotografando tudo nesse mundão! Mas tenho que me preparar para entrar na faculdade, e o pior de tudo é que eu não sei o que eu quero cursar, pode?

Lara, você fala de barriga cheia, é só você se ligar naquilo que você gosta e pronto, escolhe o curso que tem alguma coisa a ver com você. Se bem que, eu queria fazer arquitetura, mas meu pai quer que eu faça engenharia, estou num beco sem saída.

Lino é muito fácil dar conselhos. Aliás, por que nós somos assim? Cheios de manias, sempre queremos dizer o que os outros devem fazer, mas nós mesmos, hum...

Lara deixa isso para outro dia, tá bom, vou nessa, ainda tenho que estudar, tem prova amanhã, já é tarde.
Até amanhã.

Lino, eu também tenho que estudar, mas detesto. Só que não posso fugir, tenho que encarar, senão é só atraso.
A gente se vê por aí.

Continua...


lita duarte

1973 - VALEU MENINOS!

Num certo dia, lá nos idos de 1973, eu que era apenas um adolescente de treze anos de idade, fui ao teatro da Record em São Paulo, com uma de minhas irmãs e amigos, para assistir ao Papo Pop, programa que era feito pelo grande e excepcional Big Boy, o homem do: Hello Crazy People! Sua inesquecível (marca) frase.

Quando chegamos lá nas proximidades do teatro, vimos uma grande agitação. Pessoas bem alegres, com roupas coloridas e algumas com violões e outros instrumentos musicais.
Ficamos ali na rua curtindo toda aquela festa e esperando o teatro abrir. Víamos os artistas chegando, alguns acenavam, mas logo entravam no teatro.

De repente, chegou um carro, de dentro desse carro saiu nada mais nada menos que: Raul Seixas. Ele estava vestido com um poncho na cor cinza, estava de óculos escuros e carregava o seu violão. Ele foi passando entre as pessoas e cumprimentando todo mundo. Parou para conversar, sorriu, brincou, depois com muita calma entrou no teatro.

Abriram às portas do teatro, então todos entraram para assistir ao show.
Sinceramente, eu não me lembro de nenhum outro artista que se apresentou naquele dia, mas Raulzito ficou marcado na minha memória.
Lembro-me de Big Boy dizendo: Hello Crazy People! Ai vem Raul Seixas! Então foi pura vibração, quem estava lá, curtiu muito aquele momento único e inesquecível.


Big Boy era locutor, apresentador, dj e chegou a escrever para vários jornais, o homem era demais!
Teve uma vida curta, morreu aos trinta e três anos, mas penso que viveu tudo o que ele quis viver.

Raul Seixas O Maluco Beleza, era compositor e cantor, assim como Big Boy, também morreu muito cedo, mas penso que ele também viveu tudo o que quis viver.

Valeu meninos!




lita duarte